Diagnóstico precoce de doenças: caminho para eficácia

Nestes anos de atuação no campo, por diversas vezes perdemos, infelizmente, alguns animais. Bezerras, novilhas, vacas... é duro, mas faz parte também da realidade.

Publicado por: MilkPoint

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Nestes anos de atuação no campo, por diversas vezes perdemos, infelizmente, alguns animais. Bezerras, novilhas, vacas... é duro, mas faz parte também da realidade.

Muitos relutam ou escondem a ineficiência. Outro, o que ao meu ver é pior, sequer coletam dados ou armazenam os mesmos de modo que alguma estatísca seja levantada. O ano de 2009 acabou. Com ele, vários relatórios foram produzidos. Afinal, de que adianta números e mais números? Coletamos os dados para montarmos estatíscas e diagnósticos que possam nos encaminhar ao rumo (suposto) correto, de acordo com nosso objetivos. É a hora de levantarmos o nº de nascimentos, nº de animais descartados, nº de mortes (perdas), eficiência da inseminação, taxa de concepção... e aí? Como foi seu ano? Foi bom? Melhorou, piorou? Por quê?

Não fico muito preocupado com o valor "em si" dos índices zootécnicos levantados, mas sim em saber o "por quê" da melhoria ou queda de determinados coeficientes e o que podemos fazer para melhorar. Isso para mim, é gerenciamento, ou seja, fundamental.

Dentre os fatores que tenho observado ao longo dos anos, alguns me "prendem" a atenção como: mortes (perdas). Outro dia, um colega conversando comigo disse: "as mortes são inevitáveis!". Sim claro, são inevitáveis. Pela lógica, tudo o que tem vida um dia, morre. No entanto, morre por quê? Qual foi (ou quais foram) a causa mortis?

Nos últimos anos, não tenho conseguido, ainda, enquadrar os índices de mortalidade em valores que considero "razoáveis" (... eu assumo, não me escondo!) no entanto, a eficiência de muitos tratamentos melhorou. Principalmente nos animais jovens.

Creio que a pior coisa para uma fazenda é a perda de um animal que ainda não produziu. Independente da idade. Alguns "tolos" chegam a comentar: "ainda bem que morreu a bezerra e não a vaca tal... já imaginou perder 1 vaca de 50 kg de leite/dia..??". Para mim, o "peso" é no ´mínimo o mesmo, ou pior. Aquela bezerra que acabou de morrer na sua frente, pela lógica (se o produtor investe em genética) deve ser igual ou superior as atuais matrizes em produção. Muitas vezes, perdemos uma boa matriz. Dependendo da lactação (nº), a mesma já "se pagou" ou entrou na "fase positiva da curva", ou seja, está começando a amortizar o capital investido nela mesma. Agora, e quando perdemos uma bezerra ou novilha: prejuízo realizado! na certa! A melhor forma para amenizar perdas é trabalhar perto das "meninas". Fiscalizar. O maior nº de vezes possível.

Ultimamente (anos) tenho, acompanhado cada vez mais de perto as categorias. Recomendo tratamentos (respeitando claro, receitas veterinárias, afinal, sou agrônomo) sempre um pouco antes ou no início de cada problema. A "eficácia" (que é um conceito diferente de "eficiência de tratamento") aumenta muito. Em outras palavras, o resultado final é melhor.

Um exemplo banal: diarréia em bezerras. O comportamento da mesma muda, antes de o problema se instalar. Quase sempre, a velocidade da mamada, muda (voracidade). Logo se não for você que fornece o leite diariamente, deve estar sintonizado com quem trata das bezerras e conversar com esta pessoa, diariamente. Esta pessoa, por sua vez, deve ter boa vontade e saber, pelo menos identificar alterações comportamentais. O consumo de leite, como disse, é um bom indicativo. Bezerras com febre, quase sempre ficam prostradas, orelhas baixas e caídas. Isso é basal. Repito: basal. De longe é possível identificar o problema. Identificou, termômetro nela, para saber em que "estágio" a "coisa" se encontra. Temperaturas como 39,5ºC a 40,5ºC, sorria! Você terá grandes chances de ter eficácia no seu tratamento que, por sua vez depende de uma recomendação "eficiente" (ou seja um protocolo de tratamento eficiente) do seu veterinário. É necessário conversar com os colegas da área veterinária e estabelecer protocolos de tratamento para diferentes sintomatologias, principalmente em sistemas de produção geridos por profissionais da área que não sejam médicos veterinários. Podemos entrar com determinada antibioticoterapia e a mesma pode não dar resultado. Na sequência, é necessário saber o que fazer. O controle da temperatura corporal e da dor, pode ser monitorado e controlado por qualquer um. Exatamente como uma mamãe faz quando seu bebê ou filho pequeno começa com febre e fica inapetente. O trabalho adequado com antibióticos, no entanto, depende da orientação de um bom profissional. A diferença é que com humanos, não é recomendável a auto-medicação. Em ambos os casos, claro. O que quero dizer é que, não há tempo hábil para "esperar" o que fazer. O diagnóstico precoce, é fundamental. Muito importante. Começou a ficar diferente. Não hesite. Intervenha!

Quem nunca se deparou com uma vaca debilitada e caída. Animal fraco, inapetente, desidratado, sem forças para levantar. Em muitos casos, veterinários, principalmente, são acionados: "para resolver o problema". Este estágio já não é mais um problema, infelizmente. É quase uma certeza: a perda do animal. Sei que não é fácil. Não sabemos nem escolhemos o momento que uma vaca vai cair ou, se debilitada vai "ressucitar".

No entanto, hoje, principalmente pós-parto, acompanho de perto as vacas. Acompanho-as diariamente. Sei exatamente como está o olhar de cada uma delas a cada dia (pode parecer um "papo de louco", mas quem conhece vaca sabe, exatamente do que estou me referindo). É visível. É perceptível. Converse com seus ordenhadores. Como ela abriu lactação? Teve retenção de placenta? Teve, foi tratada corretamente (o que é tratar uma R.P. corretamente, discuta com seu consultor veterinário)? Teve metrite? Como tratar? Com que frequência? Quais são as consequências da metrite? A vaca é de alta produção? Como estava a condição corporal da mesma no pré-parto? Houve um esforço muito grande no parto (distocia)? A mesma foi "assistida" no parto? Como foi a intervenção? Foi correta (higiene + procedimentos)? Ela está perdendo peso? Está comendo? Você não precisa andar 24 horas atrás dela para perceber isso? Basta vê-la de perto 1 vez por dia! Só??! É só! (mas tem que, efetivamente, olhar). Observando-a 1 x ao dia, conseguimos pelo seu olhar (desidratação), pela sua movimentação, pelo seu cheiro (fétida, normal...), perceber muita coisa. São raros os casos em que o animal, simplesmente, "despenca" ou "cai". Não é impossível. Não é a regra, também. Existe uma distância (fator tempo) entre um quadro "reversível" e um quadro "irreversível".

Vacas, são animais de grande porte. Transmitem "potência" pelo seu tamanho, mas são tão sensíveis como qualquer outro ser vivo. E com um fator a mais: produzem leite e muito (no caso das raças especializadas). Logo, são exigidas diariamente. Esta "potência" pode "mascarar" muita coisa e aí vem a "fraqueza".

Muitos profissionais são criticados por não resolverem os problemas das vacas, principalmente nossos colegas veterinários. Isso é absurdamente, fora de contexto. Como pecuarista e produtor você fez a sua parte? Se o profissional da área, residir na propriedade, ok. A crítica mais "severa" pode até enquadrar. Caso não, preste atenção! Esta idéia segue o raciocínio do "post" anterior em que comentamos as obrigações e funções do consultor. Da mesma forma, tenho ouvido críticas severas a determinados remédios ou a indústria de medicamentos e produtos veterinários, como um todo. Comentários como: "com humanos é diferente, não podem morrer, os remédios funcionam, agora, estes produtos veterinários não servem para nada... não resolvem nada!!!". Não concordo com esta "leitura". É claro que a farmacêutica humana está "anos-luz" na frente da veterinária. No entanto, a medicina veterinária e seus produtos apresentam grandes resultados também. Basta verificar o tempo de prateleira de alguns medicamentos. Eles não estão lá à toa. Se usados corretamente, no momento adequado, obviamente geram resultados. Gostaria de saber se algum ser humano com febre fica: dormindo na chuva, sentindo frio, não sendo alimentado, não recebendo água, por 2 ou 3 dias até que se tome a decisão de chamar um médico para ver o que está "acontecendo com a Mimosa!" (ah, desculpe a franqueza: vá para o inferno!).

Novamente, volto a questão: o maior problema da produção de leite não é a vaca mas sim daquele que não sabe e não consegue entendê-la bem como atendê-las adequadamente! 

NOTA: Há alguns anos, foi publicado um livro muito interessante:  "As vacas leiteiras e os animais que as possuem" (Editora Nobel, 1998. Almeida Reis, Eduardo). Recomendo a leitura, principalmente àqueles que se julgam "doutores e experts" na área.
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