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Custos de produção de leite devem seguir em alta

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/02/2021

4 MIN DE LEITURA

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Os custos de produção vão se manter? É a dúvida de todo produtor que quer planejar sua produção. 

O ano de 2020 mostrou uma forte elevação dos custos de produção de leite, medido pelo ICPLeite/Embrapa. No ano, o custo de produção subiu 24,6%, enquanto o leite ao produtor registrou alta de 57%, resultando em margens melhores na venda de leite. Tanto o preço do leite quanto o custo de produção tiveram alta mais forte ao longo do segundo semestre (Tabela1).

O custo de alimentação do rebanho foi o que causou maior impacto no custo total de produção. A Alimentação concentrada e a Produção e compra de volumosos, além de possuírem maior participação nos custos totais (respectivamente 39,7% e 22%), sofreram as maiores variações no período. O grupo Qualidade do leite, composto por insumos utilizados para limpeza e higiene da ordenha, teve a terceira maior alta. Estes três grupos são o objeto desta análise.

Tabela 1. ICPLeite, principais grupos de custo de produção e preço do leite ao produtor: variação nominal de 2020 (%)


Fonte: Embrapa Gado de Leite e Cepea


Alimentação concentrada: com maior participação nos custos da atividade, a inflação que este grupo acumulou em 2020 foi de 54,5%. O aumento foi percebido já nos primeiros meses do ano. O primeiro quadrimestre fechou com alta 9%. Os preços do concentrado tiveram elevação ainda mais forte a partir de setembro, se valorizando 41% no último quadrimestre.

Essa variação foi puxada pelo incremento das exportações, impulsionadas pela desvalorização cambial, aumento da demanda mundial e doméstica por grãos, e uma forte seca na região Sul do Brasil, que acabou atrasando o plantio da safra de verão 2020/21.

Para 2021, espera-se que a pressão de custo deste grupo seja menor, mas as cotações dos grãos tendem a permanecer em patamar mais elevado em relação ao padrão histórico. No caso do milho, o abastecimento interno seguirá muito ajustado até a entrada da safrinha 2021, em julho. Além disso, no mercado internacional observa-se um recuo nos estoques e um incremento das importações chinesas, puxando as cotações. Para a soja, os movimentos são semelhantes, com um forte recuo nos estoques finais dos Estados Unidos e alta nos preços.

Produção e compra de volumosos: os preços dos itens que compõem este grupo possuem alta correlação com o preço do petróleo e com a taxa de câmbio. Apesar da desvalorização do real frente ao dólar durante o ano, o recuo dos preços do petróleo no primeiro semestre segurou as cotações deste grupo. Ainda assim, a alta de preços para os volumosos foi de 12,5% no ano, com a valorização ocorrendo no segundo semestre, tanto relacionada aos preços dos combustíveis quanto de adubos e fertilizantes.

Espera-se que os custos deste grupo sigam elevados, não apenas pela recuperação recente dos preços do petróleo, mas também por uma alta expressiva do frete marítimo internacional, o que tende a elevar os preços dos fertilizantes importados como Cloreto de Potássio, Uréia e MAP (fosfato monoamônico). Além disso, existe uma perspectiva de alta nos princípios ativos originários da China, o que pode encarecer também os defensivos agrícolas.

Qualidade do leite: embora tenha a menor participação nos custos totais da atividade, o comportamento deste grupo foi bastante influenciado pela pandemia, resultando na terceira maior variação de custo entre os grupos. O ano começou com queda de preços, mas a partir de março, quando houve relatos dos primeiros casos da Covid-19 no Brasil, detergentes e sanitizantes tiveram forte demanda inclusive em hospitais e consumidores finais. Em maio a alta chegou a 6,9% e o pico da valorização se deu junho, quando a inflação acumulada até aquela data era de 8,6%. Os estoques começaram então a se equilibrar e os preços cederam um pouco, terminando o ano com elevação de 6,3%.

Portanto, 2020 foi um ano de forte pressão nos custos de produção de leite, gerando enormes desafios aos produtores. O grupo de alimentação animal registrou a maior elevação e as alternativas no balanceamento de rações foram escassas.

O acompanhamento dos custos vai continuar demandando muita atenção dos produtores ao longo de 2021, seja pela volatilidade da taxa de câmbio, pelo aumento do frete internacional, pelos menores estoques internacionais de grãos ou por questões climáticas que podem provocar mais incertezas no mercado.

Enfim, será necessário o monitoramento contínuo dos custos de produção e muita atenção para alternativas seguras e eficazes, que podem contribuir para a manutenção ou aumento das margens de lucratividade.

Figura 1. Evolução do custo de produção de leite, de alguns grupos do custo e do preço do leite ao produtor em MG (Índice dez/2019=100)


Fonte: Embrapa Gado de Leite e Cepea

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Autores:
Manuela Sampaio Lana: analista da Embrapa Gado de Leite
Glauco R. Carvalho: pesquisador da Embrapa Gado de Leite

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