Para minimizar os efeitos do stress térmico em vacas de leite, há 3 formas de atuação: 1) modificação física do ambiente, 2) desenvolvimento genético de raças menos sensíveis e 3) manejo de alimentação e nutrição.
No curto prazo, a estratégia que envolve modificação física do ambiente é a que gera maiores resultados. Dentre as práticas envolvidas com a modificação física, o primeiro passo é o fornecimento de sombra aos animais, uma vez que esta prática reduz o stress térmico pela interceptação da radiação solar direta.
A sombra natural (árvores) é de melhor qualidade que a artificial, pois as árvores transpiram, liberando umidade ao ambiente, que é então resfriado. Também, como as folhas das árvores são geralmente mais frias do que o ambiente em volta, a emissão de radiação aos animais é reduzida. Porém, nem sempre o uso de sombras naturais é possível, sendo necessário lançar mão de métodos artificiais.
Dentre as sombras artificiais, o mais prático tem sido a utilização dos chamados "sombrites", que promovem grau variado de interceptação da radiação solar direta. Este sombrites variam de 30 a 90% de interceptação, sendo mais comum o uso de material de polipropileno com 80% de sombreamento.
A efetividade é da sombra é função de vários aspectos, como a altura: quanto mais alto o pé-direito, maior é a velocidade do ar sobre o telhado, reduzindo sua temperatura. Deste modo, o calor irradiado ao animal é menor. A temperatura do terreno ao redor do animal também influencia a quantidade de calor irradiada para o animal. Também, aumentando-se o tamanho da sombra, obtém-se redução da temperatura do solo. Logo, manipulando-se a orientação, o tamanho e a altura do abrigo, consegue-se reduzir a temperatura radiante do abrigo. Em Israel, tem-se adotado estas práticas, com altura mínima do abrigo de 5 m e área por animal variando entre 10 a 16 m2. BUCKLIN et alii (1992) citam valores de 4,2 a 5,6 m2/vaca e altura mínima de 3,5 metros para climas úmidos.
BUCKLIN et alii (1992) observam que a orientação dos sombrites é importante. Durante o verão, uma porcentagem maior da sombra fica sob a estrutura quando o eixo maior do sombrite é disposto na orientação leste-oeste. Se o objetivo for maximizar a secagem do solo (climas mais úmidos), a orientação deve ser norte-sul (ARMSTRONG, 1993; BRAY & BUCKLIN, 1995). Desta forma, em climas tropicais úmidos, deve-se adotar orientação norte-sul quando se utiliza sombrites, visto que há a necessidade de secar o solo.
Algumas dicas adicionais:
1) Não colocar os sombrites a uma distância muito grande dos pontos de água e alimentação, pois isto desestimula a ida dos animais a estes pontos. Vinte ou trinta metros seria uma boa medida.
2) Não adianta trabalhar com metragem menor por vaca. A formação de barro e calor interno aumentam muito.
3) É interessante procurar trabalhar com boa drenagem sob a estrutura. Uma opção é fazer um "murundum" de terra no centro do sombrite, de forma que a água escorra para fora.
4) Se possível, é interessante trabalhar com um piquete de sobra para que, quando a situação ficar crítica embaixo do sombrite, haja outra opção de alocação dos animais.
5) Deve-se providenciar sombra também para vacas secas e em pré-parto. Há dados mostrando redução na produção de leite quando isto não é feito de forma adequada.
Segue abaixo uma figura esquemática mostrando a orientação correta e incorreta para sombrites cujo objetivo é permitir a secagem da área sombreada.

Crédito da foto: Revista Balde Branco, março 99
fonte: MilkPoint
