foto1: caminhão tanque da fonterra relizando coleta do leite
A Fonterra Co-operative Group Limited, anunciou nesta última quarta-feira um pagamento de NZ$7/Kg de sólido do leite (por volta de NZ$ 0,63/litro) na estação produtiva de 2013/14. Alta de NZ$1,2 em relação à estação 2012/13.
A notícia veio como uma “brisa fresca” ao produtor neozelandês que acabou de passar pela pior seca dos últimos 70 anos, além da remuneração baixa.
Para um país com economia praticamente impulsionada pela pecuária de leite esse aumento representou um impulso de 2 bilhões, cerca de 1% ao PIB.
O presidente John Wilson disse que a alta para nova temporada é consequência da estabilidade dos bons preços no mercado internacional de produtos lácteos. Segundo ele, apesar das comoditities lácteas terem alcançado o pico, devem continuar nos níveis atuais ou ainda ter uma ligeira alta em 2014.
“Uma grande parte de nossos acionistas produtores experimentaram condições de seca, que tiveram um impacto significativo sobre os custos de alimentação e produção, resultando em secagem precoce de seus rebanhos. O maior pagamento no início da nova temporada irá ajudar nossos acionistas na gestão de seus negócios e garantir um fornecimento contínuo de leite de alta qualidade para a cooperativa”, disse Wilson.
Foto 2 : Fornecimento de pré-secado de alfafa como volumoso suplentar na seca prolongada de 2012/13
O executivo chefe Theo Spierings disse que a lei fundamental de mercado de oferta e demanda mudou. O crescimento da produção de leite global está desacelerando, como resultado de condições climáticas desfavoráveis em muitas das principais regiões de produção de leite. Spirings acrescentou que embora haja um crescimento de produção modesta nos EUA, as últimas condições de frio na Europa têm tido um impacto negativo sobre as culturas e produtos lácteos, e,por isso, as perspectivas permanecem incertas.
"O crescimento da produção de leite em 2013 para os 15 principais países exportadores é projetada em 0,5 por cento ou 1,2 bilhões de litros - bem abaixo dos 1,8 por cento (4,5 bilhões de litros), níveis de crescimento que vistos em 2012. Em geral, o panorama econômico global permanece estável, mas com algum risco de queda. Nos EUA, o crescimento modesto continua, enquanto a China estabilizou sobre o crescimento em torno de 7,8 por cento.” Disse Spierings.
Com esse cenário parece que vai ser um bom ano para se produzir leite na Nova Zelândia. Contudo, o presidente da cooperativa adverte os produtores a terem cautela no orçamento para essa temporada e aproveitar a alta para se recuperarem da temporada adversa que foi 2012/13.
O economista do banco Westpac da Nova Zelândia, Nathan Penny, disse que o aumento excedeu as expectativas do banco e acrescentou que combinação disso com a recuperação da produção local pode ser um “para choque” contra a ultima estação.
Além disso, a Fonterra anunciou mudanças no estatuto quanto ao fornecimento de leite cru para as concorrentes. Por ser responsável por volta de 95% da captação de leite na Nova Zelândia o governo obriga a empresa a fornecer leite cru às
concorrentes para não estabelecer um oligopsônio.
Contudo, as concorrentes podiam escolher quando desfrutar desse fornecimento. No caso da seca da ultima estação, o fornecimento de leite caiu e a Fonterra foi obrigada a fornecer para algumas fábricas concorrentes nesse período crítico. Segundo John Wilson isso custou 25 milhões de lucros cessantes aos acionistas da empresa. O que daria em torno de 1,5 centavos por ação. Esse foi o último ano que isso acorreu, pois o fornecimento de leite vai ter prazo pré-determinado.
Agora, o produtor e acionista espera ter uma temporada lucrativa, mas riscos por motivos naturais ainda existem. Se tudo for como a média, esse vai ser um dos melhores anos econômicos da Nova Zelândia e bem a tempo.
Foto 3 : foto ilustrativa vaca kiwicross comendo silagem de capim sobre o pasto.