Os juros, a taxa de câmbio e o preço dos alimentos no Brasil
No início de 2011 há uma grande preocupação com a alta da inflação, pressionada pela alta dos alimentos. E o medo da inflação tem efeito perverso, pois realimenta os preços.
Essa alta de preços dos alimentos teve origem no aumento da demanda nos países emergentes, que ficaram menos pobres, e foi agravada por problemas climáticos e quebra de safras.
O economista do JP Morgan, Júlio Callegari mostra que no Brasil a alta dos preços nos alimentos foi neutralizada pela valorização do real com relação ao dólar. O CBR ( Commodities Bureau Research ), indice que mede a variação das commodities no mercado internacional janeiro de 2009 a julho de 2010 em dólar aumentou em 32%, mas em reais aumentou apenas 1%, devido a valorização do real no período, com o câmbio passando de R$ 2,40/US$ para R$ 1,77/US$ ( queda de 27Já no período de 01/10/2010 a 31/01/2011 o CBR em US$ aumentou 26% enquanto que em R$ aumentou 19%, pois em função das medidas do Governo para conter a valorização do real, o câmbio passou de R$ 1,679/US$ para R$ 1,674/US$, ou seja, ficou praticamente constante.
Alexandre Schwartsman, economista chefe do banco Santander diz que há uma inconsistência entre a política monetária, que aumenta a Selic para conter os juros e reduzir o consumo para pressionar a inflação para baixo e a política cambial de conter a valorização do real com relação ao dólar que pressiona a inflação para cima.
No meu modo de ver inconsistência maior seria manter a trajetória de valorização do real com relação ao dólar, pois ao facilitar e importação com preços mais baixos do que o que temos condições de produzir aqui, num primeiro momento pressiona a inflação para cima pois tende a aumentar o consumo, e num segundo momento, massacrando o produtor nacional, gera perda de renda e trabalho no País.
A tarefa de conter a alta da inflação não é fácil. Mas penso o Conselho Monetário Nacional , assim como administra a taxa Selic, deveria administrar uma taxa mínima de câmbio, tendo em vista de um lado o controle da inflação e de outro assegurar a renda e trabalho necessários para o desenvolvimento do País.
No meu modo de ver a administração de uma taxa de juros mínima não significa tabelar ao taxa de câmbio da mesma forma que administrar a taxa Selic não implica em tabelamento dos juros no País.
Parece não faz sentido num País em que a infraestrutura deficiente tira a nossa competitividade no mercado internacional, o Governo gastar mais na compra de dólar para conter a valorização do real do que nas obras do PAC, como teria acontecido em 2010. A administração de uma taxa de câmbio mínima poderia ser uma ferramenta eficaz e melhor para o País, ou pelo menos complementar, a outras que já estão sendo utilizadas.
Quando o Governo culpa os USA ou a China pela valorização do real com relação ao dólar, parece esquecer que a elevada taxa de juros praticada no País, muito acima do que acontece nos países desenvolvidos, canaliza um grande volume de dólar para aplicação no mercado financeiro nacional, o que esse é também um importante fator de valorização do real com relação à moeda norte americana.
A administração de uma taxa de câmbio mínima tratada em conjunto com a administração da taxa Selic pelo Conselho Monetário Nacional pode fazer sentido e ser estratégica na espinhosa tarefa de conter a alta da inflação.
Marcello de Moura Campos Filho
Os juros, a taxa de câmbio e o preço dos alimentos no Brasil
Faz considerações sobre os juros e a taxa de câmbio na inflação e preços dos alim entos no Brasil
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