Diferenças entre o que o produtor recebe na Nova Zelândia e no Brasil
Discute os preços que o produtor da Nova Zelândia deverá receber na safra 2010/2011 em US$/kg, a correspondênvia em R$/kg para diferntes situações de câmbio e formula perguntas a representantes da indústria e do Governo sobre a consequência da diferença de relidade de preços na Nova Zelândia e no Brasil na oferta de leite pela pecuária leiteira nacional.
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O Giro Lácteo publicou a matéria "Fonterra aumenta a previsão de pagamento para a safra 2010/11", que deveria ser objeto de reflexão dos produtores, de representantes da indústria e do Governo.
Coloco a seguir o meu entendimento relativo à matéria e formulo algumas perguntas.
Pela notícia o preço do leite a ser pago aos produtores da NZ na estação 2010/2011 será de US$ 0,4428/kg.
Se convertemos em reais para as taxas de câmbio de 1,75 R$/US ( real sobrevalorizado ) e R$ 2,30 ( real sem sobrebalorização ), o preço recebido pelo produtor da NZ seria de respectivamnente R$ 0,775/kg e R$ R$ 1.018/kg.
Mas se considerarmos o lucro a ser distribuido, o produtor da NZ na estação 2010/2011 estaria recebendo algo entre US$ 0,4686/kg a US$ 0,4755/kg, que convertendo em reais considerando o câmbio de R$ 1,75/US$ ( real sobrevalorizado ) e R$ 2,30/US$ ( real sem sobrevalorização ) representaria respectivamente uma faixa entre R$ 0,820/kg a R$ 0,832/kg para a situação do real sobrevalorizado e entre R$ 1,078/kg a R$ 1,094/kg para o real sem sobrevalorização.
Isso posto, a primeira pergunta é para a equipe do Milkpoint: o meu entendimento está correto?
A segunda pergunta seria para a indústria e para o Governo: o que acham dos preço preços que recebem os produtores na Nova Zelândia e no Brasil - face as diferenças dessas realidades a nossa pecuária de leite terá condições de produzir para abastecer o mercado interno e ainda ter excedentes para exportar?
Marcello de Moura Campos Filho
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MilkPoint
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ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/12/2010
Respondendo a pergunta do Marcello, sim, se os produtores deixarem de fornecer seu leite à Fonterra, podem vender as ações. Normalmente as compras e vendes ocorrem sempre no início da safra, que é dia 01 de Junho de cada ano. Acredito que o preço é definido todo ano em Maio, no entanto, vi uma notícia semana passada dizendo que a Fonterra prevê que o preço de cada ação no ano que vem será o mesmo, de NZ$4,52.
Antes, a Fonterra mesmo recomprava a ação dos produtores, mas após a restruturação da cooperativa, essa transação agora é feita de produtor para produtor, assim a Fonterra não precisa usar seu capital para recomprar ações que já estão no mercado. Ah, vale lembrar que esse mercado é aberto apenas para os produtores, e não para investidores que não produzem leite.
Mas não tenho dúvida que o preço atual está favorável. No entanto, no último mês, vimos o preço da gasolina subir de NZ$1,72 para NZ$1,94 o litro. E, lembrando, que a mão-de-obra por aqui não é nada barata. Um funcionário que trabalha em período integral (média de 50 a 55horas semanais), sem experiência ou com 01 ano de experiência, custa ao produtor cerca de NZ$30 a NZ$35 mil por ano (na cotação de hoje, R$37.860,00 a R$44.170,00).
Agora gostaria de fazer uma pergunta ao Laércio Barbosa em relação aos preços divulgados por ele.
Caro Laércio, em seu comentário você disse o seguinte: "Por esse valor teríamos então o leite ao produtor na Nova Zelandia sendo remunerado entre R$ 0,56 (leite sem a distribuição de lucro) e R$ 0,60 (considerando-se a distribuição de lucro). "
Se possível, gostaria de saber como é que você chegou nesse resultado? Acredito que você considerou o leite produzido na NZ com teor de sólidos (gordura proteína) em torno de 6,5%, foi isso mesmo?
Grande abraço a todos,
Fabiano.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/12/2010
Face sua colocação de haver engano, contatei o Rodolfo, que me disse que a Fonterra informa os valores em doláres neozelandeses e doláres americanos, e que no Milkpoint usam sempre o valor em dolares americanos. Dessa forma, no artigo "Fonterra aumenta previsão de preços para a safra 2010-11", publicada no Giro Lácteo, os valores estão realmente em dolares americanos, e portanto não há engano nas considerações que fiz no post "Diferença entre o que o produtor recebe na Nova Zelândia e no Brasil". Apenas resalvo o comentário do Marcelo Carvalho, que existe uma diferença significativa em termos de sólidos no leite, que precisariáimos considerar para termos uma comparação melhor entre o que o produtor daqui e de lá recebem.
Eu diria que ainda bem que não houve engano grosseiro, pois se para competir com o leite de fora o produtor nacional tiver que receber na faixa de R$ 0,56 a R$ 0,60 por kg de leite, a maior parte dos produtores especializados que representam algum avanço na nossa pecuária de leite, que estão com custos na faixa de R$ 0,68 a R$ 0,72 por kg de leite produzido, poderiam desistir de produzir leite. A tendência seria ficarmos só com os produtores não especializados de baixissima produtividade, e a perspectiva para o futuro seria o Brasil, assim como o fez ao longo do passado ( com excessão do periodo 2004 a 2008 ) ser importador de leite. Graças a Deus os neozelandezes são bons produtores de leite mas não tão bons que não possamos enfrenta-los trabalhando com apoio da indústria e do Governo para melhorar a produtividade e reduzir os custos de produção. Acredito que trabalhando com preços realistas para o produtor nacional, integrando esforços de associações de produtores, da indústria e do Governo para aumentar a produtividade e reduzir custos dos nossos produtores, poderemos aumentar a competividade da nossa pecuária leiteira de forma a assegurar que em alguns anos tenhamos reais condições de abastecer nosso mercado externo e nos tornar efetivamente exportadores de leite.
Deixo a pergunta: o que a indústria poderá fazer para melhorar a produtividade e reduzir custos de produção de seus fornecedores de leite para que possamos ser competitivos e a atividade de produzir leite ser econômicamente sustentável? A mesma pergunta vale para o governo, sobretudo pelo que o setor leiteiro representa em termos de geração de renda e trabalho no País.
Agora o problema cambial, com a sobrevalorização do real com relação à moeda americana, me parece um problema conjuntural de grande gravidade, que se não for equacionado rapidamente poderá prazer grandes prejuízos para o setor leiteiro nacional e para a geração de renda e trabalho no interior do País.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 15/12/2010
Acho que houve um engano quanto à taxa de conversão, pois os valores informados pela Fonterra são em dolares neozelandezes (NZD), cuja taxa de cambio é de 1,27 R$/NZD.
Por esse valor teríamos então o leite ao produtor na Nova Zelandia sendo remunerado entre R$ 0,56 (leite sem a distribuição de lucro) e R$ 0,60 (considerando-se a distribuição de lucro).
Analisando esses números, fica claro porque a Nova Zelandia é o maior exportador mundial de lácteos, tornando-se impossível para o Brasil competir com esses preços no mercado internacional.
A atual política cambial está causando um enorme prejuízo ao país, que hoje vive uma clara desindustrialização, com a substituição de produção nacional por produtos importados.
No setor lácteo também se observa claramente estes efeitos, e em 2010 teremos o pior resultado na balança comercial dos últimos 8 anos, com um déficit de mais de 130 milhões de dólares.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/12/2010
No meu modo de ver um êrro não justifica o outro, e se quisermos resolver todos os problemas de uma vez, acabaremos não resolvendo nenhum.
Veja, com o real sobrevalorizado em mais de 30% com relação ao dolar, o adubo que usa matéria prima importada deveria ter caido muito de preço. Isso aconteceu? O que se vê é que quando o dolar se valoriza com relação ao real o preço sobe muito quase que instantâneamente, e quando se desvaloriza, a queda é lenta e muitas vezes não proporcional à desvalorização do dolar.
A questão cambial, com o real sobrevalorizado, é um problema enorme pois avilta os preços ao produtor em reais, provoca excesso de oferta pois leite e lácteos estarão sendo importados a preços mais convidativos ao consumidor, e se não tiver uma solução logo provocará um prejuizo enorme à pecuária leiteira nacinaonal e à geração de renda e empregos no interior do País. No meu ver a solução desse problema deve ser pruorizado.
Os demais problemas teremos que ir resolvendo caso a caso com um pouco mais de tempo
Abraço
Marcello
NITERÓI - RIO DE JANEIRO
EM 14/12/2010
O seu comentário está perfeito, o cambio atualmente tem sido o maior entrave em estabelecer um preço justo para o produtor. Mas pergunto: Se fizessemos um ajuste no cambio de forma a acbar com esta sobrevalorização, o que aconteceria com os preços dos principais insumos utilizados na pecuária de leite?
Num país civilizado economicamente os preços só sobem se houver realmente necessidade, diferentemente do Brasil onde os preços já preveem subidas independente que qualquer situação, alguns preços já tem até formulas de elevação previstas em contrato.
De nada adiantaria intensificar a produção se o novo patamar de ganhos seria completamente absorvido por altas no custo de produção, estariamos novamente de volta a situação anterior.
Certamente vai ser necessário um esforço muito maior para estabelecer uma estrutura de custos e preços que permita ganhos a todos de forma civilizada.
Um grande abraço
Ramon

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/12/2010
É importante ter em mente que o que o produtor compra de ações da Fonterra é patrimônio dele, é investimento. Pelo que sei, cada produtor na Nova Zelândia tem muito dinheiro investido en ações da Fonterra. Se ele deixar de produzir leite ele perde essas ações ou pde vender? Se pode vender, tem que ser considerado no preço que ele recebe, o que parece que sempre que se fala do que o produtor de lá recebe, este aspecto é omitido.
Mas me parece que mesmo o preço sem os dividendo, se corrigida a distorção cambial, parece ser bem maior do que o que o nosso produtor recebe.
Por isso na minha página do MyPoynt coloquei o post "Diferenças entre o que o produtor recebe na Nova Zelândia e no Brasil", para a reflexão não só dos nossos produtores e suas entidades de representação mas também do Governo e da nossa indústria. Essa reflexão é importante se quisermos deixar de ser, com excessão do período de 2004 a 2008, importadores de leite para poder atender ao consumo interno, deixando de gerar expressiva renda e trabalho no interior de nosso País.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/12/2010
Bom, a previsão de pagamente para a safra 2010/2011 acabou de subir para nz$6,90 por kg de sólido (% de gordura proteína). Digamos que o produtor consiga atingir uma média de 8,5% (gordura proteína) em seu leite durante toda a safra, ele receberia cerca de NZ$0,5865 (na cotação de hoje, seria igual a R$0,75 por litro)... mas isso também depende de qual é o teor da gordura e qual é o da proteína, pois ambos têm preços diferentes, e depois ainda tem um ajuste, para mais ou para menos, comparando o teor sólido do leite desse produtor com o teor dos outros produtores. Na última carta desse artigo (http://www.milkpoint.com.br/leite-a-pasto-seria-realmente-rentavel_noticia_61705_50_128_.aspx), tem uma explicação melhor de como o leite é pago.
Em relação ao lucro distribuído e dividendos, a Fonterra pretende "pagar" cerca de NZ$0,40 a NZ$0,50, ou seja, o preço seria de NZ$7,30 a NZ$7,40 por kg de sólido. Mas, a Fonterra ainda retém parte desse lucro/dividendo para aumentar o próprio capital da cooperativa, possibilitando aumentar seus investimentos. Ou seja, o que eles estão prevendo, é que o produtor receba cerca de NZ$7,15 a NZ$7,25 por kg de sólido. Se considerarmos um teor de 8,5%(prot gord), o pagamento seria de NZ$0,6077 a NZ$0,6162 (R$0,78 a R$0,79 por litro).
O dividendo/lucro distribuído ajuda bem, mas é bom lembrar que para cada kg de sólido que o produtor fornece à Fonterra, ele precisa imobilizar seu capital comprando 01 ação, que hoje custa NZ$4,52/ação (R$5,80)
Nesse site (https://www.fonterra.com/wps/wcm/connect/fonterracom/fonterra.com/our business/news/media releases/fonterra increases 201011 forecast milk price by 30 cents to 6.90 per kgms), tem a notícia sobre esse aumento, é o próprio site da Fonterra.
Espero ter ajudado no esclarecimento.
Grande abraço,
Fabiano.