O Leite e a Guerra Cambial

Mostra a dificuldade para a pecuária leiteira brasileira com à política cambial que sobrevaloriza o real em 30% com relação ao dolar americano, mum mundo que vive uma guerra cambial comandada pela China, com os paises da Ásia praticando uma política de Câmbio adiministrado,desvalorizando suas moedas para aumentar suas exportações. Conclama as lideranças da indústria e dos produtores a discutir essa questão e se posicionar para que o Brasil não volte ser novamente grande importador de leite

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O Leite e a Guerra Cambial

( publicado no Espaço Aberto )

Tenho mostrado que com a taxa de R$ 1,75/US$, a sobrevalorização do real com relação ao dolar americano é de 30% ( segundo o indice Big Mac) tira a competividade da pecuária leiteira brasileira para a exportação, pois produzimos em reais, e um preço razoavel para a sustentabilidade econômica do produtor de R$ 0,75/litro, com essa taxa corresponderia a US$ 0,429/litro. Se a nossa política cambial tirasse essa sobrevalorização do real, a taxa de câmbio seria de R$ 2,275/US$ e os mesmos R$ 0,75/litro recebido pelo nosso produtor representaria US$ 0,33/litro já bastante competivo para exportação. Por isso tenho defendido que as entidades representativas dos produtores de leite e da indústria devem pressionar por mudanças na política cambial ou para medidas compensatórias, e que se isso não acontecer corremos o risco de sermos importadores significativos de leite no futuro como o fomos no período 1977 a 2000.

Tenho ouvido muita gente do setor falar que não dá para mudar a política cambial, que o dolar deve permanecer flutuante de acordo com as condições de mercado, que não há o que fazer. Mas será que não há mesmo oque fazer?

É preciso lembrar que já passamos por experiência de administração da taxa de câmbio. Com a implantação do real em julho de 1994, a taxa de câmbio foi administrada para fazer uma desvalorização gradativa da moeda nacional que estva sobrevalorizada. Depois deixou-se flutuar a moeda de forma controlada, dentro de certas faixas, conhecidas como bandas cambiais. Só depois do Arminio Fraga no Banco Central, em 1999, é que passou-se para a política de flutuação livre da taxa de câmbio.

Mas essa flutuação teve em determinadas situações uma intervenção do Banco Central para não deixar o dolar despencar com relação ao real.

Atualmente, com sobrevalorização do real em 30% com relação ao dolar americano e ainda com tendência de baixa, a situação está crítica para nossa economia, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles tem declarado que cogita taxar o capital externo para conter a valorização do real com relação a outras moedas e admite usar o IOF contra o Cãmbio. O ministro Mantega tem dito que acredita que o mundo em uma guerra cambial e comercial, com paises procurando vantagens através da manipulação de suas moedas.

O Estado de São Paulo de 28 de asetembro passado apresentou a matéria "Culpar a China não Resolve", de Anatole Kaletsky, economista chefe de uma empresa de consultoria econômica baseada em Hong Kong. Liderada pela China, a Ásia vem adotando a política de administrar agressivamente a taxa de câmbio, com paises como Coréia, Cingapura e Taiwan, desvalorizando suas moedas para favorecer suas exportações. E finalmente o Japão passou a desvalorizar sua moeda, mesmo sob pena de irritar os USA. É um sinal dos tempos diz a matéria, não adianta culpar a China, o predominio do pensamento de livre mercado na economia internacional acabou e o chamado "consenso de Washington" deverá evoluir e aceitar um capitalismo moderno adaptado a um ambiente em que desequilibrios comerciais e cambiais são administrados conscientemente. O artigo mostra que apesar da relutância em aceitar essa situação, praticaram duas das maiores intervenções monetárias da história: o acordo de Plaza, que desvalorizou o dolar em 1985, e o do Louvre em 1987 que encerrou a desvalorização. As regras do capitalismo mudaram irrevogavelmente desde o colapso do Lehman Brothers há dois anos e se os USA não aceitarem isso a liderança mundial lhe escorrerá entre os dedos.

Esses fatos me levam a crer que realmente existe de fato uma guerra cambial com fins comerciais, e que se não aceitarmos isso e não fizermos logo algo em termos de administrar a nossa taxa de câmbio ou adotarmos medidads compensatórias, o desenvolvimento econômico e social do Brasil poderá ser prejudicado, e que um dos setores mais atingidos será o agronegócio do leite, especialmente a nossa pecuária leiteira. É preciso que as lideranças da nossa indústria de lacticínios e da pecuária leiteira discutam em profundidade e se manifestem com relação a essa questão.

Marcello de Moura Campos Filho
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