O profissionalismo na comercialização de feno

Em artigo anterior, concluíamos o mesmo dizendo que a qualificação dos técnicos e profissionais ligados a essa área é de fundamental importância, principalmente técnicos agropecuários, médicos veterinários, zootecnistas e engenheiros agrônomos.

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Em artigo anterior, concluíamos o mesmo dizendo que a qualificação dos técnicos e profissionais ligados a essa área é de fundamental importância, principalmente técnicos agropecuários, médicos veterinários, zootecnistas e engenheiros agrônomos. Esse treinamento visa a seleção dos melhores fenos a partir de compras criteriosas em função da qualidade do produto, e este deverá ser fundamental para o estabelecimento e profissionalização desse mercado no país. É importante que se crie também o hábito de coletar e analisar o produto adquirido, além de exigir contratos de compra com cláusulas de qualidade mínima.

O preço não pode ser o único parâmetro para aquisição de fenos, já que fenos mais baratos significam mais custos com concentrados, além de maiores perdas por descarte e seleção efetuada pelo animal pela menor palatabilidade e digestibilidade. Acredita-se que só assim haverá estímulo para produtores especializados em volumosos garantirem uma lucratividade adequada para seu sistema de produção e produtores de carne, leite ou eqüinos tenham a garantia de continuidade da entrega de um produto de alta qualidade de forma contínua, o que possibilitará alto desempenho animal, além de maior lucratividade.

Para novamente enfatizar esse aspecto, são apresentados neste artigo dados da continuidade do controle de qualidade de um feno fornecido a um cliente após a adoção de um produto com garantia de qualidade mínima (Tabela 1).

Tabela 1 - Resultados parciais do controle de qualidade de feno de uma propriedade agropecuária (Análises mensais).

Figura 1

%MS = porcentagem de matéria seca; %PB = porcentagem de proteína bruta; %FDN = porcentagem de fibra em detergente neutro; %EE = porcentagem de extrato etéreo; %MM = porcentagem de matéria mineral; %CNF = porcentagem de carboidratos não fibrosos; %CHOT = porcentagem de carboidratos totais e %FDA = porcentagem de fibra em detergente ácido.

Os valores dos parâmetros avaliados em uma análise bromatológica, que podem ser considerados adequados para um bom feno de gramínea são novamente apresentados na Tabela 2, em porcentagem (matéria seca) e em porcentagem desta para as demais variáveis:

Tabela 2 - Características químicas referenciais para avaliar qualitativamente um feno:

Figura 2

Na Tabela 1 estão apresentados novamente os dados de feno de coast-cross do controle antes da adoção do controle de qualidade mínima acrescidos de mais análises, indicando claramente a manutenção da qualidade do produto adquirido. As duas variáveis mais fáceis de serem avaliadas são a PB (proteína bruta), apresentada na Figura 1, e a fibra FDN (fibra em detergente neutro), apresentada na Figura 2. O que chama mais atenção, conforme texto anterior, é a grande variabilidade destes valores, principalmente proteína bruta, durante o primeiro período avaliado, o que já não é mais detectado no segundo período, já com a adoção do controle de qualidade mínima. Os dados deixam claro as vantagens da adoção desta prática do ponto de vista da uniformidade ou padrão do produto adquirido.

Figura 3
Figura 4

Comentário do autor: Um primeiro ponto a ser avaliado é com relação aos custos de aquisição do produto com controle de qualidade mínima. Logicamente poderão ser mais elevados que os preços normalmente praticados. Porém não necessariamente serão, precisamos ajustar o preço com relação a proteína adquirida, ou pela quantidade de matéria seca digestível ou NDT. Esse ajuste inicial pode já evidenciar a vantagem da aquisição deste tipo de produto. A redução nas perdas com material não consumido também pode ser acrescentada ao custo, reduzindo o preço do produto adquirido. Um terceiro ponto importante é com relação ao balanceamento das dietas. Praticamente não haverá necessidade de ajustes com relação ao volumoso, fazendo-se apenas novos balanceamentos em relação aos concentrados, tanto devido aos preços praticados como a oportunidade de substituição por outros produtos disponíveis no mercado local. Por fim, possivelmente haverá redução da quantidade do uso de concentrados em relação ao feno de menor qualidade, além da garantia de melhor desempenho animal, o que pode não ser obtido com produtos de baixa qualidade. Essas considerações deixam evidente que o preço do produto isolado pode não ser um indicativo adequado na hora de decidir pela aquisição de um determinado feno.

Fonte

Artigos Milkpoint e Beefpoint e Laboratório de Bromatologia do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (PqC - Rosana Possenti). Coordenação do controle de qualidade é realizado pelo PqC João José Demarchi.
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Material escrito por:

João José Assumpção de Abreu Demarchi

João José Assumpção de Abreu Demarchi

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Cristiane Regina Mucio
CRISTIANE REGINA MUCIO

ARARAQUARA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 20/02/2002

Sou Zootecnista, trabalho com nutrição animal, e gostaria de fazer um comentário em relação à qualidade de feno. Não é raro encontrar clientes que tiveram problemas de intoxicação com sintomas neurológicos, principalmente em equinos. Após várias análises, descobri que o problema não era causado por fungos, o pricipal suspeito, e sim por herbicidas utilizados de forma errônea para controle de gramíneas invasoras. Vai um alerta para mais um item a ser considerado no controle da qualidade do feno.


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