O leite e a guerra cambial 2

Dá sequência a discussão da trajetória de valorização do real, suas consequências no setor leiteiro e da necessidade de medidas eicazes e urgentes para evitar prejuizos à economia e desenvolvimento do País

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 6 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

O leite e a guerra cambial 2

No artigo "O Leite e a Guerra Cambial", publicado no Espaço aberto em 30/09 passado, preocupado com a valorização do real com relação à moeda norte americana, mostrei que vários fatos me levam a crer que realmente existe de fato uma guerra cambial com fins comerciais, e que se não aceitarmos isso e não fizermos logo algo em termos de administrar a nossa taxa de câmbio ou adotarmos medidas compensatórias, o desenvolvimento econômico e social do Brasil poderá ser prejudicado, e que um dos setores mais atingidos será o agronegócio do leite, especialmente a nossa pecuária leiteira. E salientava a importância das lideranças da nossa indústria de lacticínios e da pecuária leiteira discutirem em profundidade e se manifestem com relação a essa questão.

Depois desse artigo continuou sua trajetória descendente,. Apesar do aumento do IOF sobre a entrada de capital estrangeiro. a escalada descendente continua e ultrapassou a casa dos R$ 1,70/US$, e na sexta feira caiu 1,13%, passando para R$ 1,66/US$, e o quadro parece passa da preocupação para o de mêdo com relação à valorização do real e de seus efeitos sobre a nossa economia. Se a trajetória de valorização do real continuar sua marcha talvez cheguemos no final de novembro com R$1,50/US$, o que significa que para ser competitivo com preços recebidos pelos produtores dos paises exportadores, teria que vender o leite a R$ 0,495/litro, o que provavelmente não cobrirá os custos de produção nem dos produtores mais eficazes do País, levando um número muito grande de produtores a parar de produzir. Nessas circunstâncias não se pode excluir a hipótese do cenário de uma situação de importação de leite poder passar para um cenário de desabastecimento.

Para os que acham que estou pintando um cenário negro demais, quero lembrar que o País já passou por situação de desabastecimento, com situações, como a ocorrida em São Paulo, de donas de casa invadirem posto de saúde levando latas de leite em pó para alimentação de seus filhos, e da declaração de Carlos Marcondes, membro da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da FAESP, publicada no O Estado de São Paulo em 08 de junho de 1982, "restam ao Governo apenas duas opções: deixar as cidades sem leite em pó, ou importar novamente o produto como tem feito nos últimos seis anos". Só que agora, face ao porte do consumo brasileiro pois um número muito grande de produtores não terá alternativa senão parar de produzir. e o leite disponível nos paises exportadores pode não ser suficiente para atendeter o deficit da produção nacional com relação ao consumo.

O Ministro Mantega reconhece que existe uma guerra cambial, e aponta que a culpa não é apenas da China, mas das grandes emissões de moeda nos paises desenvolvidos para evitar conseqências castróficas de uma quebradeira geral por causa da crise econômica, opinião comparilhada por Steffen Seibert, porta-voz da Ministra Angela Merkel da Alemanha.

No momento em que o FED, banco central dos USA, deixou claro que estuda a possibilidade de ampliar a emissão de dólares como meio de estimular a economia daquele país, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, deu a mensagem que o Governo brasileiro deverá adotar todas as medidas necessárias contra os efeitos negativos do ingresso de capitais estrangeiros.

Pergunto ao Ministro Guido Mantega da Fazenda, ao Henrique Meirelles do Banco Central, ao Ministro Wagner Gonçalves Rossi da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e ás lideranças da indústria e da pecuária leiteira se, como medida eficaz e emergencial, para evitar os efeitos negativos da sobrevalorização de moedas estrangeiras na nossa economia, não seria o momento de criar-se um um piso para a taxa de câmbio, por exemplo R$ 1,89/US$, administrado e reajustado periódicamente conforme as necessidades pelo Conselho Monetário Nacional?

Reintero meu ponto de vista que é preciso que o Governo e as lideranças da indústria e da agropecuária encontrem com presteza uma solução eficaz para cortrar a trajetória de valorização do real para evitar que essas medidas sejam tomadas depois de um grande estrago para a nossa economia e desenvolvimento.

Marcello de Moura Campos Filho
Produtor de Leite
No artigo "O Leite e a Guerra Cambial", publicado no Espaço aberto em 30/09 passado, preocupado com a valorização do real com relação à moeda norte americana, mostrei que vários fatos me levam a crer que realmente existe de fato uma guerra cambial com fins comerciais, e que se não aceitarmos isso e não fizermos logo algo em termos de administrar a nossa taxa de câmbio ou adotarmos medidas compensatórias, o desenvolvimento econômico e social do Brasil poderá ser prejudicado, e que um dos setores mais atingidos será o agronegócio do leite, especialmente a nossa pecuária leiteira. E salientava a importância das lideranças da nossa indústria de lacticínios e da pecuária leiteira discutirem em profundidade e se manifestem com relação a essa questão.

Depois desse artigo continuou sua trajetória descendente,. Apesar do aumento do IOF sobre a entrada de capital estrangeiro. a escalada descendente continua e ultrapassou a casa dos R$ 1,70/US$, e na sexta feira caiu 1,13%, passando para R$ 1,66/US$, e o quadro parece passa da preocupação para o de mêdo com relação à valorização do real e de seus efeitos sobre a nossa economia. Se a trajetória de valorização do real continuar sua marcha talvez cheguemos no final de novembro com R$1,50/US$, o que significa que para ser competitivo com preços recebidos pelos produtores dos paises exportadores, teria que vender o leite a R$ 0,495/litro, o que provavelmente não cobrirá os custos de produção nem dos produtores mais eficazes do País, levando um número muito grande de produtores a parar de produzir. Nessas circunstâncias não se pode excluir a hipótese do cenário de uma situação de importação de leite poder passar para um cenário de desabastecimento.

Para os que acham que estou pintando um cenário negro demais, quero lembrar que o País já passou por situação de desabastecimento, com situações, como a ocorrida em São Paulo, de donas de casa invadirem posto de saúde levando latas de leite em pó para alimentação de seus filhos, e da declaração de Carlos Marcondes, membro da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da FAESP, publicada no O Estado de São Paulo em 08 de junho de 1982, "restam ao Governo apenas duas opções: deixar as cidades sem leite em pó, ou importar novamente o produto como tem feito nos últimos seis anos". Só que agora, face ao porte do consumo brasileiro pois um número muito grande de produtores não terá alternativa senão parar de produzir. e o leite disponível nos paises exportadores pode não ser suficiente para atendeter o deficit da produção nacional com relação ao consumo.

O Ministro Mantega reconhece que existe uma guerra cambial, e aponta que a culpa não é apenas da China, mas das grandes emissões de moeda nos paises desenvolvidos para evitar conseqências castróficas de uma quebradeira geral por causa da crise econômica, opinião comparilhada por Steffen Seibert, porta-voz da Ministra Angela Merkel da Alemanha.

No momento em que o FED, banco central dos USA, deixou claro que estuda a possibilidade de ampliar a emissão de dólares como meio de estimular a economia daquele país, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, deu a mensagem que o Governo brasileiro deverá adotar todas as medidas necessárias contra os efeitos negativos do ingresso de capitais estrangeiros.

Pergunto ao Ministro Guido Mantega da Fazenda, ao Henrique Meirelles do Banco Central, ao Ministro Wagner Gonçalves Rossi da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e ás lideranças da indústria e da pecuária leiteira se, como medida eficaz e emergencial, para evitar os efeitos negativos da sobrevalorização de moedas estrangeiras na nossa economia, não seria o momento de criar-se um um piso para a taxa de câmbio, por exemplo R$ 1,89/US$, administrado e reajustado periódicamente conforme as necessidades pelo Conselho Monetário Nacional?

Reintero meu ponto de vista que é preciso que o Governo e as lideranças da indústria e da agropecuária encontrem com presteza uma solução eficaz para cortrar a trajetória de valorização do real para evitar que essas medidas sejam tomadas depois de um grande estrago para a nossa economia e desenvolvimento.

Marcello de Moura Campos Filho
Produtor de Leite
Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Geisson Schirmann Vasconcelos
GEISSON SCHIRMANN VASCONCELOS

FORMIGUEIRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2010

Olá!
Concordo plenamente com as considerações do amigo.
E saliento que nossas lideranças, entre elas presidente de sindicatos, presidente de grandes cooperativas, governantes (bancada ruraista), etc, parecem não estar preocupados com o produtor, pois sua política têm sido sempre repassar o custo ao produtor (seja custo cambial ou tributário).
Porém chegará a hora que o produtor não terá mais o que cortar, e aí seu custo será maior que a receita o que o levará a quebrar e parar com a atividade.
Vender as terras, se conseguir, e ir para a cidade investir em outra atividade (comércio ou indústria) será a única opção, pois já sabemos que a atividade rural é a que pior remunera o capital investido, muitos produtores estão na atividade rural ainda porque herdaram suas terras e aí não fazem a conta do custo de oportunidade do capital investido em terra.
Vamos nos mobilizar para mudar esta realidade.

Geisson Schirmann Vasconcelos
Advogado e Produtor rural.
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/10/2010

Caro amigo Ramon Benicio

Agradeço seus comentários, que complementam as preocupações que coloquei no artigo.

Concordo com suas coklocações, e no meu modo de ver a crise econômica que eclodiu não foi resolvida, simplesmente minimizada por uma montanha de dinheiro para salvar os bancos e o mercado financeiro de uma explosão ao nivel de 1929, mas que terá consequências a longo prazo. Mas forma paleativos, os reais problemas da economia no meu modo de ver não foram resolvidos, de forma que acredito que teremos muitos anos de turbulências pela frente, numa guerra mundial, que envolve todos os paises, só que é uma guerra cambial e comercial, invisivel, mas que deixará muitos produtores feridos ou mortos.

O que me espanta é que o Governo e a cadeia produtiva não ter a preocupação que partilhamos, não considerar para o estabelecimento da política e planejamento do setor uma analise dos cenários possíveis e tomar medidas para evitar desastres futuros. Até cansei de escrever artigos manifestando minha opinião de que o MAPA e a cadeia produtiva precisavam implementar um mecanismo eficaz e agil para a política e planejamento do setor, compatível com a complexidade da economia moderna. Mas parece que o que continuaremos a fazer é correr para apagar incêndios. sem ter nenhuma capacidade de evita-los ou, pelo menos minimiza-los.

Grande abraço

Marcello de Moura Campos Filho

Ramon Benicio Lima da Silva
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 10/10/2010

Prezado amigo Marcello,

A preocupação que você expõe deve ser atualmente compartilhada com todos os produtores do Brasil. A guerra cambial é apenas um dos componentes do efeito retardado da crise de 2008.

Os países desenvolvidos, principalmente os EUA, esgotaram os mecanismos que dispunham para retomar o crescimento econômico e só restou o câmbio e a emissão de moeda como formas de sustentar suas economias.

Àlgum tempo atrás eu já havia comentado que os mercados internos destes países crescem muito lentamente, em especial na Europa, os consumidores são muito conservadores e o crescimento populacional é lento e em muitos casos negativo.

Diferente do Brasil onde o consumo esteve represado por muitos anos, primeiro por protecionismos e depois pela falta de renda. Agora bens de consumo duraveis como televisores de LCD, geladeiras, automóvel, microcomputadores, etc...estão a disposição dos consumidores que se atiram a comprar ítens que antes seriam quase que impossíveis para determinadas classes.

Isto só foi possível devido a uma crescente valorização do Real frente a outras moedas, onde dois grandes componentes saõ os grandes responsáveis: Primeiro, um aumento da dívida interna sem precedentes neste últimos 8 anos, o que faz com que os juros internos permaneçam na estratosfera; Segundo, uma política totalmente equivocada de controle inflacionário, rios de dinheiro público sendo jogados em PACs altamente duvidosos.

Isto leva a uma falsa visão de que vivemos num país próspero com economia sólida. Ora, os fundamentos da política econômica do Brasil são tão frágeis que bastaria uma pequena desvalorização do real prá tudo desandar.

Estamos na mesma rota que os EUA já trilharam: Crédito a vontade para o consumidor comprar tudo que quiser com prazos superdilatados de pagamento que embutem altíssimas taxas de juros, subsidios em demasia para alguns setores, em especial construção civil.

Acho justo que os brasileiros tenham a chance de comprar bens, que antes somente uma pequena parcela da população tinha acesso, mas isto não pode ser feito em detrimento de um setor que é a base de sustentação da nação, o setor primário.

Porque o governo não reduz a tributação aplicada as máquinas e implementos agricolas, da mesma forma que fêz com a linha branca de eletrodomesticos? Por que estes não enchem as vistas do povão, mas vitrines abarrotadas de televisores de LCD, microcomputadores, geladeiras, fogões,etc... Isto sim é o que chama a atenção do povão que fica satisfeito em levar prá casa um televisor de LCD de ultima geração para pagar em 36 meses com juros na casa dos 70, 80, 90 por cento ao ano ou taxas ainda maiores, sem se importar se no dia seguinte vai ter o que comer, ou por falta do produto ou por falta de dinheiro prá comprar comida.

Assim como você vejo um cenário bastante sombrio para a economia, caso o governo insista em manter esta política, não só cambial como também a monetária.

Um grande abraço,
Ramon
Qual a sua dúvida hoje?