O leite que entra pela boca

Conversando com produtores experientes e bem sucedidos, a conclusão é sempre a mesma. Somos dependentes da "Agricultura". E a mesma deve ser muito bem conduzida para que seja possível obter um baixo custo de produção de alimentos volumosos.

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Conversando com produtores experientes e bem sucedidos, a conclusão é sempre a mesma. Somos dependentes da “Agricultura”. E a mesma deve ser muito bem conduzida para que seja possível obter um baixo custo de produção de alimentos volumosos.

A cada ano que passa (safra), percebemos como é necessário planejar adequadamente a demanda de alimentos. Infelizmente, ainda, são poucos os pecuaristas que sabem, efetivamente, calcular a necessidade de alimentos de um dado sistema de produção, seja leite a pasto ou confinamento. Lotações inadequadas, falta de silagem, qualidade irregular de recursos forrageiros ainda são erros atuais. Ainda verificamos erros basais como produtores cortando cana-de-açúcar em pleno verão ou resguardando capineiras de "napier" (capim elefante) como opção de alimento durante o período de escassez de forragem (seca). São erros grosseiros que, quando corrigidos, propiciam significativos ganhos em termos de produtividade.
Apesar de muitos considerarem a produção de leite a pasto muito eficiente e barata, tenho observado que, para se produzir neste sistema de maneira eficiente é necessário um grande investimento em termos de correção do solo e uso de fertilizantes, ou mesmo adoção da irrigação. Desta forma, para que o capital seja convertido em leite, é necessário ter um grande conhecimento sobre o potencial de produção da forrageira implementada, sua demanda em termos de fertilidade do solo, fisiologia vegetal, demanda hídrica da cultura (pasto também é cultura!) para que a mesma venha a suportar elevada taxa de lotação, com grande volume de leite produzido por unidade de área, gerando receita compatível com as despesas envolvendo o sistema. O mesmo raciocínio é valido para os produtores que conduzem sistemas confinados. Neste caso grande quantia de dinheiro é aplicada na produção de alimentos conservados para abastecer a necessidade anual de produção. Uma safra mal sucedida em termos de volume de produção poder representar um elevado custo de produção por tonelada de matéria seca, complicando a vida de nutricionistas ao formularem dietas (mais caras) além de afetar, significativamente as finanças de uma propriedade.
Temos que tomar cuidado ao elegermos as prioridades numa propriedade. O que é mais importante do que a alimentação? Por ser complexa, a atividade leiteira é decidida nos detalhes. Um grande erro de manejo num dado sistema de produção (leite ou pasto) traz problemas, claro, ao bolso do produtor. No entanto, um conjunto de pequenos erros é muito pior. Lentamente, vai destruindo a capacidade de sobrevivência do pecuarista. E a agricultura é fundamental. Não temos como controlar as variações nos preços envolvendo commodities que afetam diretamente o custo de produção da atividade. No entanto somos os “maestros” que conduzem a orquestra. Você pode ter a “Filarmônica de Berlim” à sua frente. Sem um bom regente não haverá sinfonia alguma.
Em tempos difíceis, sempre enxergo a agricultura como oportunidade e desafio ao mesmo tempo (produzir forragem de qualidade e barata). A partir do momento em que o pecuarista de leite embutir o conceito de que para se produzir leite não basta apenas ter conhecimento sobre vacas , ma sim ser um agricultor profissional, alcançaremos índices surpreendentes no setor. O leite sai pelas tetas, mas entra pela boca!
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