A redução de custos de produção pode ser mais fácil do que se pensa; isto porque, muitas vezes o produtor usa tecnologias incompatíveis com seu nível de produção ou mesmo de forma completamente equivocada. O resultado é que uma ferramenta que deveria servir para melhorar sua situação econômica acaba tendo efeito oposto.
A tabela 1 mostra o exemplo de um pequeno produtor da cidade de São Pedro, estado de São Paulo, que produz cerca de 50 litros de leite por dia. O rebanho possui um total de 16 vacas, das quais 7 encontram-se em lactação. A alimentação é baseada no napier durante o verão e na silagem de milho durante o inverno; é fornecido um quilograma de concentrado por animal, por dia, durante todo o ano.
A proprietário tem 10 hectares (0,5 com cana, 1 com napier, 2,5 com milho e o restante sem utilização) e arrenda mais 7,2 hectares, ao custo mensal de um salário mínimo. O rebanho é cruzado, com algum grau de sangue nelore, e é realizada apenas uma ordenha por dia. A mão-de-obra é familiar, composta pelas 4 filhas e pela esposa do proprietário. Este, por sua vez, trabalha aproximadamente 15 dias por mês fora de sua fazenda, prestando serviços a outros produtores; nesta ocupação recebe R$ 20,00 por dia. O preço médio recebido pelo leite é de R$ 0,26; há receita adicional de aproximadamente R$ 600,00 por ano com venda de animais. A composição dos custos variáveis da propriedade pode ser encontrada na tabela 1.
Algumas questões críticas são identificadas:
<> O problema mais gritante identificado é a utilização da silagem de milho como alimento de inverno. Para um rebanho com produção média diária de aproximadamente 7 litros de leite, a opção da cana adicionada de uréia teria plenas condições de manter a média de produção, com custos muito menores. Assim, se simplesmente substituíssemos a quantidade fornecida em silagem pela cana, a economia em despesas diretas seria de aproximadamente 13%, reduzindo o custo do litro de leite para R$ 0,1956 por litro.
<> Uma outra questão importante é o arrendamento de terras. O dinheiro que o produtor paga por mês em arrendamento (um salário mínimo) é maior do que ele consegue auferir da atividade, se considerado o saldo de receitas menos despesas diretas (cerca de R$ 100 por mês), com o agravante de que há área sem utilização que poderia substituir as terras arrendadas. Se além de substituir a silagem pela cana o produtor simplesmente deixasse de arrendar terras, utilizando suas próprias, os custos seriam reduzidos em 35%, chegando a R$ 0,148 por litro e aumentando a renda mensal do produtor para aproximadamente R$ 230,00.
<> Além disso, se considerarmos um planejamento de médio prazo com alguns investimentos por parte do produtor, os índices reprodutivos e o padrão genético dos animais certamente podem ser melhorados, trazendo melhores resultados à atividade leiteira.
Como podemos perceber, sem considerarmos a melhoria do rebanho e índices reprodutivos, que dispenderiam algum tipo de investimento, a situação da propriedade pode melhorar bastante sem quase nenhum dispêndio de capital. A solução, portanto, pode estar mais próxima do que se pensa.

fonte: MilkPoint