Medidas de controle e tratamento da Linfadenite Caseosa
O leitor do FarmPoint Renato Mascarenhas Xavier enviou uma dúvida ao Fórum Técnico do FarmPoint sobre Linfadenite Caseosa. O leitor conta que tem um rebanho de ovinos SRD e Santa Inês próximo a Brasília e que tem notado um aumento significativo de animais com linfadenite. Foi aconselhado a mudar o protocolo de tratamento da enfermidade, em vez da drenagem dos abscessos, foi instruído à aplicar injeções de solução de formol a 10% dentro dos linfonodos assim que começarem a aumentar de tamanho. Ele gostaria de saber se esta terapêutica é segura e se for, porque a aplicação é proibida nos EUA.
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
Daniel de Araújo Souza, médico veterinário e consultor em sistemas de produção de ovinos enviou a seguinte resposta:
"As medidas de controle e tratamento da Linfadenite Caseosa (LC) ainda permanecem controversas em alguns pontos, especialmente no tocante à terapêutica e tratamento em si.
As principais técnicas empregadas a nível de tratamento são a drenagem cirúrgica do abcesso que pode apresentar mais de 50% de sucesso; a extirpação cirúrgica do abcesso com resultados de mais de 80%, e a aplicação de solução de formol a 10% dentro do abcesso.
A drenagem cirúrgica é a técnica padrão e apresenta bons resultados quando bem aplicada. Por isso, a priori, seria interessante você rever todo o processo de realização dessa técnica em seu rebanho; avaliar o protocolo operacional em si, pois pode estar havendo alguma falha que esteja comprometendo os resultados.
A aplicação da solução de formol foi uma técnica descrita por um pesquisador americano (Bulgin, M.S.), na qual aplica-se entre 10 e 25 mL da solução dentro do abcesso, porém antes, é preciso aspirar o conteúdo do abcesso para a homogeinização com a solução de formol.
Embora apresente bons resultados, a utilização do formol apresenta algumas restrições por ser o formaldeído uma substância de natureza caústica/irritante, tóxica e com potencial carcinogênico. Em decorrência dessas características, o uso dessa técnica é contra-indicado devido ao risco de se introduzir o formol na cadeia alimentar.
O uso de vacinas autógenas formalizadas (embora apresentem uma eficácia na redução dos abcessos de mais de 70%) também sofre ressalvas em animais destinados ao consumo humano devido ao mesmo risco.
Na verdade, o uso isolado de apenas uma técnica não é suficiente para o controle, muito menos, para a erradicação da LC de um rebanho. Um programa profilático para LC deve passar por uma série de medidas integradas envolvendo um sistema rigoroso de desinfecção de instalações, cama e solo de baias, currais e galpões; evitar o uso e a existência de objetos ou estruturas que possam causar lesão na pele dos animais (arame farpado, estruturas pontiagudas, pastagens com plantas invasoras, espinhos, etc.), assim como, combater ectoparasitas; manejo adequado de procedimentos como vacinações, casqueamento, tosquia e aplicação de medicamentos onde os animais compartilham agulhas, tesouras de casco, tosquiadoras e outros instrumentos (desinfectar pesadamente esses instrumentos); isolamento de animais acometidos e quarentena (por alguns meses) de animais recém-adquiridos quando possível.
Existem também algumas outras medidas como a vacinação - há uma vacina chamada 1002 desenvolvida pela EBDA e comercializada pela empresa Labovet, que pode ajudar; a própria extirpação cirúrgica do abcesso em animais de maior valor zootécnico e/ou financeiro (a cirurgia é relativamente simples e de baixo custo); e a aplicação de protocolos terapêuticos a base de antibióticos em casos especiais (há protocolos mais recentes que tem apresentado bons resultados).
Vale ressaltar, que trata-se de uma zoonose, então é preciso ter bastante cuidado na manipulação das secreções e dos animais acometidos.
Concluindo, não há nada de errado em se usar a drenagem cirúrgica dos abcessos, mas talvez, a forma como essa técnica esteja sendo aplicada e realizada em seu rebanho, possa estar comprometendo os resultados. Naturalmente, associado a outras práticas, já mencionadas.
Espero ter contribuído e fique à vontade para debate ou mais dúvidas!!!
Mariana Paganoti - Equipe FarmPoint
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MOCAMBIQUE - ESTUDANTE
EM 17/02/2022
Sou Lemos Rodrigues Samuel, estudantes da área agropecuária
Tenho uma questão sobre
Quais são os processos zootécnicos viáveis para controlo e reduzir a doença Lifandenite caceosa nos animais Ovi-caprinos

SÃO JOÃO DO PIAUÍ - PIAUÍ - OVINOS/CAPRINOS
EM 03/03/2020

EM 14/01/2019

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FORTALEZA - CEARÁ - OVINOS/CAPRINOS
EM 04/04/2017

MAURITI - CEARÁ - OVINOS/CAPRINOS
EM 15/03/2017
Desde já agradeço pela atenção!
Obrigados a todos!

ITÁPOLIS - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS
EM 26/07/2016

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EM 26/07/2016

ATIBAIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/07/2016

ATIBAIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/07/2016
O leite devidamente fervido ou pasteurizado de animais portadores, pode trazer algum risco para a saúde humana?

CAMPINA GRANDE DO SUL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE
EM 15/02/2016
Sou Caprinocultor de BOER em Campina Grande do Sul PR.
Gostaria de colocar a minha experiencia com a Linfadenite......Fiz várias experimentações ao longo destes últimos 15 anos e hoje tenho a segurança de afirmar que são raros os casos de Linfadenite no meu rebanho de (250) cabeças, dificilmente aperece em novos Caprinos e dificilmente tem recidiva nos ja tratados.
UFaço todos os procedimentos como descrito neste FORUM, dreno, lavo com agua abundantemente o "buraco" após drenado, várias vezes encho de agua e aperto para sair qualquer resquício de material purulento.
Após lavo o buraco com ACIDO ACÉTICO GLACIAL a 100%, e tambem lavo com IODO a 10%. Coloco um mata bicheira e pronto, como disse anteriormente dificilmente reapareçe o caroço. Obrigado pelas trocas de experiencia.

EM 29/01/2016

RESENDE - RIO DE JANEIRO
EM 06/01/2016
Tenho um bezerro que está com um mês de vida, apareceu um caroço bem pequeno na parte lombar, só que agora está enorme, cada dia que passa cresce mais.
Será que é linfadenite? O que devo fazer?
Obrigada,
Lia
FORTALEZA - CEARÁ
EM 04/01/2016
Animais com linfadenite caseosa não devem ser consumidos pois representam um risco à saúde humana.
Uma vez que um animal manifeste a doença, a bactéria permanece no seu organismo de forma latente ou em nódulos internos (pulmões, fígado, intestino, etc).
Sobre o incentivo à vacinação, cada criador ou produtor deve tomar as medidas mais apropriadas. A ovinocultura ainda é uma atividade de pouca expressão econômica no cenário do agronegócio nacional, de forma que não justifica "investimentos" or parte do governo.
Abraços,
Daniel

EM 24/12/2015

EM 22/12/2015
FORTALEZA - CEARÁ
EM 30/11/2015
Primeiramente, obrigado pelas palavras de apreço.
Sim, o status nutricional do animal condiciona a resposta do sistema imunológico. Porém, de forma a apenas controlar a infecção, não eliminá-la.
Antes de adquirir quaisquer animais, certifique-se que os mesmos não apresentem nódulos compatíveis com os de linfadenite caseosa e converse com o proprietário e funcionários para colher informações sobre a existência ou não da doença no rebanho em questão. Essas medidas reduzem a probabilidade de você introduzir um animal portador no seu rebanho.
Outro ponto importante é descartar do rebanho qualquer animal que apresente a doença e sempre monitore o rebanho para prevenir que os nódulos se rompam no campo e nas instalações.
Abraços,
Daniel

EM 24/11/2015
FORTALEZA - CEARÁ
EM 02/11/2015
A Linfadenite Caseosa é uma zoonose, ou seja, é uma doença que pode ser transmitida aos seres humanos, especialmente, que tiveram contato (por meio de ferimentos superficiais e mucosas - olhos, boca, por exemplo). com o conteúdo dos nódulos.
Para prevenir esse tipo de situação, o operador e ajudantes devem utilizar obrigatoriamente luvas descartáveis, máscara e óculos de proteção no momento da execução do procedimento e todo o material utilizado (luvas, gazes, algodão, etc.) deve ser incinerado, e os resíduos enterrados em local isolado.
Abraços,
Daniel

SANTA CECÍLIA DO PAVÃO - PARANÁ - ESTUDANTE
EM 01/11/2015
Olá, Daniel
No meu rebanho de ovinos já tínhamos o hábito do controle da LC pelo procedimento cirúrgico. Entretanto, é realizado por nós próprios, sem auxílio veterinário. O que gostaria de saber é, quais os riscos os seres humanos correm quando, efetuam esse manejo de forma leiga, o qual seria o nosso caso!
Ou seja, é possível a doença em humanos? E como é a forma de contágio?
Se possível entrem em contato, pois estou preocupado.
pquenteq@gmail.com