IN51: é preciso seriedade e bom senso com relação aos padrões
Faz comentários sobre a discussão da entrada em vigor dos novos padrões
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Com relação à negociações junto ao MAPA sobre parâmetros da IN 51 previstos para entrar em vigor a partir de são as seguintes as considerações a fazer na discussão:
1) Nos parece que o MAPA não cobrou e os os lacticínios não cumpriram o que seria necessário para que os produtores estivessem aptos a cumprir nem os parâmetros atualmente vigentes, sendo que, pelas informações que temos, pelo menos um item não está dentro da especificação vigente em pelo menos 30% das analises feitas. Dentro deste quadro é de se esperar que com relação aos padrões previstos para entrar em a partir de julho talvez cheguemos a algo próximo de 50% de não conformidade nas analises considerando os novos padrões. Somos a anos um País importador de leite, e se o leite que não atender os padrões for descartado, as importações aumentarão muito. Parece-nos que só tem sentido falar em melhorar a qualidade do leite produzido se tivermos atendido o antes o requisito quantidade, ou seja, formos capazes quantitativamente nosso consumo interno;
2) É preciso que os lacticínios desenvolvam um programa de treinamento de seus fornecedores de leite para que as metas da IN 51, e seus que seus fornecedores de leite assinem certificado que receberam o treinamento, para que as metas possam ser atingidas. Durante esse período de treinamento sugerimos que os padrões atuais deveriam ser mantidos.
3) Após o treinamento sugerimos que deverão ser dados prazos diferenciados para entrada em vigor dos novos parâmetros, conforme a complexidade, tempo e recursos necessários para os produtores fazerem os ajustes. Assim por exemplo, para CBT que é muito simples, dependendo de higiene de ordenha, o prazo pode ser bem curto. Mas os mais complexos e que dispendem maiores gastos do produtor, com por exemplo para CCS, que envolve estrutura do rebanho, implementação de analises periódica e controles individuais por vacas, o prazo deveria ser mais longo, compatível com a complexidade do problema.
Marcello de Moura Campos Filho
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PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 05/07/2011

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/06/2011
Agradeço o comentário.
Quando você fala em saudade é que cai a ficha de quanto tempo faz que não nos vemos.
Vou dar a minha resposta para suas perguntas.
Com relação à negligência, ou até mesmo incompetência do Governo e de uma cadeia produtiva, de um jeito ou de outro o consumidor vai pagar a conta. No caso se protelar um pouco a entrada dos novos padrões da IN51 durante um período para se fazer o que já deveria ter sido feito, e para os novos padrões entrarem em vigor com prazos coerentes com a complexidade de cada padrão específico, reatardamos a melhoria de qualidade. Se formos radicais e optarmos por implementar os novos padrões em julho, o número de não conformidade será enorme, pois mesmo com os padrões atuais já é grande, e se, para não desmoralizar de vez a IN51, descartarmos esse leite, a importação que já é grande será enorme e prejudicará a pecuária leiteira, a geração de trabalho e renda no campo.
Infelizmente não temos a garantia que a negligência e a incopetência do Governo e da cadeia produtiva não vai se repetir.
Você diz que conhecendo o setor espera proposta melhor, e eu gostaria de ver essa proposta. Mas sinceramente, também por conhecer o setor, não acredito que possamos fugir muito dessas duas alternativas, que é o resultado da falta de política e planejamento adequado para o setor leiteiro, problema que como você sabe a muito tempo levanto.
E se pelo que fizemos ( ou não fizemos ) no passado não tivermos no presente como fugir dessas duas alternativas, eu acho preferivel a opção de retardar a vigência dos novos padrões, exigir que as indústrias e cooperativas capacitem seus fornecedores para atender esses novos padrões e programem prazos exequíveis para a entrada em vigor dos novos padrões, levando em conta a complexidade da cada caso
O passado não nos pertence mais. O que podemos fazer daqui para frente é fazer o que deveria ter sido feito. Agora, se o Governo e a cadeia produtiva preferirem empurar com a bariga o problema em vez de aproveitar a oportunidade para resolve-lo só saberemos no futuro.
Grande abraço
Marcello

SÃO PAULO - SÃO PAULO
EM 09/06/2011
O seu comentario me trouxe a lembranca o caso do nosso oleo diesel. Ali tambem Petrobras, Min das Minas e Energia, montadoras e demais envolvidos nao fizeram seu dever de casa, ninguem cobrou e o jeito foi postergar a entrada em vigor do novo diesel com padroes reduzidos de enxofre. Ontem, no Jornal da Cultura, ouvi especialista em saude publica numerar o quanto isso vai custar em termos de mortes que poderiam ser evitadas. Ainda que eu reconheca seu argumento, pergunto: porque eu, consumidor, mais uma vez pago o preco dessa negligencia? E mais: onde na sua proposta, esta a salvaguarda, de que esta situacao nao vai se repetir? Conhecendo o setor, tenho certeza de que e' possível articular uma proposta melhor. Essa, me perdoe, soa como mero "empurrar com a barriga".
Forte abraco saudoso,
Andre Zeitlin