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  2. Produção de leite

Mês de Setembro e a pastagem acabou: o que fazer?

A estacionalidade de produção de plantas forrageiras é um problema que o produtor de leite enfrenta ano após ano. Saiba aqui algumas dicas de como sair dessa.

Publicado por: vários autores

Publicado em: 01/10/2007 - 4 minutos de leitura

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A estacionalidade de produção de plantas forrageiras é um reflexo das alterações na taxa de crescimento devido às mudanças na temperatura, na disponibilidade de água, no fotoperíodo e na intensidade de luz ao longo das estações do ano, e é fato já bem conhecido de técnicos e produtores, pois ocorre na maior parte do território brasileiro.

Este ano, com o prolongamento da seca em várias regiões, muitas propriedades já se encontram com séria restrições de alimento. Os proprietários rurais devem se precaver desta situação por meio do planejamento na propriedade, estimando, a partir da quantidade animais que deverá ser alimentada ao longo deste período, a necessidade de forragem para que não haja restrição para os animais.

Várias são as técnicas disponíveis e utilizadas para a solução do problema da estacionalidade de produção de plantas forrageiras. Uma delas seria o diferimento da pastagem, que consiste na produção de "feno em pé", ou seja, deixar um piquete sem utilizá-lo no final do período de crescimento das plantas forrageiras, para então utilizá-lo na entressafra.

Para tal, é desejável utilizar-se espécies que apresentem bom potencial de crescimento e capacidade de manter seu valor nutritivo durante o período de vedação. Os capins do gênero Brachiaria (ex. capim-braquiarão, e, em especial o capim-braquiária-decumbens) e Cynodon (ex.: capim-coastcross) são mais recomendados para este tipo de manejo que aqueles do gênero Panicum (ex.: capim-colonião, capim-mombaça, etc.) (Tabela 1).

Tabela 1. Taxa de acúmulo de matéria seca de algumas espécies forrageiras em Nova Odessa, SP. Os dados são médias de anos de 1973/1974 e 1974/1975

Figura 1


Uma das preocupações no diferimento é a de acumular uma grande quantidade de forragem e evitar o tombamento das plantas em virtude de sua altura. O tombamento determina uma elevada perda da forragem, portanto, o pastejo deve ser realizado quando houver bastante massa de forragem acumulada, porém antes que o risco de tombamento se torne elevado.

Alguns grupos de pesquisa têm se dedicado a determinar a melhor época de diferimento e utilização das espécies forrageiras no país (tabela 2). A partir das informações apresentadas na tabela 2 é possível verificar que, de modo geral, os trabalhos recomendam que a vedação das pastagens seja feita entre Dezembro e Abril e a utilização, entre Junho e Setembro.

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O pastejo das áreas vedadas mais cedo deve ser diferido por menos tempo e essas áreas devem ser utilizadas primeiro, pois encontrarão melhores condições de crescimento.

Tabela 2. Época de diferimento recomendada para algumas espécies forrageiras

Figura 2

O produtor rural pode também realizar a adubação estratégica de sua pastagem no final do verão. Desta maneira estará acelerando o ritmo de crescimento da planta, aumentando a taxa de acúmulo de forragem e a qualidade da forragem ofertada. O pasto irá crescer com mais vigor no outono e rebrotar mais cedo na primavera.

Outra alternativa é a produção de cana-de-açúcar como volumoso para ser oferecida aos animais, este volumoso possui uma alta produção por unidade de área e conseqüentemente um menor custo de produção quando comparada a outras culturas; e também a época de colheita coincide com a época de estacionalidade na produção de forragem. Porém deve-se lembrar que esta planta tem limitações nutricionais, e, desse modo, deve ser fornecida associado à um alimento concentrado.

A suplementação com concentrado é alternativa para elevar a qualidade da dieta animal, sendo esta prática dependente do fornecimento de volumoso. Euclides et al. (1997) avaliou quatro alternativas de suplementação para animais mantidos em pastagens de B. decumbens, mostrando nos resultados obtidos, que a suplementação é uma alternativa que permite reduzir a idade de abate dos animais.

Tabela 3. Médias dos ganhos de peso diários (g/novilho/dia) dos animais suplementados ou não, durante os períodos seco e das águas, nos dois anos experimentais, e das idades de abate (meses)

Figura 3


Através de um bom planejamento para comercialização antecipada de animais gordos até o fim de fevereiro, período este em que o preço não caiu muito, é possível reduzir o número de animais que passarão o período de seca na fazenda, liberando assim, áreas de pastagens para vedação.

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No caso de confinamentos, também é reduzido o ciclo de abate dos animais mais pesados na fazenda, permitindo desta maneira uma folga para a pastagem, com uma boa oferta de forragem para os animais mais leves, evitando a degradação do pasto.

A estacionalidade da produção de forragens continua sendo uma das principais causas responsáveis pela baixa produtividade da pecuária nacional.

Existem várias alternativas para alimentar o gado na seca e passar o período de entressafra com oferta de alimento para os animais na propriedade, estas alternativas devem ser encaixadas em um bom planejamento, podendo-se utilizar uma ou várias alternativas combinadas.

Neste planejamento, deve-se levar em consideração, sistema de produção, estrutura da propriedade e capacitação dos funcionários para se conseguir aplicar as tecnologias propostas e assim superar o período crítico de déficit forrageiro.

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Referências bibliográficas:

EUCLIDES, V.P.B.; MACEDO, M.C.M.; OLIVEIRA, M.P.de. Beef cattle production on renovated grass pastures in the savannas of Brasil [ S.l. : s.n.], 1996, 9p. Trabalho apresentado no International Grassland Congress, 18., Canadá, 1997.

PEDREIRA, J.V.S.; MATTOS, H.B. Crescimento estacional de vinte e cinco espécies ou variedades de capins. Boletim da Indústria Animal, v.38, n.2, p.117-143,1981.

SANTOS, P.M.; BERNARDI, A.C.C. Diferimento do uso de pastagens. In: 22º Simpósio sobre Manejo de Pastagem, Ed. PEDREIRA, C.G.S. et al., p. 95-118, Piracicaba:FEALQ, 2005.
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Material escrito por:

Nino Rodrigo Cabral de Barros Lima

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Vinicius Chimenez

Vinicius Chimenez

Especialista em Agronegócios Consultor em Gado de Corte - NOVILHO PRECOCE

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Patricia Menezes Santos

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Marco A. A. Balsalobre

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FRANCISCA
FRANCISCA

CACOAL - RONDÔNIA - ESTUDANTE

EM 14/10/2012

Artigo muito importante. Seria possível me enviar artigos que se refira a compostagem e forrageiras, considerando que curso Agronomia e me interesso pelo assunto.
jorge agostinho caliil
JORGE AGOSTINHO CALIIL

MARA ROSA - GOIÁS

EM 29/10/2008

Muito bom o artigo, penso que poderiamos estudar mais a respeito da conservação da cana, porque um dos impedimentos é o corte diario, e cai bem no período que o calor aqui onde moro é estenuante.

(Mra Rosa, GO)
Denise Theodoro da Silva
DENISE THEODORO DA SILVA

GARÇA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 30/12/2007

Parabens a equipe que se empenhou e escreveu este artigo interessante e de grande valia, principalmente para quem está afim de levar a ovinocultura mais a sério e como uma cadeia organizada.
Gostaria que vocês fornecessem mais artigos sobre pastagens e dicas de como organizar a propriedade em relação às pastagens, utilizações e rodízios.
Grata pela atenção
Denise Theodoro - Garça/SP
Maurício Carvalho de Oliveira
MAURÍCIO CARVALHO DE OLIVEIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 23/10/2007

Parabéns para a equipe, que toca em um dos pontos mais frágeis da agropecuária no Brasil tropical, qual seja, a produção de alimento de qualidade na estação seca.

Entretanto, ano após ano, esse quadro se repete. Animais perdem peso e produtividade e a lucratividade cai de forma significativa. Por quê? Alguns aspectos estão bastante enfatizados nesse artigo.

Planejamento, planejamento, planejamento (gestão empresarial da propriedade), passividade ou fragilidade do sistema cooperativo na prestação de assistência técnica (afinal nossas cooperativas têm o seu corpo técnico no município), capacitação da mão-de-obra, troca de experiências entre produtores, entre a academia e a iniciativa privada.

Somente assim estaremos caminhando para uma agropecuária competitiva e sustentável. A tecnologia está pronta e em evolução. Vamos, com competência e pés no chão, fazer algo diferente? Melhorar o que fazemos no dia-a-dia?
Rogério dos Anjos Borges
ROGÉRIO DOS ANJOS BORGES

ITAMBACURI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2007

Muito interessante este artigo, pois nos mostra a possibilidade de uso da braquiária decumbens como feno em pé e traz um novo horizonte na utilização deste capim. Parabéns pelo artigo.

Rogério dos Anjos Borges
Águas Formosas - MG
Criador de Ovinos Santa Inês
Marco Antonio Pinheiro Santana
MARCO ANTONIO PINHEIRO SANTANA

JACIARA - MATO GROSSO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 16/10/2007

Gostei do artigo, pois enfatiza a necessidade do produtor planejar com antecedência a alimentação animal para o período da seca, principalmente com pastagem, que é a alimentação mais barata e se utilizada corretamente a mais farta dentro da propriedade.

Apenas gostaria de deixar uma sugestão aos escritores do artigo, se possível utilizar uma tabela mais atualizada de produção de forragens.
Gláucio José Araujo Vaz
GLÁUCIO JOSÉ ARAUJO VAZ

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/10/2007

Parabéns pela divulgação deste artigo que nos traz conhecimento.
Abraço,
Gláucio Vaz
Jose Antonio Savegnago
JOSE ANTONIO SAVEGNAGO

SERTÃOZINHO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 07/10/2007

Muito interessante o artigo, é de grande valia para quem cria animais, pois abre mais a mente dos criadores. Obrigado pelas pesquisas que vocês desenvolvem, e continuem divulgando seus dados.
Helio Porfirio Guimarães
HELIO PORFIRIO GUIMARÃES

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 03/10/2007

Parabenizo essa equipe pelo artigo que pontua com precisão, um dos gargalos da produção bovina no Brasil. Porém, não concordo plenamente com o termo em que compara o "diferimento de pastagens" com o "feno", intitulando "feno em Pé".

Isso porque, no meu ponto de vista, o feno é cortado e seco na época certa, considerando o tempo ideal de dessecação. Com isto, aproveita o momento em que a gramínea apresenta os seus melhores e maiores índices de nutrientes e de NDT, enquanto que no pasto diferido é uma forrageira passada, próximo à senescência, com menor teor de nutrientes e maior lignificação, o que dificulta a sua absorção.

No entanto esta técnica não deixa de ser interessante, considerando as condições da propriedade e proprietário.

Gostaria de ver outros comentários, tanto da equipe como de outros leitores, pois considero importante o controle da sazonalidade das pastagens.

Atenciosamente,
Hélio Guimarães
Mateus Moreira da Silva
MATEUS MOREIRA DA SILVA

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 02/10/2007

Congratulações a todos os responsáveis por este artigo, que de maneira objetiva e sucinta conseguiram esclarecer pontos chave no condizente a manejo de pastagem no período de estiagem.

Dados importantes e técnicas valiosas foram abordados e com certeza, se mostraram de grande valia ao produtor em necessidade de obtenção do rendimento máximo da pastagem nesta época de restrição de chuvas.

A técnica de diferimento é sem dúvida uma das mais interessantes e importantes, pois não necessita grandes mudanças na propriedade e é economicamente atrativa aos Srs. pecuaristas.

Mais uma vez parabéns a todos.

Mateus Moreira.

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