Fertilizante nitrogenado. 3. Alternativas para uma melhor eficiência da adubação
Alternativas para uma melhor eficiência da adubação utilizando fertilizantes nitrogenados.
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Por Patricia Menezes Santos e Marco Antonio Alvares Balsalobre
Nos primeiros artigos desta série, foi mostrado que o uso de fertilizantes nitrogenados é necessário, porém pode trazer problemas para o meio ambiente e para a saúde humana.
Atualmente, o consumo mundial de fertilizantes nitrogenados é da ordem de 80 milhões de toneladas por ano. Este consumo tem aumentado, principalmente nos países em desenvolvimento, e estima-se que em 2020 sejam consumidas cerca 134 milhões de toneladas.
No entanto, a eficiência de uso destes fertilizantes é baixa. Alguns trabalhos mostram que cerca da metade do adubo nitrogenado aplicado nos campos, anualmente, é perdido.
O aumento da eficiência da adubação é interessante tanto pelos prejuízos que este nitrogênio pode causar ao ambiente e ao homem quanto por razões financeiras. Uma melhor eficiência da adubação significa menores gastos com a compra e aplicação do produto, sem reduzir a produção. No Havaí, por exemplo, produtores têm conseguido reduzir o uso de fertilizantes em um terço e as perdas para a atmosfera em dez vezes aplicando o fertilizante nitrogenado junto com a água de irrigação e parcelando as adubações.
A adubação nitrogenada deve ser planejada levando-se em consideração, principalmente, o cálculo da quantidade de adubo e a escolha da época de aplicação, da forma do fertilizante e do equipamento para distribuição.
O cálculo da quantidade de adubo a ser aplicado talvez seja o passo mais importante e, ao mesmo tempo, o mais complexo. Para isto, é necessário se fazer uma estimativa do "estoque" de nitrogênio disponível no solo e da necessidade da cultura.
Os compostos nitrogenados se transformam, naturalmente, no ambiente através de processos bastante dinâmicos. Desta forma, a determinação da quantidade de nitrogênio disponível no solo através de análises químicas é bastante difícil. Normalmente, o que se faz é determinar o teor de matéria orgânica do solo e estimar a quantidade de nitrogênio que será mineralizado. Este processo, no entanto, depende de diversos fatores ligados ao solo (características físicas, umidade e aeração), as fertilizações prévias, ao clima (temperatura e pluviosidade) e à própria matéria orgânica. Diversos estudos têm sido realizados com o objetivo de se modelar estes processos e se obter estimativas mais confiáveis do "estoque" de nitrogênio no solo, no entanto, ainda não existem informações suficientes para isto.
A estimativa da necessidade da cultura vai depender, principalmente, do nível de produtividade que se deseja alcançar. No entanto, é importante lembrar que o nitrogênio interage com outros nutrientes do solo e que, em um solo com baixa fertilidade, a capacidade de resposta das plantas ao adubo nitrogenado é limitada.
Devido à dificuldade de se estimar a quantidade de nitrogênio disponível no solo, a melhor alternativa para se calcular a necessidade de adubo parece ser o acompanhamento, ao logo dos anos, dos teores de matéria orgânica, do histórico de adubações e da produtividade das áreas. Estes dados são valiosos no momento da tomada de decisão sobre a quantidade necessária de fertilizante para uma determinada produção.
A aplicação do nitrogênio deve ser feita quando as condições climáticas (pluviosidade e temperatura) forem favoráveis ao desenvolvimento da cultura. Neste período, a capacidade de absorção do nutriente por parte da planta é bastante elevada, o que reduz as chances de perdas por lixiviação.
Desta forma, no caso de gramíneas forrageira cultivadas em condições de sequeiro, a adubação deveria ser feita no período das águas e, no caso de áreas irrigadas, enquanto a temperatura estivesse acima de 15oC.
A adubação deve ser parcelada ao longo do período de crescimento, evitando-se assim um excesso de nitrogênio no solo que também poderia favorecer a lixiviação. Diversos trabalhos em áreas tropicais têm mostrado que, quando o ritmo de crescimento da cultura é elevado, as perdas de nitrogênio por lixiviação são desprezíveis. No entanto, se as condições forem favoráveis, estas podem ser significativas. Em um experimento com de cana-de-açúcar, onde foram aplicados 100 kg/ha de nitrogênio na forma de uréia, foi observada uma lixiviação de 28kg/ha do nitrogênio proveniente do adubo e de 22 kg/ha do nitrogênio proveniente da matéria orgânica. Neste caso, o processo de lixiviação foi favorecido pela elevada pluviosidade no período e pela textura do solo (média a arenosa) (Trivelin, 2000).
A época de aplicação em áreas de pastejo rotacionado também deve ser planejada com relação ao período de pastejo. O ideal é que as aplicações sejam feitas sempre após a saída dos animais, favorecendo uma rebrota rápida. Além disto, a competição entre as plantas logo após a saída dos animais é menor, favorecendo o perfilhamento, o desenvolvimento rápido e um melhor aproveitamento do adubo.
Em áreas irrigadas, também é interessante que a adubação seja feita pouco antes da irrigação. Deste modo, o adubo seria rapidamente incorporado ao solo, reduzindo as perdas por volatilização.
A escolha da forma do fertilizante vai depender do preço e das características de cada produto. No Brasil, o adubo nitrogenado mais utilizado é a uréia, devido ao seu custo por unidade de nitrogênio. No entanto, é preciso lembrar que esta é uma das formas mais sujeitas às perdas por volatilização. Em um experimento com capim elefante, onde se aplicou 100 kg/ha de nitrogênio, por exemplo, foi observada uma perda de 45 e 12 kg/ha de nitrogênio quando foi utilizado uréia e sulfato de amônio, respectivamente (Martha Júnior, 1999).
A escolha do equipamento utilizado para a distribuição do adubo deve ser baseada na uniformidade de distribuição, capacidade de calibração e autonomia. O uso de um equipamento adequado e em boas condições de conservação reduz o desperdício de adubo e o custo de aplicação, aumentando a eficiência da adubação.
Como foi visto, o uso de nitrogênio na agricultura é um assunto complexo. O objetivo desta série de artigos, portanto, não foi abordar todos os aspectos relacionados à adubação nitrogenada, mas sim alertar para o problema do uso indevido de fertilizantes nitrogenados e mostrar que existem alternativas para aumentar a eficiência da adubação.
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BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL
EM 31/03/2015
Obrigado.
Ronaldo Freitas

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/10/2007
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Duilio,
As temperaturas baixas, sem dúvida, restringem o desenvolvimento das forrageiras tropicias. No entanto, é muito difícil responder sua pergunta de forma direta, principalmente porque a matéria orgânica tem
grande efeito sobre a dinâmica do nitrogênio no solo.
Minha sugestão é que você faça algumas avaliações em sua região. Para isso, você deve demarcar alguns canteiros (3 x 4 m, por exemplo) no meio do pasto e
adubá-los com as doses de adubo que deseja testar (como se você estivesse adubando o pasto); deixe um canteiro sem adubo. Logo antes do pastejo, você corta o capim dos canteiros (pode cortar amostras de 1 x 1
m) e pesa.
Se conseguir determinar a matéria seca do capim é melhor (veja a descrição de um método simples utilizando forno de microndas nos artigos do radar Pastagens). Daí você pode estimar quanto teve de forragem a mais em virtude da adubação por meio da diferença entre a produção de capim nos canteiros com adubo e sem adubo.
Por favor, volte a entrar em contato conosco caso tenha ficado com alguma dúvida.
Atenciosamente,
Patricia Santos
Embrapa Pecuária Sudeste

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/06/2006
Gostaria de saber se vocês sabem os limites e a eficiência da adubação nitrogenada em capim elefante.
Agradeço a atenção.
<b>Resposta da autora:</b>
Prezado Edinaldo,
A eficiência da adubação nitrogenada é muito variável e depende de fatores relacionados à planta, ao solo e ao ambiente. Na literatura são encontrados valores variando de 5 a 80 kg MS/kg N aplicado, sendo mais freqüentes valores por volta de 40 kg MS/kg N aplicado. Atualmente, as áreas mais intensificadas utilizam valores por volta de 100 kg N/ha por ciclo de pastejo. Valores desta magnitude, no entanto, devem ser utilizados com cautela para evitar desperdícios.
Atenciosamente,
Patricia Menezes Santos