Importância do exame andrológico na escolha do reprodutor - Parte 2

Todos sabemos que a capacidade reprodutiva de um macho, a capacidade de gerar descendentes, é fundamental. De que serve um macho bem caracterizado racialmente, com excelente carcaça, caro, mas infértil, que não deixará filhos?

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Todos sabemos que a capacidade reprodutiva de um macho, a capacidade de gerar descendentes, é fundamental. De que serve um macho bem caracterizado racialmente, com excelente carcaça, caro, mas infértil, que não deixará filhos?

Ou pior, que deixará poucos filhos e esses poucos também serão reprodutivamente inferiores? Não seria melhor ter certeza, prevenir, do que arcar com os prejuízos de uma estação de monta ruim? Não seria melhor realizar um exame andrológico, do que ter que trocar o animal vendido?

Na primeira parte deste artigo, vimos que através de exames simples podemos identificar problemas, descartar e classificar os machos que serão usados na estação de monta ou que serão comprados. Neste aspecto, o exame andrológico é uma ferramenta essencial na avaliação da fertilidade dos machos em idade reprodutiva.

Neste artigo, abordaremos a parte mais importante do exame andrológico: a avaliação do sêmen, desde sua colheita até os parâmetros aceitáveis. Em um ejaculado existem espermatozóides vivos, com movimento progressivo, com movimento circular, mortos, normais, anormais, etc. Portanto são realizadas avaliações para saber a quantidade de espermatozóides que realmente gerariam uma prenhez.

Se no exame clínico alguns parâmetros podem ser realizados facilmente, no exame do sêmen apenas um Médico Veterinário capacitado poderá atuar, já que alguns detalhes podem prejudicar a integridade do exame e até mesmo do animal. A seguir veremos as etapas constituintes do exame do sêmen - colheita, exame imediato e exame mediato.

Colheita

Pode ser feita com o uso de vagina artificial ou eletroejaculador. Estas técnicas, quando realizadas por profissional capacitado, são seguras e não causam dor ao animal. A escolha é baseada, entre outros fatores, pelo temperamento do animal: para machos agressivos ou amendrotados é utilizado o eletroejaculador, para os demais a vagina artificial.

Os carneiros e bodes adaptam-se facilmente à vagina artificial, que deve ser montada com pressão e temperatura adequadas. Se a temperatura estiver demasiadamente elevada, o animal pode ter a mucosa peniana queimada, traumatizando-o para colheitas posteriores. No caso de temperatura baixa e/ou pouca pressão, a excitação pode não ser suficiente e o macho não consegue ejacular.

Abaixo, vemos a foto de uma vagina artificial montada, pronta para ser preenchida com água e ar.

Figura 1

Figura 1. Vagina artificial utilizada no exame andrológico

Para a colheita com eletroejaculador, o animal pode permanecer em pé ou deitado de lado. A técnica consiste em introduzir o eletrodo lubrificado no reto, e produzir estímulos elétricos na região, alternando momentos de estimulação e relaxamento, até a ejaculação.

Figura 2


Figura 2. Eletroejaculador

Exame imediato

Ocorre logo após a colheita do sêmen e são analisados volume, cor, odor, turbilhonamento e motilidade. Consiste nas seguintes análises:

Volume: cada ejaculação fornece entre 0,5 a 2 mL de sêmen. Esse parâmetro tem maior importância no sêmen colhido em vagina artificial, porém é de valor limitado quando é proveniente de colheita por eletroejaculador, pois se espera um volume maior, já que há maior produção de líquido seminal pela estimulação elétrica.

O volume maior não necessariamente está relacionado com maior quantidade de espermatozóides, pois esta depende do volume e da concentração. Assim, um ejaculado com menor volume e alta concentração pode conter mais espermatozóides do que um sêmen de maior volume e com baixa concentração.

Cor: o sêmen normal de carneiro tem a cor esbranquiçada tendendo para a pérola ou branco-marmóreo; quanto mais esbranquiçado, maior o número de espermatozóides. No caso dos bodes, a coloração amarelo citrino é uma característica da espécie, sendo igualmente aceita. O ejaculado aquoso implica em poucos espermatozóides, sendo constituído basicamente de líquido seminal.

Caso haja a presença de pus ou sangue, a coloração tende a esverdeado ou avermelhado, respectivamente. No caso da eletroejaculação, pode haver presença de urina, que trará uma coloração amarelada para o sêmen. O mesmo pode acontecer quando o animal fica extremamente excitado, e acaba liberando urina no momento da ejaculação em vagina artificial. Nesse caso, os espermatozóides morrem rapidamente.

Odor: o sêmen é praticamente isento de odores. Quando há presença de urina, que é letal para os espermatozóides, o odor é diferenciado.

Turbilhonamento: é o movimento dos espermatozóides, percebido através de ondas quando da observação de uma pequena gota de sêmen no microscópio, ou quando se observa o ejaculado contra a luz. O turbilhonamento é uma relação entre concentração e a motilidade, e é expresso em pontuação de 1 a 5, sendo 1 quando há poucas ondas (baixa concentração) e com movimento vagaroso (baixa motilidade) e 5 com muitas ondas formadas (altamente concentrado) e extremamente rápidas (ótima motilidade). O turbilhonamento de pequenos ruminantes é muito mais alto do que aquele observado para bovinos, sendo o comum entre 4 e 5.

Motilidade: é a porcentagem de espermatozóides vivos com movimento progressivo. O mínimo aceitável é de 60%, sendo o mais comum ao redor de 70% a 90%.

Vigor: é a velocidade de progressão dos espermatozóides. É expresso em valor de 0 a 5, sendo o mínimo aceitável 3 e o valor ideal de 4 a 5.

Exame mediato

É realizado após a colheita e exame imediato de todos os reprodutores a serem analisados, no caso de avaliação de mais de um macho. São quantificadas a concentração e patologias, e é a parte mais demorada e trabalhosa do exame andrológico.

Concentração: mede a quantidade de espermatozóides por mL de ejaculado. O padrão é 3,5 bilhões de espermatozóides por mL, oscilando de 3 a 6 bilhões, de acordo com o volume total de sêmen.

Patologia: este exame quantifica o número de espermatozóides anormais. Existem duas classificações básicas: defeitos maiores e defeitos menores. Os defeitos maiores são alterações sérias na forma do espermatozóide, que causam grande diminuição de fertilidade. Os defeitos menores são alterações que causam menor dano à fertilidade. As patologias são expressas em porcentagem, quanto menor a porcentagem melhor é o sêmen.

Os pequenos ruminantes possuem naturalmente o sêmen com baixíssimas patologias, portanto seu padrão é mais rigoroso que aquele utilizado para bovinos.

Para os defeitos maiores são aceitos até 5% individualmente e para os menores no máximo 10%. A somatória geral de todos os defeitos deve ser de, no máximo, 15%.

Bibliografia:

PUGH, D. G. Clínica de Ovinos e Caprinos, 1ª ed. São Paulo : Editora Roca Ltda, 2005

Agradecimentos:
Profa. Dr. Anneliese de Souza Traldi
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Material escrito por:

Déborah Assis Barbosa

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Déborah Assis Barbosa
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/01/2014

Prezado Matheus,

Para realizar o exame andrológico, o animal deve ter pelo menos 8 meses, sendo que o ideal é aguardar que complete 12 meses de vida. Quanto ao custo, é um valor que deve ser negociado diretamente com o médico veterinário que irá realizar os exames.

Um abraço,

Déborah
Matheus Vieira
MATHEUS VIEIRA

MOSTARDAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 10/01/2014

amigo, qual é o custo para realizar o exame em cada animal que nasce?
AIDA MARIA LOBO MOTA
AIDA MARIA LOBO MOTA

BELÉM - PARÁ - ESTUDANTE

EM 09/06/2010

Obrigada pela ajuda de vocês. Eu estava com algumas dúvidas e esse artigo ajudou-me a tirá-las e fazer um bom trabalho sobre o assunto abordado (exame andrológico). Continuem nos ajudando, Deus abençoe vocês, bjs.
Jamilson Machado dos Santos
JAMILSON MACHADO DOS SANTOS

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - OVINOS/CAPRINOS

EM 17/04/2008

Prezada Déborah, Muito obrigado pela resposta , mas me falaram que a camara de neubauer, tem maior precisão e mais facilidade de manuseio, que pode me orientar sobre isto.
Obrigado
Jamilson Machado dos Santos
Déborah Assis Barbosa
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 08/02/2008

Prezado Jamilson Machado dos Santos,
Para analisar o turbilhonamento, utilizamos um aumento de 100X, o vigor e a motilidade devem ser observados em aumento de 200X, e para a patologia observamos na lente de imersão (1000X).
Obrigada por nos prestigiar!
Déborah Assis Barbosa

Jamilson Machado dos Santos
JAMILSON MACHADO DOS SANTOS

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - OVINOS/CAPRINOS

EM 07/02/2008

Parabéns pelo artigo, gostaria de saber com o microscopio, qual a sequencia de aumento, digo com quantas vezes tenho que colocar o microscopio, para efetuar o exame.
Agradeço e aguardo resposta.
Jamilson
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