Definindo o potencial de produção do capim tanzânia

Saiba neste artigo qual é o potencial produtivo do capim tanzânia, lançamento da EMBRAPA que apresenta alta produção vegetal e facilidade de manejo.

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Marco Antônio Alvares Balsalobre e Patrícia Menezes Santos

O capim Tanzânia, lançado pela EMBRAPA em 1990, apresenta alta produção vegetal, facilidade de manejo e boa qualidade alimentar. Após 10 anos de seu lançamento, a aceitação deste capim têm sido elevada dentre os pecuaristas, ao contrário do que foi observado para outros cultivares de Panicum (ex: centenário, centauro, vencedor).

Com o intuito de determinar o potencial de produção de uma planta forrageira, a massa de forragem (quantidade de forragem por unidade de área em kg MS/ha) não é um bom parâmetro para se avaliar, pois este depende de outras informações como: tempo de crescimento (dias), resíduo de forragem após a desfolha anterior (kg MS/ha), porcentagem de material morto, etc.

A taxa de acúmulo de forragem em kg MS/ha.dia (variação da massa de forragem entre duas medidas consecutivas, expressa por unidade de tempo), demonstra melhor o potencial de produção da planta, pois está correlacionada com a capacidade de suporte da área (UA/ha). Como exemplo:

- Resíduo de forragem após pastejo 1: 2500 kg MS/ha
- Massa de forragem antes do pastejo 2: 6000 kg MS/ha
- Intervalo entre pastejos: 30 dias
- Taxa de acúmulo diário de forragem: 117 kg MS/ha.dia [(6000-2500)/30]
- Para eficiência de pastejo de 50% (Lotação animal: 5,85 UA/ha)
- Para eficiência de pastejo de 70% (Lotação animal: 8,19 UA/ha)

No entanto, em sistemas pecuários, o mais importante é avaliar o potencial de produção animal (carne e leite), o que vai depender de outras características da planta forrageira, como valor nutritivo, potencial de consumo e aproveitamento da forragem produzida.

Embora o valor nutritivo dependa da espécie forrageira, este apresenta maior correlação com o estádio fisiológico da planta.

Por sua vez, o potencial de consumo está associado à estrutura da planta, principalmente com a densidade (kg MS/ha.cm) e relação folha:haste. Já em 1973, trabalhos realizados na Austrália mostravam que um animal consegue dar cerca de 36.000 bocados durante um dia de pastejo (Stobbs, 1973). Desse modo, o consumo de forragem está associado ao tamanho de cada bocado que, por sua vez, vai ser tão maior quanto maior for a densidade do pasto.

Normalmente, plantas de porte maior apresentam menor densidade. O capim Tanzânia apresentou média de 55 kg MS/ha.cm em experimento realizado na ESALQ/USP (Santos, 1997), com uma variação de 36 a 86 kg MS/ha.cm. Essa variação mostra a possibilidade de se manipular essa característica através do manejo.

fonte: Marco Antônio Balsalobre e Patrícia Menezes Santos (PG-ESALQ/USP)
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