Formas da proteína em plantas forrageiras

Existem algumas formas da proteína em plantas forrageiras. Saiba neste artigo quais são elas e porque é importante conhece-las.

Publicado por: MilkPoint

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Marco Antonio Alvares Balsalobre

A análise de proteína nas forrageiras é realizada de forma indireta. Através da determinação do nitrogênio e aplicando-se uma relação constante de 16% de nitrogênio em média para as proteínas, se calcula o seu valor, multiplicando-se a concentração de nitrogênio por 6,25 (100/16). Porém, o nitrogênio pode se apresentar sob várias formas na planta, até mesmo na forma não protéica (N-não-protéico).

Em relação à nutrição dos ruminantes, a Universidade de Cornell define as formas do nitrogênio em cinco frações distintas. A fração A é representa o N-não-protéico, sendo solúvel e de alta digestibilidade no rúmen.

O restante da fração solúvel é uma parte da proteína verdadeira, chamada de fração B1, que também tem rápida degradação ruminal. A fração C, é a proteína indisponível, é a parte da proteína contida na fibra em detergente ácido - FDA (lignina e celulose), abreviada de NFDA. Está associada com a lignina, formando complexos de tanino e produtos da reação de Maillard que são altamente resistentes a degradação microbiana e enzimática.

Existe uma fração do nitrogênio contido no FDN (hemicelulose, lignina e celulose), abreviada como NFDN, que estaria disponível, porém com uma taxa de degradação muito lenta, sendo denominada de B3. A fração B2 apresenta taxa de degradação média, é a fração da proteína que não é solúvel, não faz parte da parede celular e também não é N-não-protéico. Enfim, é a proteína que não se enquadra em nenhuma das categorias acima.

O capim elefante, pastejado a cada 45 dias de intervalo em Piracicaba (SP, Brasil) apresentou 8,90% de proteína na MO (matéria orgânica) para amostras simulando o pastejo, enquanto que nas folhas o teor de proteína foi de 10,00 % na MO. O N-não-protéico foi de 26,02 e 24,07% do nitrogênio total, respectivamente para amostras simulando o pastejo e para folhas. Nesse trabalho, o nitrogênio solúvel representou 39,11; 39,43; 27,43% do nitrogênio total, respectivamente para amostras de pastejo simulado, folhas e hastes. A haste apresentou maior proporção de NFDA, 18,07% do nitrogênio total, em seguida as folhas, 9,81% e pastejo simulado 9,13% (Balsalobre, 1996).

Ainda no trabalho de Balsalobre (1996), nas amostras de pastejo simulado, as frações de N-não-protéico, N-solúvel, NFDN, NFDA foram respectivamente: 26,02; 39,11; 47,35 e 9,13% da proteína total. Esses valores não estão condizentes com os obtidos por Lagunes, da Universidade de Cornell, para Capim-elefante cv. Taiwan com 42 dias de crescimento. Os valores obtidos por Lagunes foram de 13,48; 20,22; 23,59 e 3,37%, respectivamente para as frações N-não-protéico, N-solúvel, NFDN e NFDA. Os valores obtidos por Balsalobre (1996) são mais elevados em relação aos de Lagunes, principalmente no que se refere à fração indisponível (NFDA). O nitrogênio aderido à parede tem sua proporção aumentada à medida que a idade fisiológica da planta avança.

O conhecimento das frações protéicas das plantas é um instrumento de manejo das pastagens, pois pode direcionar a forragem para a obtenção de melhor qualidade nutricional e pode auxiliar no entendimento e na predição do desempenho animal e, por fim, na definição de suplementos protéicos à serem utilizados.

Desse modo, a análise dessas frações deve ser incrementada em amostras de forragens, objetivando elaborar uma banco de dados maior para que possamos entender melhor a qualidade da proteína das pastagens tropicais. Nas próximas semanas iremos verificar como a nutrição mineral das plantas (fertilização) pode alterar a qualidade da proteína.

fonte: MilkPoint
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