O índice Big Mac, o preço do leite e as incertezas do mercado

A partir da última publicação do índice Big Mac discute o preço do leite em US$/litro aos produtores em diversos paises e comenta do trabalho a fazer para enfrentar as incertezas do mercado

Publicado por: MilkPoint

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O índice Big Mac, o preço do leite e as incertezas do mercado

Na matéria “NZ e EU tem recuo dos preços ao produtores em maio”, publicada no Giro Lácteo do Milkpoint em 06/07/2010, o gráfico de preços pagos aos produtores mostrava para o Brasil US$ 0,44/litro, para a União Européia US$ 0,36/litro, para USA/NZ US$ 0,34/litro e para a Argentina US$ 0,32/litro.

Na minha pagina do Mypoint, comentava sob título “Riscos da comparação de preços ao produtor em diversos paises em US$”, que nessa ocasião, considerando uma relação de câmbio de 1 US$ = R$ 1,75, isso corresponderia a R$ 0,77/litro como média recebida pelo produtor nacional e alertava que essa comparação simplista por conversão de preços recebidos pelos produtores nas moedas nacionais, onde o produtor brasileiro estaria recebendo 29,4% mais que os produtores dos USA e NZ é irreal, pois embute as distorções cambiais ( sem falar em subsídios ). E citando que todos sabemos que o Real está supervalorizado com relação ao dólar americano, mostrava que se a taxa de câmbio fosse de 1 US$ = R$ 2,26, os mesmos R$ 0,77/litro que o produtor nacional estava recebendo representaria U$$ 0,34, a mesma coisa que estaria recebendo o produtor dos USA e NZ, perfeitamente razoável no contexto do mercado mundial.

A matéria “Índice Big Mac: Economist aponta Real sobrevalorizado” , publicada no Giro Lácteo em 23/07/2010, mostra que a comparação do preço em US$ do sanduíche Big Mac nos diversos paises, com a qual a conceituada revista avalia a relação das moedas desses paises com o dólar americano, mostra que o Real está sobrevalorizado em 31% com relação ao dólar americano, e que a relação deveria ser de 1 US$ = R$ 2,33, e para a qual os R$ 0,77/litro que o produtor nacional recebia representaria US$ 0,33/litro, bastante próximo da avaliação que fiz naquela ocasião.

O índice Big Mac mostrou também que o peso argentino está desvalorizado em 52% com relação ao dólar americano, indicando que a comparação simplista do que o produtor brasileiro e argentino recebem convertidos em US$ pelas taxas de câmbio locais trazem uma distorção de 81,4% e não podem consideradas num trabalho comparativo sério.

A própria revista The Economist alerta que o índice Big Mac não é preciso, mas permite avaliar as distorções cambiais e mostra que comparações em US$ por simples conversão de preços pelas taxa de câmbio locais embutem enorme distorção.

Fala-se das incertezas de mercado, que realmente são muitas, mesmo por que as incertezas da economia são muitas uma vez que a as medidas tomadas para conter a crise na verdade foram paleativos, muito longe de resolver os reais problemas da economia real, aquela que produz e que é fundamental para o ser humano.

Se os produtores, a indústria e o Governo brasileiro se iludirem que, para nos tornarmos exportadores de leite e lácteos, os preços em Reais pagos aos produtores nacionais precisam ser reduzidos para valores resultantes de comparações simplistas em US$ às taxas de câmbio locais, não só não conseguiremos ser players de peso no mercado mundial, mas seremos importadores de leite significativos para atender às necessidades do consumo interno. Temos muito a fazer para enfrentarmos as incertezas e tornar nossa pecuária de leite competitiva e sustentável a ponto de sermos grandes exportadores, mas essas comparações simplistas com certeza não são o caminho para chegarmos lá.

Marcello de Moura Campos Filho
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Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/07/2010

Caro Laércio

Agradeço os comentários.

Concordamos que a sobrevalorização do Real põe por terra o esforço dos produtores e indústria no sentido de dar competitividade a cadeia produtiva do leite e derivados, e que reduzir preço pago aos produtores em Reais para compensar essa distorção cambial para exportar é inviavel e acabará levando a importações para atender ao mercado interno. Como não há nenhuma sinalização de mudança dessa política cambial, de fato caminhamos para um enorme estrago ma cadeia produtiva brasileira, prejudicando a geração de renda e postos de trabalho no interior do País.

Mas não podemos assistir esse estrago sem fazer nada. Penso que é hora das entidades representativas da indústria e dos produtores se unirem para lutar por mudança na política cambial ou por medidas compensatórias que minimizem as distorções dessa política cambial. Desde já a Leite São Paulo apoia essa luta. Se lutarmos poderemos perder, mas pior será perder sem lutar.

Um abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Laércio Barbosa
LAÉRCIO BARBOSA

PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/07/2010

Caro Marcello,

Esse é o verdadeiro impasse por qual passa o setor lácteo nacional hoje.

Entendo que tanto os produtores quanto a indústria tem feito sua parte, com investimentos para melhoria de qualidade e produtividade, ampliação de capacidade produtiva com construção de novas e modernas fábricas, mas tudo isso tem sido anulado pela absurda política do governo que insiste na sobrevalorização do real.

Contra fatos não há argumentos, e o fato é que a taxa de cambio vigente acabou com a pouca competitividade que os produtos lácteos nacionais tinham no mercado internacional, tornando deficitária a balança comercial de lácteos, com a derrubada nas exportações e o aumento das importações.

Infelizmente não há no horizonte nenhuma sinalização de mudança nessa política, o que deverá causar um enorme estrago em toda a cadeia produtiva brasileira.

Um abraço,

Qual a sua dúvida hoje?