Num desses dias, apareceu um funcionário, que além de fazer ordenha, é o responsável por todo o manejo, ou melhor, todas as atividades que envolvem os animais: vacinações, vermifugações, pesagens, casqueamento e aplicação de medicamentos. Ao perceber minha presença, por entre as vacas, o mesmo se aproximou, perguntando se tinha “encontrado algum problema”. Disse que não, que apenas estava fazendo um “check-up” nas vacas e compartilhei com o mesmo o meu pensamento e a forma que costumo observar as vacas. Acho isso muito importante, uma vez que, claro, vacas não falam. Logo, “interpretá-las” é muito importante.
Neste dia, em especial, devia ser umas 9:00hs quando nossa conversa, se iniciou. Acabamos conversando até umas 11:00hs. A discussão sobre as vacas em produção foi muito boa. Como o mesmo está em contato mais intenso com os animais, a troca de informações foi muito rica. E interessante também. A forma e maneira de raciocinar sobre os problemas são interessantes. Acredito que ambos cresceram com o debate e saíram mais seguros sobre a forma e maneira de se solucionar problemas: o que a vaca tem? Como tem se comportado? Por quê não está comendo direito? Quando a outra começou a aumentar bem a produção? E daí, em diante. Uma profusão de conceitos e idéias.
Já vi e conheço muitos produtores e/ou técnicos que apenas falam: “bom dia”, “boa tarde” num misto de educação com imposição de autoridade. Eu não faço isso. Converso, sempre que possível com os mais diferentes funcionários. Do responsável pela “rapação de esterco”, limpeza de cochos e bebedouros aos mais capacitados, inseminadores, etc. Não faço distinção. Parto do princípio de que, sempre, cada empregado pode ter visto algum detalhe, alguma coisa que possa me ajudar a esclarecer alguma dificuldade de manejo. Pelo menos, no meu caso tem funcionado bem.
