Inflação, juros e a valorização do dolar: o que fazer?

Discute os efeitos dos juros e valorização do dolar na inflação e faz considerações sobre o que fazer no curto, médio e longo prazos.

Publicado por: MilkPoint

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Inflação, juros e a valorização do dólar: o que fazer?

A inflação decorre de uma situação em que a demanda é maior que a oferta, provocando o aumento dos preços . O medo da inflação é um agravante, pois realimenta a elevação dos preços.

Até bem pouco tempo vivíamos num mundo onde poucos contavam. Apenas 7 países ricos caracterizados pelo G7. E nos países de forma geral, mas principalmente nos países pobres ou em desenvolvimento, a distribuição de renda muito ruim. Essa situação era cômoda para os economistas que, sempre que a demanda superava a oferta gerando pressão inflacionária, usavam a mesma receita: reduzir o consumo retirando dinheiro do mercado, através de aumento de depósitos compulsórios, aumento de juros, e outras receitas monetaristas do gênero, para controlar o ímpeto comprador dos poucos que contavam.

Mas o mundo mudou, e quando aumentou o número de países que começaram a importar, caracterizados pelo G20, e os pobres deixando de ser tão pobres, a situação mudou. É muita gente que agora conta para o consumo e como a oferta não cresceu o suficiente para atender a esse aumento de consumo, a lei da oferta e procura que não foi revogada, leva os preços para cima gerando inflação no mundo todo.

E não adianta os economistas quererem usar as receitas tradicionais, tentarem restringir o consumo desses pobres menos pobres, tentando convencer para a economia o ideal seria manter o nível de pobreza dos países e das pessoas. Hoje somos mais de 6 bilhões de pessoas que pelo menos contam um pouco para o consumo. Dentro de 30 anos serão mais de 9 bilhões de pessoas para consumir.

O que precisa ser feito para o equilíbrio do mundo e conter a inflação é, de um lado trabalhar aumentar a oferta e de outro trabalhar para limitar o crescimento populacional. Mas esse é um processo de médio e longo prazo. O que fazer para evitar ou limitar o caos e o estouro da inflação no curto prazo?

O que parece é que é um salve-se quem puder. Os USA giram a maquina de fazer dólar parecendo ter esquecido que isso desvaloriza o dólar e a China controlam o câmbio para manter suas moedas desvalorizadas.

No Brasil o Governo tomou várias medidas para tentar evitar a continuidade de valorização do real com relação ao dólar, todas inócuas no sentido de estabilizar os preços, estando agora a moeda americana abaixo de R$ 1,60, mas que sem dúvida contribuirão para aumentar a arrecadação do Governo Federal.

Não adianta elevar os juros tentando conter o consumo , se do outro lado o real sobrevalorizado provoca uma invasão de produtos do exterior a baixo preço, causando ainda um efeito perverso que é reduzir a geração de trabalho e renda no País. E se as medidas não surtem efeito, geram o medo da inflação e contribuem para aumentar a pressão sobre os preços.

Nesse salve-se quem puder que prevalece no momento, penso que como os juros e o câmbio tem influência sobre o consumo interno, deveria ser criada uma taxa de câmbio mínima, que junto com a SELIC seria administrada pelo Conselho Monetário Nacional. Isso não significaria tabelar o câmbio, da mesma forma que a SELIC não tabela o juros. Seriam balizadores controlados pelo Conselho Monetário Nacional para evitar grandes desvios das metas de inflação s para evitar que os juros e câmbio não prejudiquem a geração de trabalho e renda no País.

Mas no médio e longo prazo o que precisa ser feito é trabalhar na limitação do crescimento populacional de um lado, e de outro para aumentar a oferta , principalmente de produtos agrícolas que é uma vocação do País, contribuindo para equilibrar a oferta à demanda, umas vez que não faz sentido empobrecer países e pessoas para reduzir a demanda a uma oferta muito limitada.

Marcello de Moura Campos Filho
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