Quando ainda na graduação, um renomado professor da área de pastagens, homem culto, extremamente preparado, sendo um profissional diferenciado e muito qualificado (ainda hoje), costumava dizer: “Cuidado com a diferença entre ter conhecimento e ser informado”. Ainda completava: “uma pessoa pode ser muito bem informada, mas pode não ter nenhum conhecimento”. E a aula se desenvolvia. Era o início da era da internet e os principais portais começavam cada vez mais a serem inundados de fotos, dados, enquetes e informações sobre todo e qualquer assunto: política, religião, futebol, economia... “trocentos” links passíveis de serem clicados. O mundo todo passou a caber dentro de uma telinha “in real time”. Com o fortalecimento desse nosso status quo envolvendo a acessibilidade a todo conteúdo cibernético disponível, nosso velho e bom professor alertava: “Vocês, profissionais da área agronômica, acima de tudo devem buscar os dados, buscar as informações, mas devem qualificá-las e mais importante ainda: interpretá-las”. Guardei tais palavras e hoje, com maior amadurecimento, não só concordo cada vez mais com os ensinamentos (reflexões) do velho mestre como creio que repetir informações aleatoriamente sem saber o que realmente os dados expressos nas mesmas querem dizer é pura tolice e estupidez.
Um falecido tio, pessoa muito inteligente, calada, observadora, engenheiro politécnico, com raciocínio sempre exato, costumava dizer em nossas reuniões familiares (quando algum de nós retransmitia um dado inútil ou uma informação alheia e desqualificada): “Mais grave do que dizer uma bobagem é repetí-la”. Infelizmente, na mídia que se diz “especializada em agronegócio”, encontramos uma avalanche de informações desprezíveis e irregulares que muitas vezes colocam em risco a reputação dos entrevistados. Por se tratar de uma área técnica acredito ser ideal que as reportagens e matérias sobre um setor como a pecuária de leite fossem realizadas, preferencialmente, por profissionais da área agronômica, veterinária ou zootécnica com formação direcionada para a produção de leite. Caso uma dada matéria ou artigo seja obra de um jornalista, que ao menos sejam revisadas e supervisionadas por técnicos especializados e qualificados. Este sempre foi um dos cuidados do site MilkPoint (posso dizer pois já trabalhei no mesmo) e de alguns canais de informação de qualidade disponíveis no mercado.
Pessoalmente acredito que muitas ilusões são “vendidas” sem necessidade alguma. Muitas matérias veiculam o que é extremamente difícil (por exemplo produzir leite em escala com alta qualidade e produtividade) como algo fácil. Em contrapartida, algumas reportagens divulgam o que é extremamente errado (como produzir um queijinho via balde ao pé com a vaquinha amarrada debaixo dum pé de árvore) como algo muito próspero e inovador, uma coisa muito “sofrida”, mas que “garante” o ganha pão da personalidade simples entrevistada. Nesse caso, tudo é errado e muito mais fácil de ser realizado.
Outro dia, vi um texto interessante numa conceituada revista do setor. Tratava sobre manejo da reprodução. Num dado momento o artigo dizia que “vacas com mais de 30 dias pós-parto devem ser examinadas por um médico veterinário para avaliar a condição uterina para saber se podem ser inseminadas ou não” (até aqui, tudo bem apesar de que a manifestação de um cio com muco limpo indicar, de certa forma, não perfeita, mas uma condição ideal para inseminação ou cobertura/monta natural). Logo na seqüência o autor relata: “...esse tipo de avaliação não é recomendado antes dos 30 dias pós-parto, pois pode causar danos à saúde uterina”.
Uma pergunta: que tipo de avaliação é esta? Que não deve ser realizada antes dos 30 dias pós-parto? Não ficou muito claro. Se um leigo seguir a recomendação do autor com uma vaca com retenção de placenta ou metrite as seqüelas serão terríveis. Se a vaca for holandesa de alta produção, em pleno balanço energético negativo, é muito provável que após 30 dias não seja mais possível o veterinário examiná-la... Qualquer profissional que trabalhe com leite (mesmo não sendo médico veterinário) é capaz de identificar casos de retenção de placenta e subseqüentes metrites. A aplicação de medicamentos (a usual e mundialmente difundida oxitetraciclina) e intervenções como infusões uterinas são comuns antes dos 30 dias pós-parto e são fundamentais para garantir o retorno antecipado do animal acometido ao ciclo estral regular. Muitas dessas infusões são realizadas por inseminadores e são recomendadas por médicos veterinários atuantes e com grande experiência no campo. Acredito que, pela qualificação do autor do artigo, não deva ser esta a correta interpretação do que foi mencionado. Em outras palavras, confusões sobre os dados fornecidos e expressos nos mais diversos informativos podem acontecer. Se forem levadas adiante sem reflexão e interpretação das informações podemos ter problemas, na prática.
Recentemente, li uma reportagem da mesma conceituada revista de ampla circulação em que um produtor experiente comenta sobre custo de alimentação (R$/vaca/dia). O valor comentado pelo entrevistado é bastante elevado (cerca de 30 a 37% acima da média de alguns grandes produtores competitivos em regime de confinamento que conheço). Por se tratar de um produtor experiente e tradicional, não acreditei na veracidade do dado expresso na reportagem. Não há como haver uma discrepância tão grande em relação ao mercado. A informação foi transcrita com “naturalidade” pela reportagem. Eis mais uma pergunta: será que foi isso mesmo que o produtor quis dizer?... A maneira como foi transcrita a informação gera dúvidas. Não cabe a mim julgar a veracidade dos dados. Apenas questiono o caráter da responsabilidade da matéria. Não podemos esquecer que o conteúdo pode ser lido por especialistas e leigos.
Há poucos meses atrás uma repórter de uma revista que eu nem conhecia me ligou. Após a última edição da Feileite. Queria fazer uma reportagem sobre mercado e queria fazer umas perguntas para “ilustrar” sua matéria. Aceitei. A mesma foi realizada por telefone. Ficou acertado de eu “revisar” o conteúdo quando a matéria estivesse pronta. Resultado: não recebi nada. Meses depois a repórter entrou em contato e acabei recebendo a revista por correio, com o conteúdo já publicado e minhas colocações fora do contexto que eu gostaria de ter exposto. Culpa de quem? (minha é claro, deveria ter tomado mais cuidado!)
Informação de qualidade é muito importante. Principalmente num setor como o nosso que cresce a cada dia. E encontrar hoje uma fonte de qualidade tem custo.
Um falecido tio, pessoa muito inteligente, calada, observadora, engenheiro politécnico, com raciocínio sempre exato, costumava dizer em nossas reuniões familiares (quando algum de nós retransmitia um dado inútil ou uma informação alheia e desqualificada): “Mais grave do que dizer uma bobagem é repetí-la”. Infelizmente, na mídia que se diz “especializada em agronegócio”, encontramos uma avalanche de informações desprezíveis e irregulares que muitas vezes colocam em risco a reputação dos entrevistados. Por se tratar de uma área técnica acredito ser ideal que as reportagens e matérias sobre um setor como a pecuária de leite fossem realizadas, preferencialmente, por profissionais da área agronômica, veterinária ou zootécnica com formação direcionada para a produção de leite. Caso uma dada matéria ou artigo seja obra de um jornalista, que ao menos sejam revisadas e supervisionadas por técnicos especializados e qualificados. Este sempre foi um dos cuidados do site MilkPoint (posso dizer pois já trabalhei no mesmo) e de alguns canais de informação de qualidade disponíveis no mercado.
Pessoalmente acredito que muitas ilusões são “vendidas” sem necessidade alguma. Muitas matérias veiculam o que é extremamente difícil (por exemplo produzir leite em escala com alta qualidade e produtividade) como algo fácil. Em contrapartida, algumas reportagens divulgam o que é extremamente errado (como produzir um queijinho via balde ao pé com a vaquinha amarrada debaixo dum pé de árvore) como algo muito próspero e inovador, uma coisa muito “sofrida”, mas que “garante” o ganha pão da personalidade simples entrevistada. Nesse caso, tudo é errado e muito mais fácil de ser realizado.
Outro dia, vi um texto interessante numa conceituada revista do setor. Tratava sobre manejo da reprodução. Num dado momento o artigo dizia que “vacas com mais de 30 dias pós-parto devem ser examinadas por um médico veterinário para avaliar a condição uterina para saber se podem ser inseminadas ou não” (até aqui, tudo bem apesar de que a manifestação de um cio com muco limpo indicar, de certa forma, não perfeita, mas uma condição ideal para inseminação ou cobertura/monta natural). Logo na seqüência o autor relata: “...esse tipo de avaliação não é recomendado antes dos 30 dias pós-parto, pois pode causar danos à saúde uterina”.
Uma pergunta: que tipo de avaliação é esta? Que não deve ser realizada antes dos 30 dias pós-parto? Não ficou muito claro. Se um leigo seguir a recomendação do autor com uma vaca com retenção de placenta ou metrite as seqüelas serão terríveis. Se a vaca for holandesa de alta produção, em pleno balanço energético negativo, é muito provável que após 30 dias não seja mais possível o veterinário examiná-la... Qualquer profissional que trabalhe com leite (mesmo não sendo médico veterinário) é capaz de identificar casos de retenção de placenta e subseqüentes metrites. A aplicação de medicamentos (a usual e mundialmente difundida oxitetraciclina) e intervenções como infusões uterinas são comuns antes dos 30 dias pós-parto e são fundamentais para garantir o retorno antecipado do animal acometido ao ciclo estral regular. Muitas dessas infusões são realizadas por inseminadores e são recomendadas por médicos veterinários atuantes e com grande experiência no campo. Acredito que, pela qualificação do autor do artigo, não deva ser esta a correta interpretação do que foi mencionado. Em outras palavras, confusões sobre os dados fornecidos e expressos nos mais diversos informativos podem acontecer. Se forem levadas adiante sem reflexão e interpretação das informações podemos ter problemas, na prática.
Recentemente, li uma reportagem da mesma conceituada revista de ampla circulação em que um produtor experiente comenta sobre custo de alimentação (R$/vaca/dia). O valor comentado pelo entrevistado é bastante elevado (cerca de 30 a 37% acima da média de alguns grandes produtores competitivos em regime de confinamento que conheço). Por se tratar de um produtor experiente e tradicional, não acreditei na veracidade do dado expresso na reportagem. Não há como haver uma discrepância tão grande em relação ao mercado. A informação foi transcrita com “naturalidade” pela reportagem. Eis mais uma pergunta: será que foi isso mesmo que o produtor quis dizer?... A maneira como foi transcrita a informação gera dúvidas. Não cabe a mim julgar a veracidade dos dados. Apenas questiono o caráter da responsabilidade da matéria. Não podemos esquecer que o conteúdo pode ser lido por especialistas e leigos.
Há poucos meses atrás uma repórter de uma revista que eu nem conhecia me ligou. Após a última edição da Feileite. Queria fazer uma reportagem sobre mercado e queria fazer umas perguntas para “ilustrar” sua matéria. Aceitei. A mesma foi realizada por telefone. Ficou acertado de eu “revisar” o conteúdo quando a matéria estivesse pronta. Resultado: não recebi nada. Meses depois a repórter entrou em contato e acabei recebendo a revista por correio, com o conteúdo já publicado e minhas colocações fora do contexto que eu gostaria de ter exposto. Culpa de quem? (minha é claro, deveria ter tomado mais cuidado!)
Informação de qualidade é muito importante. Principalmente num setor como o nosso que cresce a cada dia. E encontrar hoje uma fonte de qualidade tem custo.
