FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Ovelhas Santa Inês: perspectivas para produção de leite e derivados

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/09/2020

3 MIN DE LEITURA

3
11

João Antônio Gonçalves e Silva1, Pamella Cristina Teixeira1, Paulo Victor Toledo Leão1, Leonardo Amorim de Oliveira1, Ruthele Moraes do Carmo2, Elis Aparecido Bento1, Edmar Soares Nicolau2, Marco Antônio Pereira da Silva1

1Instituto Federal Goiano - Campus Rio Verde, Goiás, Brasil
2Universidade Federal de Goiás - Campus Samambaia, Goiânia, Goiás, Brasil

 

O leite de ovelhas no Brasil é pouco consumido, limitado a questões culturais, pouco interesse comercial pela espécie e baixa produção de leite dos animais. Além disso, o teor de gordura do leite ovino é duas a três vezes maior que o leite bovino, o que pode influenciar na aceitação pelos consumidores. O leite de ovelhas pode ser comparado ao leite de búfalas pelo rendimento semelhante na produção de queijos, o que está relacionado ao considerável teor de sólidos.

Em regiões áridas onde a criação de bovinos não é explorada, o consumo do leite de ovinos se destaca na alimentação de indivíduos mal nutridos. Talvez a grande limitação da exploração de pequenos ruminantes para produção de leite seja o volume.

Em pesquisa realizada no Sudoeste Goiano com a exploração de ovelhas Santa Inês para produção de leite e desenvolvimento de derivados lácteos, foi observada produção diária de 0,1 a 1 litro, com média diária de 0,5 litro. No entanto, a baixa produção no rebanho explorado foi relacionada a fatores como idade das ovelhas, número de tetos viáveis, número de cordeiros, incidência de mastite, manejo de ordenha, bem como a morfologia dos tetos da espécie, o que afetou a ordenha pelo método de extração manual. Além disso, a raça em questão é considerada como boa produtora de leite para nutrição do cordeiro, mas não para a exploração em larga escala.

Embora a maior aptidão da raça Santa Inês seja para a produção de carne, a mesma possui em sua composição genética raças com aptidão leiteira, como a raça Bergamácia.

Pesquisadores de Lavras reforçaram que ovelhas Santa Inês, mesmo que exploradas para produção de carne, apresentaram maior período de lactação e elevada produção de leite, com composição química satisfatória e bom rendimento de queijos finos. Além de observar que o uso de ocitocina no momento da ordenha aumentou a porcentagem e quantidade de sólidos totais desengordurados do leite até os 133 dias de lactação, fato este, que pode afetar a produção de derivados lácteos.

Silva e demais pesquisadores produziram queijos frescais, doce de leite pastoso e iogurte a partir do leite de ovelhas Santa Inês, observaram textura firme e sabor acentuado nos queijos, doce de leite e iogurte com sabor persistente de gordura, recomendando assim, o desnate do leite antes do processamento, o que pode melhorar o perfil sensorial dos derivados. Os mesmos pesquisadores também avaliaram as características químicas do colostro e constataram que é uma substância fonte de gordura e proteínas essenciais para o desenvolvimento e aumento da imunidade do cordeiro, com diminuição dos teores de proteína e gordura de forma gradativa até o sétimo dia pós-parto. Com a adição de aditivo à base de óleos vegetais na dieta das ovelhas lactantes foram observadas alterações nos componentes químicos do leite, principalmente gordura e proteína, evidenciando que o aditivo fitogênico pode ser utilizado como manipulador ruminal para o controle e seleção de micro-organismos, além de auxiliar na produção do leite com menor teor de gordura, mas com alto teor proteico.   

Contudo, o estímulo a exploração de ovinos leiteiros e o desenvolvimento de derivados lácteos se destaca principalmente pelo valor agregado, o que pode vir a ser explorado por pequenos e médios produtores visando maior geração de renda. A exploração da raça Santa Inês para produção leiteira depende de investimentos em genética, nutrição e bem-estar animal. Outro fator importante é o auxílio do poder público, com a criação de instruções normativas, legislações e decretos que caracterizam o leite de acordo com suas características físico-químicas e microbiológicas, bem como a organização da cadeia produtiva e orientação de medidas necessárias para obtenção de um produto final de qualidade.

RIBEIRO, Louiziane Carvalho et al. Produção, composição e rendimento em queijo do leite de ovelhas Santa Inês tratadas com ocitocina. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 36, n. 2, p. 438-444, 2007.

SILVA, J. A. G. Qualidade do colostro, leite e uso de aditivo fitogênico na dieta de ovelhas Santa Inês. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano - Campus Rio Verde, Rio Verde, p.50, 2019.

3

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

TIAGO PEREIRA GUIMARÃES

RIO VERDE - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/09/2020

Parabéns pelo trabalho, quase não temos informações a respeito desse assunto.
JEFFERSON LORENCONI

EM 04/09/2020

Muito bom o artigo, parabéns aos pesquisadores e a Universidade envolvida (:
ESTHER CRISTINA NEVES MEDEIROS

RIO VERDE - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 04/09/2020

??????????
MilkPoint AgriPoint