Infestação de cigarrinha-da-cana em área com morte de braquiarão

Nos últimos anos, no entanto, têm sido cada vez mais freqüentes os comentários sobre problemas de persistência desta forrageira ou "Sindrome do Braquiarião".

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O braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu), atualmente, é o capim mais plantado no Brasil. Nos últimos anos, no entanto, têm sido cada vez mais freqüentes os comentários sobre problemas de persistência desta forrageira ou, como tem sido chamada, a "Síndrome do braquiarão".

Almeida et al. (2005) investigaram as causa de mortalidade do capim-braquiarão em uma propriedade rural no município de Colinas - TO. Os autores fizeram um levantamento do nível de infestação por cigarrinhas adultas e ninfas em 31 áreas da fazenda, das quais 24 apresentavam mortalidade de capim. A infestação por cigarrinhas adultas foi avaliada com o auxílio de um puçá e classificada em ausente (nenhuma cigarrinha), baixa (1 a 10 cigarrinhas) média (10 a 20 cigarrinhas) e alta (acima de 20 cigarrinhas) de acordo com o número de insetos coletados em linhas de 30m. Já o nível de infestação por ninfas foi levantado com o auxílio de um quadrado de 0,25m2 e classificado como: ausente (nenhuma ninfa), baixo (1 a 5 ninfas/m2), médio (5 a 15 ninfas/m2) e alto (acima de 15 ninfas/m2).

Os autores observaram que 12% das áreas com presença de morte de capim-braquiarão não apresentavam cigarrinhas adultas, enquanto 29%, 25% e 33% das áreas apresentavam níveis baixo, médio e alto de infestação, respectivamente. Em todas as áreas onde havia morte de braquiarão foi observada a presença de ninfas, sendo 14%, 55% e 32% das áreas com infestação baixa, média e alta, respectivamente. Por outro lado, apenas em 1 das áreas onde não havia morte do capim-braquiarão foi observada a presença de ninfas e cigarrinhas adultas, com nível médio de infestação.

Apesar de não ter sido feita a classificação dos insetos encontrados, os autores observaram a predominância de cigarrinhas do gênero Mahanarva (cigarrinha-da-cana). Os autores concluíram que há uma correlação positiva entre a mortalidade de capim-braquiarão e a presença de cigarrinhas na propriedade avaliada.

Comentário dos autores: Devido à sua importância como recurso forrageiro, as notícias sobre morte do capim-braquiarão provocam bastante apreensão entre técnicos e pecuaristas. Aparentemente existe mais de uma causa relacionada à morte deste capim nas regiões Norte e Brasil Central. Os resultados obtidos por Almeida et al. (2005) mostram que o ataque de cigarrinhas é uma destas causas. O braquiarão é reconhecidamente resistente à cigarrinhas-das-pastagens, porém, em muitas áreas, a cigarrinha-da-cana está se tornando uma importante praga também em áreas de pasto.
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Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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Alejandro Hipolito Pabón Valverde
ALEJANDRO HIPOLITO PABÓN VALVERDE

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 13/03/2006

Sem dúvida a cigarrinha é uma das possíveis causas da problemática síndrome da "morte do capim <i>Marandú</i>", nos estados no Centro e Norte do Brasil. Mas a pergunta é, quanto desta problemática é causada verdadeiramente pelas infestações das cigarrinhas?.



Os levantamentos populacionais em campo são muito úteis, mas também são difíceis de avaliar pelas características do tipo de infestação (agregada e estacional) desta praga. Acredito que são necessárias avaliações em estufa com metodologias confiáveis para poder estudar de maneira isolada os diferentes fatores da problemática: o inseto, a planta e os fatores abióticos.



Desta forma, poderemos responder às perguntas: Alguma espécie de cigarrinha quebrou a resistência do <i>Marandú</i>? E realmente é o cultivar <i>Marandú</i> quem esta morrendo ou são outros cultivares de <i>B. Brizantha</i>? As condições de encharcamento afetam a resistência do cultivar <i>Marandu</i>?

<b>Resposta da autora:</b>



Prezado Alejandro,



Achei muito oportunas as suas considerações. Sem dúvida, são necessários estudos mais detalhados e profundos para definir as causas de morte de capim-braquiarão nas regiões Centro e Norte do Brasil.



Atenciosamente,



Patricia Menezes Santos
Leila de Fatima Pereira Moussa
LEILA DE FATIMA PEREIRA MOUSSA

MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 27/01/2006

Estamos totalmente preocupados com a cigarrinha em Arapoema TO. Ninguém nos ajuda para dar uma luz no combate a cigarrinha. Será que ela acabará conosco? A cada ano só aumenta e nós não sabemos o que fazer. Ninguém pode nos ajudar? Nem a EMBRAPA?
Sandro Miotto
SANDRO MIOTTO

CAIÇARA - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 19/01/2006

Gostaria de parabenizar pela matéria. Também gostaria de ressaltar que na região onde trabalho (Frederico Westphalen) está ocorrendo o ataque da cigarrinha em áreas de tífton 85, capim pioneiro, entre outras variedades de pastagens. São de difícil controle, trazendo muitos prejuízos aos produtores de leite desta região. Gostaria de ter uma informação sobre o controle desta praga que tanto prejuízo esta causando. Grato pela atenção.



Cordiais saudações,



Sandro



<b> Resposta da autora:</b>



Prezado Sandro,



Em 2004 escrevemos uma série de artigos para o Radar Pastagens sobre o controle de cigarrinhas em pastagens. Espero que esses textos lhe auxiliem.



Atenciosamente,



Patricia Menezes Santos

claudio dabus figueiredo
CLAUDIO DABUS FIGUEIREDO

OUTRO - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 24/09/2005

Eu não tenho certeza se realmente sei identificar os dois tipos de cigarrinha citados, mas se a cigarrinha menor, preta com pintas pretas (ou amarelas) for a cigarrinha de pastagem, ela ataca o braquiarão sim, e muito.



No MT, região de Araputanga e Porto Esperidião a incidência é altíssima, com conseqüências de desanimar o cidadão.
Moacyr B. Dias-Filho
MOACYR B. DIAS-FILHO

BELÉM - PARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 17/09/2005

É importante ressaltar que em diversos locais onde o problema da "síndrome da morte do capim marandu" tem sido observado, ocorrem solos com a capacidade de drenagem comprometida.



Nossos estudos têm mostrado que, em solos encharcados, a produção de raízes, crescimento da parte aérea e a capacidade fotossintética do capim marandu são muito diminuídos, tornando a planta "fraca" e, portanto, mais suscetível a possíveis agentes bióticos que desencadeariam o problema da morte.
Qual a sua dúvida hoje?