Para onde irá todo esse leite?

Comenta vários fatos que estão acontecendo no Uruguai, que associados à sobre-valorização do Real frente ao dólar americano poderão levar o Brasil a significativas importações de leite e lácteos desse país prejudicando á cadeia produtiva brasileira

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Para onde irá todo esse leite?


Pode-se estimar que o investimento de argentinos para ordenhar 8.800 vaca em confinamento produzirá 250.000 litros/dia e o investimento de neozelandeses para ordenhar 25.000 vacas produzirá 370.000 litros dia, totalizando 620.000 litros dia.

Com certeza esse leite não se destinará ao mercado interno do Uruguai mas sim para exportação.

O Real sobre-valorizado em cerca de 30% com relação ao dólar americano representa uma concorrência desleal para o produtor e para a indústria brasileira e facilidade para importação.

A planta que a Bom gosto pretende implantar no Uruguai ( que dependeria apenas de incentivos fiscais do governo daquele país ) seria para processar 600.000 litros dia. Coincidência?

A porteira para importação de leite do Uruguai está aberta. Será que esse leite seria exportado para o Brasil?

Se esse leite for exportado para o Brasil, representa cerca de 0,2 bilhões de litros ano, o que já caracterizaria o Brasil novamente como importador significativo de leite como já o foi no passado recente. E mais, isso pode ser apenas a ponta do iceberg.

Esses fatos indicam que é importante que as entidades que representam os produtores e as indústrias brasileiras discutam com o Governo brasileiro com urgência essa porteira livre para importação de leite do Uruguai, que poderá causar grande estrago à cadeia produtiva brasileira e á geração de renda e postos de trabalho no interior do Brasil.

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo
 
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Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2010

Caro Benicio

Agradeço os comentários.

O que conseguimos, em reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, foi que as tratativas de integração dos setores lácteos do Brasil e Argentina não prosseguissem sem que o assunto fosse amplamente discutido num workshop interno para verificar o interesse dessa integração, e caso houvesse interese, em que termos seria essa integração. Estamos no aguardo do agendamento desse workshop, mas ao que me consta as tratativas com o setor lácteo argentino não tiveram continuidade.

No caso do Uruguai foi diferente, pois quando soubemos o acordo já estava feito e pode ser a válvula para grandes exportações de leite para o Brasil, razão pela qual estamos chamando a atenção para a necessidade das entidades representativas dos produtores e da indústria discutirem com o Governo essa porteira aberta no Uruguai. A Leite São Paulo vai se posicionar sobre a necessidade da discussão dessa questão nas próximas reuniões das Câmaras Setorias de Leite e Derivados de São Paulo e do MAPA.

Mas você tem razão, tá dificil!

Abraço

Marcello de Moura campos Filho
Ramon Benicio Lima da Silva
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 28/07/2010

Grande amigo Marcello,

Muito acertado o seu comentário. Mas lembra dos primeiros comentários a respeito deste assunto, havia a estória de encontros que aconteceriam entre interessados e governo para discutir o assunto. Pergunto: Alguma coisa progrediu? E agora que estamos em ano eleitoral será que vai progredir? Acho muito duvidoso. Lembra de um dos meus comentários no qual alertei que a vontade política resolve tanto para o bem como para o mal.

Manteve-se a cota de leite importado da Argentina mas liberou para o Uruguai. Temos agora neozelandeses produzindo no Brasil, no Uruguai e quem sabe na Argentina. Daqui a pouco serão os chineses, que já estão se movimentando nesta área, inclusive aqui no Brasil.

Acho que a CNA está impotente prá discutir este assunto, basta você ver o que está acontecendo com várias culturas em várias regiões, café com prejuizo, soja com lucro zero, leite nem se fala, algodão fizerão um acordão com os EUA, milho a R$12,00 a saca. O Brasil se tornou o país do combustível alternativo, alcool, biodiesel e ainda tem o pré sal que depois do vazamento no golfo do México vai ter que ser repensado.

Tá difícil!!!

Um grande abraço
Ramon Benicio
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