É Pouco! Precisamos mais!
A indústria nacional de forma geral , que na busca da margem perdida para o varejo pressionava os preços ao produtor para baixo, forçada pela oferta de leite cru limitada e pela significativa alta dos custos de produção causadas pela elevação dos insumos ( principalmente da soja e milho ), da mão de obra e das condições climáticas adversas, baixou o tom.
Agora falam na manutenção dos preços, ou até mesmo de uma ligeira recuperação.
Isso é ainda é muito pouco! É preciso uma recuperação de preços ao produtor nacional significativa, que assegure a sustentabilidade econômica e motivação dos produtores brasileiros, para que a oferta não se reduza significativamente.
Os estoques de leite longa vida estão no nível mais baixo dos últimos 12 meses. As importações de leite em pó de 2012 no período de janeiro a agosto, na média estão 5% acima das de 2011, em torno de 100 milhões de litros equivalentes por mês. Mas a importação de agosto de 2012 foi 54% maior do que a de julho é um sinal de alerta , sinalizando no sentido de que as importações poderão crescer muito no período de setembro a dezembro deste ano em função da redução de oferta.
E a redução da oferta nesse período parece fazer sentido. De um lado só agora os produtores estão sentindo integralmente a elevação dos custos de produção, que até agora estariam diluídos em compras feitas antes da elevação dos preços. De outro os produtores estão sentindo agora o efeito de um “El Niño” fraco, caracterizado pela seca prolongada, e que embora de outubro a dezembro possa haver precipitação um pouco acima da média de longo prazo, por outro lado há incerteza sobre a regularidade das precipitações e a perspectiva que de janeiro em diante a precipitação poderá ser reduzida.
Por isso acho que se não houver logo uma sinalização de aumento significativo do preço ao produtor, que demonstre que a indústria está preocupada com a sustentabilidade econômica de seus fornecedores, teremos consequências por prazo longo, refletindo-se pelo menos por todo 2013.
Para os que argumentam que o leite cru brasileiro é dos mais caros do mundo, e que o aumento dos preços aos produtores se repassado aos consumidores pode causar retração da demanda, apresento para reflexão algumas contas.
Digamos que um aumento 15% no preço pagos aos produtores, dentro da estrutura atual de custos represente um aumento de 30% ao consumidor final, e que um leite longa vida vendido a R$ 2,20/litro passaria a custar R$ 2,9/litro. Se considerarmos que o consumo médio brasileiro é da ordem de 140 litros/pessoa/ano, isso representaria um acréscimo de R$ 98,00/pessoa/ano ou R$ 0,27/pessoa/dia. É muito pouco! Acredito que não causaria retração da demanda.
Mas se a indústria não pode absorver o aumento de custo necessário para pagar o necessário aos produtores, se esse aumento repassado ao consumidor de fato causar retração da demanda, o Governo para evitar essa retração de demanda, redução da atividade econômica, desemprego e problemas de saúde para a população pode tomar medidas para que o repasse de um preço que assegure a sustentabilidade econômica do produtor de leite e da indústria, como tem feito com outros setores, como reduzir impostos e desonerar folha de pagamento! Afinal o nosso setor gera renda e emprego significativo, semelhante aos da indústria de construção civil e da indústria de transformação metalúrgica, e não pode ser abandonado à própria sorte. Merecemos mais. É preciso que a indústria junto com os produtores busquem, junto ao Governo, o que for necessário para a sustentabilidade da cadeia produtiva, pois não admissível esperar que seja o produtor de leite que irá sustentar todos os problemas que afetam o setor.
Para os que alegam que o preço ao produtor brasileiro em US$ é o mais alto do mundo, é preciso que entendam no preço ao produtor está embutido o “custo Brasil” e que aqui produzimos em reais, e façam algumas contas.
Se um produtor recebe R$ 0,80/litro, a taxa de câmbio atual, de R$ 2,00/US$, isso representa US$ 0,40/litro. Digamos que esteja entre as mais altas do mundo. Mas se a taxa de câmbio fosse de R$ 2,60/US$, esse mesmo custo representaria US$ 0,31/litro, com certeza um dos mais baixos do mundo! E segundo economista real está sobrevalorizado com relação ao dólar americano em torno de 30%, e descontada a sobrevalorização da nossa moeda, o que realmente acontece é que o produtor nacional em US$ tem um dos preços mais baixos do mundo.
Não é possível a o Governo e a indústria pensarem que o produtor de leite é que vai arcar com todos os problemas da cadeia produtiva e ainda compensar as distorções cambiais.
A realidade é que, dentro da nossa realidade, o produtor de leite recebe pouco para cobrir seus custos de produção, merece mais e pode receber mais! E enquanto a situação atual não for mudada e se pagar ao produtor o necessário para ter sua atividade economicamente sustentável, o Brasil continuará, como acontece há décadas, sendo incapaz de atender seu mercado interno e um grande importador de leite.
Marcello de Moura Campos Filho
É pouco! Precisamos mais!
Diiscute a perspectiva dos preços ao produtor nesse final de 2012 ,
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.