Mattos et al. (2005) buscaram, em parte, preencher essa lacuna no conhecimento. Os autores avaliaram características morfogênicas, fisiológicas e produtivas de espécies de braquiária sob condições de alagamento. O experimento foi conduzido em casa-de-vegetação e foi avaliado o efeito de três níveis de disponibilidade de água (capacidade de campo e lâmina d'água de 1 e 10 cm) em quatro espécies de braquiária (B. mutica, B. humidícola, B. brizantha cv. Marandu e B. decumbens cv. Basilisk). Os níveis de alagamento foram impostos a partir do 22o dia de rebrota após um corte de uniformização e tiveram duração de 18 dias.
O alagamento reduziu a taxa de alongamento e aumentou a taxa de senescência de folhas em todas as espécies avaliadas. Apesar de não haver diferença estatística entre os capins, os autores observaram que as variações nas taxas de alongamento e senescência foram mais pronunciadas na Marandu e na Decumbens. Não houve efeito do alagamento sobre a condutânica estomática e a transpiração dos capins, porém a fotossíntese líquida do Capim-angola (B. mutica) sob 10 cm de lâmina d'água foi superior às demais espécies. O alagamento reduziu a área foliar e a massa de lâmina foliares verdes de todas as espécies avaliadas, exceto do capim-angola. O alagamento não influenciou a massa de colmos da Decumbens e da Humidícola, porém determinou sua redução na Marandu e seu aumento no Capim-angola.
Mattos et al. (2005) concluíram que o Capim-angola foi a espécie mais tolerante ao alagamento e a Decumbens e a Marandu menos adaptadas. A tolerância do Capim-angola foi atribuída, dentre outras coisas, à sua elevada quantidade de raízes adventícias.



Figura 1. Efeito do alagamento sobre a área foliar e a massa de lâminas foliares verdes e de hastes de B. decumbens cv. Basilisk, B. brizantha cv. Marandu, B. humidícola e B. mutica (Capim-angola).
Comentário dos autores:
O conhecimento das respostas das plantas às condições de estresse é fundamental para a escolha adequada do material a ser implantado no momento da formação da pastagem. Os dados de Mattos et al. (2005) mostram que o Capim-angola, seguido da Humidícola, são melhor adaptados às condições de alagamento que a Decumbens e a Marandu. Além disso, os autores investigam os mecanismos de adaptação desses materiais, fornecendo informações valiosas para os programas de melhoramento de forrageiras No entanto, como os danos causados pelo alagamento variam com a freqüência, a duração, a altura da lâmina d'água, a temperatura da água e o tipo de sedimento, mais estudos são necessários para caracterizar adequadamente as respostas de forrageiras tropicais à essa condição.
Referência bibliográfica
MATTOS, J.L.S.de; GOMIDE, J.A.; HUAMAN, C.A.M. Crescimento de espécies do gênero Brachiaria sob alagamento em casa-de-vegetação. Revista Brasileira de Zootecnia, v.34, n.3, p.765-773, 2005.