É melhor recuperar ou reformar o pasto?

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Como já mencionado no artigo "Custo de recuperação e reforma de pastagens degradadas", publicado nesse radar em abril/03, uma das principais dúvidas dos pecuaristas brasileiros é o que fazer com as áreas em processo de degradação de sua propriedade. Por esse motivo, esse texto está sendo mais uma vez reeditado com os cálculos de custos atualizados.

Na reforma de pastagens, o produtor prepara o solo, implanta medidas de conservação, corrige e aduba o solo e semeia a planta forrageira. Durante a recuperação, a pastagem é revitalizada por meio da adubação e correção do solo, do controle de plantas daninhas e da adequação do manejo da planta forrageira.

O controle de plantas daninhas em pastagens pode ser feito de várias formas. O mais comum é a roçagem, manual ou mecanizada. Esse método, no entanto, é pouco eficaz para plantas que apresentam capacidade de rebrota (ex: leiteiro, assa-peixe, camará, etc). Nesses casos, a alternativa seria a aplicação de herbicidas.

As relações entre os valores dos produtos pecuários (carne e leite) e os insumos agrícolas (fertilizantes, herbicidas, combustível e sementes), devem ser constantemente analisadas. Certas ações dentro dos sistemas de produção podem ser corretas e economicamente mais interessantes ou não, dependendo do custo dos insumos.

No último ano, o custo dos herbicidas aumentou bem mais que o produto agrícola, chegando a inviabilizar a recuperação do pasto em áreas muito infestadas. Da mesma forma, assistimos a um aumento considerável dos fertilizantes, principalmente os nitrogenados.

A Tabela 1 apresenta a avaliação de custos de uma área em reforma e de três sistemas de recuperação. As áreas em recuperação se diferenciam devido ao grau de infestação de plantas daninhas. Áreas mais infestadas são aquelas onde ainda é possível se fazer a recuperação, pois, mesmo devido ao alto grau de daninhas, o stand da forrageira ainda é bom. Nesse caso, o controle das plantas daninhas deve ser via foliar e também no toco. Áreas com grau de infestação médio, são aquelas onde é possível a recuperação apenas com a aplicação foliar. Áreas com grau baixo de infestação, são aquelas que praticamente não apresentam plantas daninhas e que, apenas uma recuperação química é suficiente.

Tabela 1. Custos de recuperação de pastagens diante do grau de infestação de daninhas comprado à reforma da pastagem (valores em reias).

Figura 1

Nota-se que as áreas de maior infestação de plantas daninhas não são viáveis de serem recuperadas, pois seus custos são maiores que a própria reforma. Entretanto, deve se ressaltar que áreas declivosas, sujeitas a erosões e com impedimentos físicos (solos rasos e com pedras) sempre serão áreas de recuperação. Nelas, a reforma deve ser evitada ao máximo. Nesses casos, o custo é menos importante.

Comentário dos autores:

Para decidir se irá reformar ou recuperar o pasto, o pecuarista deve se basear tanto em informações técnicas quanto na análise econômica do processo como um todo. Essa análise deve ser feita sempre que se for começar a trabalhar em uma nova área, pois tanto o preço dos insumos quanto as condições dos pastos (nível de infestação e tipo de planta daninha) podem ser alterados.
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Material escrito por:

Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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