É hora de fazer conta

Sugere ao produtor fazer conta para ver se não é o caso de reduzir produção e custos em função da perspectiva de baixa de preços ai produtor e de aumento dos custos de produção.

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É hora de fazer conta

No último leilão gDT o preço do leite em pó intrgral caiu para U$ 2.584/t, uma redução de 5.8% com relação ao anterior. No Rio Grande do Sul o Conseleite indica que o leite deve ter uma redução de 1,19%. Na Europa os produtores fazem o “lago de leite” e os do Reino Unido ameaçam descartar o leite em protesto aos baixos preços que recebem.

Parece que estamos num momento em que demanda por leite está menor que a oferta, provocando baixa de preços.

Por outro lado as condições climáticas tem provocado quebras de safra de soja e milho e estamos num momento de custos de produção em alta.

Ora, quando os preços não cobrem os custos de produção temos prejuízo e quanto mais produzirmos maior será o prejuízo.

É hora do produtor de leite fazer conta para verificar se, nesse segundo semestre de 2012, não compensa reduzir um pouco o custo de alimentação e reduzir um pouco sua produção de leite para evitar ou minimizar o prejuízo que possa ter nesse período, aguardando o início de 2013 para avaliar, em função das perspectivas de preço, se deve ou não voltar a aumentar os gastos com alimentação e aumentar a produção.

Marcello de Moura Campos Filho
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Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/07/2012

Prezado Michel Valter Kazanowiski: Perfeita a sua observação. Qualquer redução não deve e não pode atingir aos runos do empreendimento. Além do mais, o custo pode ser minimizado se estivermos, sempre, antenados com as possibilidades de comprar bem os insumos que movem o nosso sistema, participando de leilões reguladores de estoque (CONAB), adquirindo produtos diretamente de bons produtores, sem passagem por indústrias ou atravessadores, substituindo grãos e outros aditivos pelos que encontram-se em preço mais acessível no mercado e que terão idêntico teor alimentar e, principalmente, ampliando áreas de cultivo (milho, cana).
Enfim, hora de sermos profissionais.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/07/2012

Prezado Michel Valter Kazanoski

Agradeço os comentários, muito pertinentes.

Realmente na redução de custos e produção, que me parece a primeira medida de ajuste a ser estudada para enfrentar a crise em perspectiva, temos que ter cuidado para não prejudicar demais a reprodução e as novilhas prenhes.

A redução de custos e produção tem por limite a sanidade do rebanho, e se não for suficiente para evitar prejuizos, o produtor tem que pensar em reduzir o plantel para ter caixa para manter a sanidade do rebanho. No descarte, de fato a prioridade serão vacas mais velhas, com problemas de úbere ou CSS elevada e as menos produtivas.

Precisamos fazer conta e tomar as medidas necessárias para enfrentar a crise em perspectiva, e assim, como você bem disse, esperar ventos melhores.

Os que não fizerem conta e não tomarem providências poderão ser arrastado pelos fortes ventos da crise e deixarem a atividade.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Michel Kazanowski
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 25/07/2012

Caro Marcelo,
Entendo sua preocupação. Vejo produtores de suino de SC matando leitões logo que nascem, pois crialos é prejizo certo.
Porem temos que nos atentar a algumas peculiaridade da pecuaria leiteira.
Reduzir o custo e a produção afim que os preço se estabilizam pode ser uma boa saida. Mas, temos que tomar cuidado para não comprometer nosso rebanho. Se escolhermos reduzir custos de alimentação, jamais vamos fazer isso tirando comida de vacas recem paridas, pois isso comprometera a reprodução, consequentemente a produção do ano que vem. Se vamos cortar devemos começar a fazer isso secando vacas de baixa produção. Em seguida descartar vacas de baixa persistencia, com mastite cronica, com problemas de locomoção, que estão secando e ainda estão vazias, que tem histórico de problemas reprodutivos, etc.
Fazendo isso gastaremos menos em comida, menos em veterinário, e ainda, nos livraremos de alguns problemas dentro do rebanho que estavamos relutando em fazer. Além disso podemos, com isso, gerar receita para melhor passar pelo periodo de crise.
O que jamais devemos fazer é cortar alimento de vacas frescas e de novilhas prenhes. ou descartar novilhas de reposição para ficar com vacas velhas.
Fazendo isso nos mantemos a espera de ventos melhores.

Abraço

Michel Kazanowski
Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/07/2012

Prezado Gilson Gonçalves Costa: Certamente, não vou ter que optar nos termos que você anuncia, porquer procuro uma coisa que poucos procuram - eficiência. Posso ter uma redução de produtividade, posso ter que receber menos pelo litro de meu leite, mas, com certeza, vou à luta, não me abalo com crises, mesmo sabendo que elas não são a "marolinha" do ex-presidente Lula. Não dou passos maiores do que as pernas podem suportar e, por isso, não tenho dívidas, o que já é uma grande vitória no mundo de hoje.
O lucro é o anseio de todo empresário, seja ele urbano ou rural. No meu caso, não é diferente e acredite, ele não vem só do leite.
O laticínio não quer, mesmo, saber qual a cor da vaca que produz o leite, mas, sim, como ele é produzido e em que volume pode ser comprado. Aí está a diferença. Como o Marcello alertou, muitos ficarão durante a jornada, mas os sobreviventes, herdarão a terra (rsrsrs).
Quem produzir mais, com qualidade e menos custo, será o "Senhor dos Anéis".
Espero que nós estejamos entre eles.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/07/2012

Prezado Marcelo de Moura Campos: A Fazenda Sesmaria produz leite desde 1950, com meu avô, José Moreira de Mello Franco, um dos pioneiros da criação de Gado Holandês na Zona da Mata/Sul de Minas Gerais, selecionador que saiu de um gado pé duro e chegou ao Holandês Puro por Cruzamento (GC-9), em uma época em que a inseminação artificial era incipiente e uma vaca de elite produzia pouco mais de vinte litros de leite/dia.
Seu gado, com certeza, não é "curraleiro", pois este é aquele com que o meu avô começou sua criação e que, hoje, chamamos de "tatu com cobra", ou seja, sem raça, sem leite, sem futuro. Nem de longe sonha com a sua produtividade de mais de vinte litros/animal/dia.
Quanto à crise, temos em nossa história uma sucessão delas e estamos, eu e você, sobrevivendo, eis que já estamos com meio século de devaneio e insistência. Muitos, você bem o disse, ficaram pelo caminho, mas, nós, não. Somos brasileiros, afinal (rsrsrs).
A situação é bastante grave, mas, abandonar o navio creio que não resolve nada.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

Prezados Marcos e Gilson Gonçalves Costa

Agradeço os comentários.

De fato quem depende da atividade leiteira para viver terá que fazer contas e tomar as medidas necessárias para superar a crise e e poder continuar como produtor de leite.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Gilson Gonçalves Costa
GILSON GONÇALVES COSTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

Olá Marcello, ótimo o seu comentário, curto e real.
O Guilherme vai chegar num ponto que terá de decidir de quem vai tratar, das suas vacas ou da sua família ou então tem uma renda muito boa trabalhando como advogado e não precisa de obter lucro com o leite.
Mas ninguém em sã consciencia rasga dinheiro e portanto corroboro tudo o que você escreveu, quem tiver os pés no chão reduza suas contas, não invista e diminua os custo mais do devia. Isso serve para confinadores, gado a pasto, holandes, tucura, registrado e também sem registro. Ao comprar o leite os laticinios não perguntam sua origem.
Abç do Gilson G Costa
marcos
MARCOS

ESPERANÇA NOVA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

se um produtor tem com funcionário ração pasto remédios para produzir alimento e não lhe é garantido um preso justo que cubra as desprezas e lhe sobre augura marge de lucro como é posivél continuar nessa profisão
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

Prezado Guilherme Alves de Melo Franco

Continuação do comentário anterior:

Por isso meu amigo, penso que é hora de fazer contas, e num primeiro momento tentar reduzir o custo de produção, mesmo que isso signifique uma redução de produção e aumento de intervalo entre partos. Se isso não for suficiente para sobreviver, o corte terá que ser mais profundo, envolvendo redução de plantel.

O meu desejo é que você, eu e todos os produtores de leite possam resolver seus problemas e passar por essa crise. Mas o passado indica que nem todos conseguirão, muitos ficarão pelo caminho. Os que continuarão é porque conseguiram equacionar seus problemas, que com certeza começam pelos ajustes de custos de nutrição e de volume de produção dentro da realidade de cada produtor, e pode chegar a redução do plantel para haver caixa para manter a sanidade do que plantel remanescente.

Grande abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

Prezado Guilherme Alves de Mello Franco

Na Fazenda Moura trabalhamos com leite a 47 anos, pelo que entendo 40 a mais do que a Fazenda Sesmaria. Nesses anos vimos muita gente que entrou e saiu do leite, e nos anos que com certeza veremos isso se repetir.

Você é defensor ardoroso do sistema de free stall, provavelmente trabalha com uma média de estabulo de 30 a 40 litros por anima em ordenha, que naturalmente é um gado de elite gado de elite. O que você chama de gado curraleiro? Nós na Fazenda Moura trabalhamos com um gado com média entre 20 e 23 litros por vaca em ordenha conforme a época do ano, num sistema de pastejo rotacionado com suplentação de volumoso e concentrado no cocho. O nosso gado seria curraleiro? Creio que não, para o nosso sistema de manejo pode ser considerado um gado de elite.

Estamos vivendo um momento difícil onde a situação econômica mundial e o mercado de leite aponta para uma tendência de queda enquanto os custos de produção para uma tendência de aumento, e particularmente com os preços da soja e milho disparando e atingindo valores elevadíssimos.

O produtor para sobreviver terá que enfrentar essa situação

É óbvio que o gado que trabalhamos não serve para seu sistema de manejo, das mesma forma que seu gado não serve para o nosso sistema de manejo. Qualquer um que conheça os fundamentos de nutrição e requisitos nutricionais de animais leiteiros sabe que o animal que você trabalha é muito mais sensível a variações na dieta do que os animais como o que trabalhamos. Isso significa que produtores que trabalham com animais e sistema de manejo como os seu terão um limite mais estreito de variação de dieta do que produtores que trabalham com amimais e sistema de manejos semelhantes aos meus.

E se o limite de ajuste da dieta em função do queda de preços e do aumento de custos não for suficiente para equilibrar a situação econômico-financeira do produtor, a menos que quem exerça a atividade leiteira o faça apenas por prazer, tendo recursos suficiente de outras para bancar o prejuízo, terá que vender algumas vacas ( provavelmente para o gancho pois em época de crise é difícil achar quem invista em aumentar o plantel e a produção ) para poder assegurar a alimentação mínima necessária para assegurar a sanidade de seus animais.

O mundo vive um período de crise, a pecuária leiteira pode ficar entre a cruz e a espada, ou seja entre preços baixos e custos altos, e o produtor de leite, repito, a menos que tenha muito recurso e exerça a atividade apenas por prazer, não pode ignorar isso e continuar tocando sua propriedade leiteira como se nada tivesse acontecendo, sem fazer nenhum ajuste. O meu modesto artigo teve por objetivo apenas chamar a atenção do produtor para isso.

Grande abraço

Continua no comentário seguinte
Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2012

Prezado Marcelo de Moura Campos Filho: O que vamos fazer? Matar nossas matrizes de fome? Sim, porque o procedimento de diminuição do montante de leite produzido, se tende a ser eficaz num gado comum (curraleiro), bastando cortar parte de sua alimentação, num gado de elite, de produção em escala, isto não funiciona bem assim. A situação é sanitária e a alimentação não se presta, apenas e tão somente, à produção. Sem o alimento devido, as vacas, acostumadas ao sistema em que se encontram, vão adoecer, com a máxima certeza, eis que estarão a mercê de estresse e de outras doenças comportamentais e físicas. Por outro lado, esta simples redução alimentar, em alguns casos, pode ser a decretação da morte de várias matrizes, principalmente, as criadas a pasto, eis que este está virando palha e não se encontra mais qualquer broto ou planta nova em seus limites.
Lembro que estamos lidando com seres vivos, não com máquinas, e não podemos fechar uma torneira, desligar uma chave, diminuir sua aceleração a nosso próprio alvedrio: a natureza, em tese, se encaregaria disso, mas as consequências poderão ser funestas.
Talvez a redução que você prega seja muito mais prejudicial ao bolso do produtor que a baixa pelo litro de leite produzido.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
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