O Natal e as perspectivas para o leite em 2012

Comenta as perspectivas para a pecuária leiteira nacional em 2012

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

O Natal e as perspectivas para o leite em 2012.

Aproxima-se o Natal, vai chegando o fim de ano, é um momento propício para reflexão dos produtores sobre vários aspectos que poderão afetar sua atividade em 2012 tais como: possibilidades de aumento de produtividade e redução de custos de produção, a crise econômica mundial e seus efeitos sobre o mercado de leite, efeito no mercado nacional da valorização do dólar com relação ao real, ajustes nos padrões da IN 51 e qualidade do leite, revisão do Código Florestal, importações de leite do Brasil, falta de organização do setor para abastecer o mercado interno e exportar leite e lácteos.

Em 2011 escrevi nesta página do MyPoint mais de 20 artigos abordando estes temas. Talvez valha a pena o leitor repassar alguns desses artigos nas suas reflexões de fim de ano.

Mas pelo menos sobre as perspectivas do preço do leite ao produtor em 2012 com certeza todos estarão pensando neste fim de ano. Fiz, em alguns artigos, minhas previsões para 2011 e que se mostraram acertadas. Apresento a seguir minha primeira consideração sobre as perspectivas para 2012.

A economia mundial passa por grave crise, com a Europa de forma geral falida e os USA em grandes dificuldades. Paul Krugman, prêmio Nobel de economia em 2008, escreveu no New York Times que é preciso perder as ilusões e dar às coisas o nome correto: Estamos em depressão”.

Considero duas hipóteses a com relação depressão gerada pela a crise econômica mundial.

A primeira é que as lideranças mundiais não consigam mais “segurar as pontas” e ecloda uma depressão aguda como a de 1929, cujas consequências serão imprevisíveis e brutais, enquadrando-se nesse cenário uma drástica redução no consumo, inclusive de gêneros alimentícios. Dentro dessa hipótese poderia haver um excesso de oferta de leite generalizado em vários países, inclusive no Brasil. Nesse cenário as perspectivas seriam péssimas e a previsão seria de muita reza para que possamos sobreviver na atividade. No entanto considero que, pelo menos em 2012, esse cenário não acontecerá, pois todo o empenho será feito pelas lideranças para evitar um quadro que poderia ser até pior que o de 1929.

A segunda, no meu ver mais provável, é que a depressão será mais branda que a de 1929, mas o processo recessivo será generalizado por dois a três anos para a economia mundial, até que em função das medidas saneadoras que serão tomadas, a atividade econômica vá gradativamente se fortalecendo, num processo lento que poderá levar até 20 anos. A velocidade dessa recuperação dependerá do poderá mudar na estrutura econômica mundial e será diferente em cada país. As considerações que faço para as perspectivas do preço do leite consideram essa hipótese.

Em 2011, mal caíram as primeiras gotas de chuva, já se falava em redução ao preço aos produtores. No entanto, as chuvas não vieram como os que esperavam um rápido crescimento dos pastos e crescimento da oferta.

As previsões são de que La Niña em 2011/2012 deverá provocar estiagem no Sul, afetando os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, enquanto no Sudeste deverá haver irregularidade de chuvas, prejudicando os estados de Goiás,

Considerando que as previsões de precipitação não são tão favoráveis, bem como a irregularidade da temperatura e de insolação que tem se verificado nos últimos tempos, e parece que se repetirão em 2012, acredito que nos períodos de safra nas várias regiões haverá tanta abundância de pasto e que isso será fator limitante para o aumento da oferta de leite por parte dos produtores que trabalham mais sazonalmente.

No período seco e frio, quando diminui a oferta desses produtores mais sazonais, a oferta tem que ser garantida pelos produtores que tem produção estável ao longo do ano e investem em estoque de volumoso para esse período. Todavia as condições climáticas tenderão a dificultar e podem encarecer a produção desses volumosos, fatores naturalmente limitantes para a estocagem de volumosos e aumento da oferta de leite nesses períodos.

Dessa forma não vejo, sob o aspecto fundamental para a pecuária leiteira, que é a produção de pastos e volumosos para serem dados no cocho, grandes perspectivas para um aumento da oferta de leite pelos produtores que possa provocar baixa significativa nos preços aos produtores.

Também não acredito que haja grande pressão para redução aos preços aos produtores devido à expansão da pecuária leiteira e aumento da oferta. Aliás, a queda do leite em Goiás, que caiu de 2º para 6º produtor, de forma semelhante ao que aconteceu em São Paulo a cerca de 15 anos atrás, pode indicar uma perspectiva de redução da oferta e pressão para aumento dos preços ao produtor.

A perspectiva de aumento significativo da oferta do leite nacional só pode ser causada por um grande aumento das importações de leite e lácteos. Esse risco de aumento excessivo de exportações que existe naturalmente em função da desvalorização do Real com o dólar americano, e causaria grande estrago não só na pecuária como também na indústria nacional, com reflexos a longo prazo. Mas acredito que as entidades que representam produtores e a indústria nacional, bem como o Governo, estarão atentos a isso e tomarão as medidas necessárias para limitar aumentos nas importações de leite e lácteos durante o período de turbulências que a economia mundial enfrentará nos próximos anos.

As previsões da FAO também indicam um cenário de preços altos para os alimentos em 2012 em decorrência de estoques baixos e crescimento da demanda no mesmo nível ou maior do que o crescimento da oferta.

Dessa forma creio que tudo indica que o cenário para o produtor em 2012 será de preços elevados, sem perspectiva de queda significativa com relação ao que aconteceu em 2011.

Todavia faço duas advertências ao produtor.

A primeira é a que já fiz em 2011: dinheiro no bolso não depende apenas de um preço melhor para o leite. Depende também de produtividade e do custo de produção.

As condições climáticas tendem a elevar os custos de produção. Os insumos e a mão de obra tendem a subir. É preciso que os produtores invistam em assistência técnica e tecnologia para aumentar sua produtividade e reduzir seus custos de produção, se quiserem ter dinheiro no bolso.

A segunda, é que mesmo não prevendo um caos como o de 1929, estaremos vivendo uma crise econômica grave, que poderá trazer dificuldades, mas também oportunidades, para o produtor. É preciso o produtor estar alerta e pensar em tudo que irá fazer para assegurar o desenvolvimento e sustentabilidade econômica da sua atividade.

Desejo a todos um Natal de muita paz e alegria e um 2012 no azul, com muitas realizações e mais organização e entendimento no setor leiteiro.

Marcello de Moura Campos Filho
Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?