O que virá depois da tempestade?
No meu modo de ver não importa a nota que a Stander & Poor deu ou vier a dar aos USA: eles vão entrar em recessão. As minhas dúvidas são se ela virá mais cedo ou mais tarde e a intensidade do processo recessivo. Também acho que a Europa vai entrar num processo recessivo. A Alemanha e o Banco Central europeu podem segurar as pontas enquanto se tratar de países como Grécia, Irlanda, Portugal, mas quando a bola da vez for a França ou a Itália não haverá como segurar.
Para mim a tempestade, ou seja o processo recessivo nos USA e Europa, virá, e naturalmente afetará todo o mundo. Quando virá e qual a intensidade é a grande dúvida, e principalmente o que acontecerá com dólar e o leite quando a tormenta chegar.
Meu palpite é que as ações cairão muito, algumas empresas poderão quebrar, o dólar tenderá a subir. Penso que o consumo de leite poderá diminuir mas a oferta poderá deverá diminuir, e o preço, sujeito a lei da oferta e procura, dependerá do que vai diminuir mais, se será a oferta ou a demanda.
Mas esse período crítico penso que será relativamente curto, e mais preocupante é o que virá depois da tempestade, ou seja, no processo de recuperação do processo recessivo
No processo de recuperação as ações tenderão a subir gradativamente a medida que os investidores sintam firmeza na recuperação econômica, e no meu ver o dólar retomará sua trajetória de baixa, provavelmente num rítimo de queda maior do que vinha acontecendo no passado recente, pela simples razão que para recuperação de suas economias será vital para os USA e a Europa exportarem produtos de uma forma geral e os seus Governos não terão condição de manter subsídios o que aumentará a pressão para desvalorizar suas moedas.
O consumo de leite após a tempestade deverá retomar sua trajetória de crescimento devido a demanda de países com população enorme que se não tenderem a se tornar ricos, certamente se tornarão menos pobre e aumentarão seu consumo de gêneros alimentícios, e ai se inclui o leite e lácteos.
Os USA e Europa sem subsídios, mesmo com desvalorização de suas moedas tenderão a perder espaço como exportadores de leite e lácteos.
Os países emergentes, como o Brasil, que conseguirem produzir leite de forma competitiva e conseguirem equacionar a compensação das distorções de câmbio produzidas pelos países desenvolvidos grandemente afetados pelo processo recessivo, terão oportunidade de assumir papéis importantes como produtores de leite para abastecer o consumo mundial.
O grande desafio para o Brasil aproveitar essa oportunidade pós tempestade e se tornar um grande exportador de leite e lácteos é tornar o setor leiteiro competitivo e encontrar as salvaguardas necessária para enfrentar o processo de desvalorização do dólar.
E é preciso lembrar que a força de uma cadeia produtiva é limitada pelo seu elo mais fraco, que no caso da cadeia do leite e derivado é a pecuária leiteira. Se Governo e a indústria não se conscientizarem disso e trabalharem efetivamente para tornar nossa pecuária leiteira competitiva, mesmo com salvaguardas com relação ao dólar, perderemos a oportunidade e depois da tempestade continuaremos como no passado, importadores de leite e lácteos. A única diferença é que essas importações poderão crescer, tirando ainda mais geração de trabalho e renda no campo do que o que aconteceu no passado.
No momento em que a "máscara caiu" e a realidade de nosso setor leiteiro aflorou mostrando a nossa realidade, e que a tempestade se aproxima, é mais do que hora do Governo e nossa indústria estarem atentos para isso.
Marcello de Moura Campos Filho
O que virá depois da tempestade?
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Publicado por: MilkPoint
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MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO
CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/08/2011
Caro amigo José Humberto Alves dos Santos
Agradeço o comentário.
Também acredito que seja a primeira grande oportunidade, mas também pode ser que seja a última. Só espero que o Governo e a nossa cadeia produtiva tenham essa percepção e não deixem passar essa oportunidade, que é o que acontecerá se não trabalharem para fortalecer nossa pecuária leiteira, para que ela possa produzir leite de qualidade e ser competitiva.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
Agradeço o comentário.
Também acredito que seja a primeira grande oportunidade, mas também pode ser que seja a última. Só espero que o Governo e a nossa cadeia produtiva tenham essa percepção e não deixem passar essa oportunidade, que é o que acontecerá se não trabalharem para fortalecer nossa pecuária leiteira, para que ela possa produzir leite de qualidade e ser competitiva.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho

JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS
AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/08/2011
Acho que é a primeira vez que a agropecuária brasileira terá uma oportunidade, uma vez que não vai ter que competir com os caixas do tesouro dos governos do primeiro mundo...