As rações para vacas secas, durante o período de transição, geralmente são exclusivas de forragem, e/ou com pouco uso de concentrado, e portanto, a concentração de potássio na ração destes animais é alta. Essas dietas têm grande diferença cátio-aniônica dietética, e pode comprometer a homeostase de cálcio de vacas no pré-parto, levando a alcalose, que reduz a habilidade da vaca em manter o equilíbrio de cálcio. Considerando que outros minerais tais como o cálcio, o fósforo, o sódio e o cloro são usualmente suplementados com o fornecimento de minerais, para balanceamento da dieta, o potássio normalmente não é adicionado.
Alguns estudos têm demonstrado os efeitos das forragens com relação ao balanço ácido-básico contrastantes e no metabolismo mineral de vacas no pré-parto. Assim, como o potássio é alto na maioria das forragens, e sendo ele o maior cátion que determina o balanço cátion-aniônico dietético, pesquisas com vacas pré-parto são interessantes para se estabelecer estratégias de manejo neste importante período.
Para estudar esse assunto, dezesseis vacas com duas ou mais lactações completas e sem episódios anteriores de hipocalcemia, foram colocadas em dois tratamentos na seguinte maneira:
Pré-parto:
Tratamento 1 (K13): Dieta a base de feno com concentração de 13,4 gramas de potássio por kg de matéria seca, mais complemento com concentrado.
Tratamento 2 (K33): Dieta a base de feno com concentração de 33,0 gramas de potássio por kg de matéria seca, mais complemento com concentrado.
Pós-parto:
Todas as vacas receberam a mesma dieta com 33,0 gramas de potássio por kg de matéria seca e o concentrado.
O feno do tratamento 1 foi conduzido sem adubação e secado em piso, visando minimizar a concentração de potássio. Por outro lado, o feno do tratamento 2 foi adubado com nitrato de amônio e com chorume.
Os resultados foram bastante interessantes. Das oito vacas de cada tratamento pré-parto, duas vacas do grupo K33 e uma vaca do grupo K13 sofreram com hipocalcemia e foram excluídas do experimento. Uma vaca do grupo K13 ficou deitada no dia após o parto e foi tratada para hipocalcemia. As médias dos valores de concentração cátion-aniônica dietética no pré-parto estão demonstrados na Tabela 1.
Tabela 1. Ingestão efetiva de nutrientes durante o pré-parto de vacas alimentadas com diferentes concentrações de potássio no feno.

Observou-se que o consumo de alimento diário foi similar em ambos os grupos durante o período pré-parto. Exceto para o Cálcio, a ingestão efetiva de nutrientes foi diferente entre os tratamentos. O consumo diário diminuiu no grupo K33 (maior potássio) dois dias antes do parto (Figura 1). Após o parto, o consumo de alimento no grupo K13 (menor potássio) aumentou.
Conforme apresentado na Tabela 1, a diminuição do potássio fez diminuir também a concentração de cloro. O cloro é um forte ânion e tem uma importante influência no balanço cátio-aniônico dietético, tanto que a diferença entre os tratamentos foi alta (195 vs 514 mEq/kg de MS).


Figura 1. Variação no consumo de MS e na concentração sérica de Cálcio de vacas no pré-parto alimentadas com diferentes concentrações de potássio na dieta.
Considerações finais
Os resultados deste estudo indicaram que a diminuição no balanço cátion-aniônico dietético é possível através do fornecimento de alimentos com baixa concentração de potássio. Esta diminuição de 514 para 195 mEq/ kg de MS, induziu uma variação na homeostase ácido-base no pré-parto e reduziu a alcalose metabólica. Assim, a alimentação de feno com baixo potássio no pré-parto aumentou o consumo de alimento durante os primeiros dias após o parto e aparentemente teve um efeito positivo no balanço de cálcio e fósforo de vacas no início da lactação, ou seja, foi benéfico.
Fonte:
M. RÉRAT , M., A. PHILIPP, A., HESS, H. D. ,LIESEGANG, A. Effect of different potassium levels in hay on acid-base status and mineral balance in periparturient dairy cows. J. Dairy Sci. v. 92, p. 6123-6133.
