Considerações sobre adubações em pastagens

Adubações em pastagens são temas que envolvem muitas questões e trazem muitas dúvidas aos produtores. Saiba mais aqui!

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A aplicação de corretivos e fertilizantes é a principal tecnologia envolvida na intensificação de sistemas de produção animal em pastagens. Apesar disso, ainda há muita controvérsia com relação às recomendações de adubação e corretivos do solo, não havendo um consenso entre os pesquisadores, técnicos e produtores com relação a fatores como: nível de fertilidade (ex: nível de saturação por bases) e de adubação (ex: doses de nitrogênio) adequados a cada espécie e sistema de produção; métodos de aplicação de corretivos e fertilizantes (ex: cobertura ou incorporado); e fontes de nutrientes (ex: fosfatos naturais ou solúveis).

Dos nutrientes considerados como essenciais ao desenvolvimento das plantas, o nitrogênio é o que apresenta as melhores respostas em relação à produção de matéria seca. A resposta das plantas forrageiras à adubação com nitrogênio, no entanto, é bastante variada (entre 5 e 89,2 kg MS/kg N) (Balsalobre et al, 2002). Esta variabilidade das respostas é decorrente de fatores como: espécie forrageira; fonte do nutriente; tempo de rebrota; dosagem de adubo aplicado; condições climáticas; estádio de desenvolvimento; e fertilidade do solo. Em linhas gerais pode-se dizer que a adubação nitrogenada, realizada em condições climáticas adequadas e no correto estádio de desenvolvimento da planta, apresenta respostas médias de 40 kg N/kg MS. Considerando-se uma eficiência de utilização da forragem da ordem de 60%, pode-se estimar que para cada aumento de 1 UA/ha na taxa de lotação do verão há a necessidade de 13 kg N/ mês. Com ganhos de peso, para animais de 300 kg, da ordem de 600 g/animal/dia, conclui-se que a resposta na produção de carne é de 2,30 kg/ kg N aplicado. Essa relação, transformada em valores monetários, seria de R$3,45 em carne para cada R$1,00 em nitrogênio.

Os solos tropicais apresentam baixos níveis de fósforo e saturação por bases e, tradicionalmente, tem-se considerado que a correção do solo através de calagem e fosfatagem deve ser a primeira atitude a ser tomada para a recuperação de áreas degradadas. No entanto, uma série de trabalhos mostra que a resposta em produção de matéria seca em áreas já implantadas é maior quando se aplica nitrogênio, sendo que na maioria dos casos não se observa efeito significativo da calagem ou da adição de fósforo em nível de campo (Luz et al., 1997; Monteiro & Werner, 1977; Mistura et al., 2001; Pereira et al., 1997).

A decisão de se trabalhar com apenas adubação nitrogenada ou partir para um sistema de fertilização completo dependerá do quão menos a planta forrageira produzirá com a não colocação, principalmente do fósforo e do calcário.

O custo de uma adubação de recuperação total da fertilidade do solo em uma pastagem degradada é da ordem de R$470,00/ha/ano (saturação por bases de 70%, fósforo para 10 ppm e potássio para 5% da CTC e adubação nitrogenada do primeiro ano). Enquanto que, uma vez essa área recuperada, menores quantidades de insumos serão necessários, com custos da ordem de R$373,00/ha/ano. Essas adubações seriam suficientes para elevar a lotação da pastagem de 0,83 UA/ha para 5 UA/ha. O mesmo nível de adubação nitrogenada, porém com a exclusão do calcário e do fósforo, teria o orçamento de R$223,00/ha/ano.

A diferença de custos entre a adubação completa e apenas a nitrogenada é muito elevada. Isto faz com que, na prática, alguns sistemas adotem apenas a adubação nitrogenada. Porém, a aplicação isolada de fertilizantes nitrogenados poderá resultar em uma total degradação da pastagem ou em redução de seu potencial. Esta análise levanta algumas questões, como: Quanto tempo o sistema suportará esse manejo? Quão menos a forragem irá produzir em relação a se estivesse recebendo a adubação completa?

Uma conta direta e imediata seria que se a fertilização nitrogenada isoladamente produzir forragem suficiente para 60% da capacidade de suporte da pastagem recebendo adubação completa já seria compensador, isso porque seu custo é 60% do custo da adubação total (R$233,00/R$373,00). No entanto temos que analisar no contexto do custo total do sistema. Balsalobre et al (2002) fizeram uma análise econômica a partir de dados de simulação e sugeriram que respostas entre 85 e 90% seriam o ponto de equilíbrio para a decisão entre se fazer a adubação nitrogenada apenas ou partir para uma correção total. Estes dados, no entanto, ainda precisam ser validados.

Comentário: Atualmente, observa-se no Brasil a necessidade de fertilização de pastagens em extensas áreas degradadas (física e quimicamente). São áreas que foram abertas nas últimas décadas e que, durante esse período, nunca receberam nenhum tipo de fertilizante. Geralmente, são solos com baixos teores de argila e com baixos níveis de matéria orgânica.

A orientação de se recuperar pequenas áreas com altos níveis de fertilizantes resolve o problema da baixa lotação e baixa rentabilidade e deve ser seguida. Porém, o que significa pequenas áreas quando se fala das áreas de pastagens do Brasil como um todo (180 milhões de ha)? Cada 1% dessa área significa 1,8 milhão de ha, área superior à soma da cultura de milho e soja do estado de São Paulo. Desse modo, seguir as recomendações de primeiro corrigir o solo com calcário e fósforo e depois proceder à adubação nitrogenada pode não ser a melhor opção econômica.
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Material escrito por:

Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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Fabiano de Miranda Rodrigues
FABIANO DE MIRANDA RODRIGUES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 07/11/2002

Adorei o artigo, mas não concordo no que diz respeito à adubação somente nitrogenada, sou engenheiro agrônomo e trabalho com adubos fosfatados, e sei, da importância que o elemento fósforo representa para os solos de cerrado, principalmente para o Mato Grosso.

Coloco-me a disposição para maiores destalhes sobre o assunto.
Paulo Costa Ebbesen
PAULO COSTA EBBESEN

OUTRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 07/11/2002

Prezados Senhores:

Tomei conhecimento deste site hoje e quero cumprimentá-los pelo excelente conteúdo.

Possuo uma área de 60 ha de capim elefante anão noo município de Cachoeira do Sul - RS. Utilizo esta área para engordar novilhos no verão e faço adubação através de sistema de fertirrigação com chorume proveniente de uma terminação de 1000 suínos.

Antes de aplicar o chorume é realizado um processo de fermentação do material através de um homogeinizador. A resposta tem sido excelente.

Minha dúvida é a seguinte:
Terei problemas no solo com o decorrer do tempo? Este processo foi iniciado este mês. Qual o tipo de problema que poderei vir a ter? Alguma sugestão na condução deste processo de adubação?

Esclareço que sou pessoa profundamente preocupada com as questões ambientais. Desde já agradeço a atenção.

Atenciosamente

<b>Resposta de Marco A. Balsalobre</b>

Paulo,

Chorume de suínos é um "fertilizante" de excelente qualidade, tem em sua composição todos elementos necessários às forrageiras. A produção forrageira dependerá da quantidade que está sendo aplicada.

Quanto aos problemas ambientais está relacionado à quantidade de chorume que será aplicado e à drenagem do solo. Em países da Europa, onde as propriedade são pequenas e a muitos anos se aplica fertilizantes orgânicos, existem problemas de contaminação do lençol freático, principalmente de nitratos, sulfatos e fósforo.

Ocorre que nesses locais os solos são rasos e a mineralização é menor, pois as temperaturas são baixas.

Não acredito que terá problemas, mas se seu solo tiver algum impedimento físico, deve tomar cuidados.

Marco Balsalobre
Carlos Arthur Ortenblad
CARLOS ARTHUR ORTENBLAD

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 02/11/2002

Marco Antonio,

Muito bom seu artigo.

Na Fazenda Água Milagrosa, cuja parte nutricional de pastagens é conduzida pelo Dr. José Antonio Quaggio, estamos desenvolvendo estudos de viabilidade de adubação de pastagens, em três cenários diferentes. Depois será interessante compararmos dados de custo/benefício.

Parabéns pelo artigo, abraço,

Carlos Arthur Ortenblad

Marcelo Marcondes de Godoy
MARCELO MARCONDES DE GODOY

CERES - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/11/2002

A melhor forma até então seria a cada ano realizar uma análise do solo e observar o perfil de nutrientes no solo, com isso poderia ser feito uma adubação de acordo com as necessidades de reposição de nutrientes no solo e a exigência da espécie forrageira que esteja sendo utilizada.

Qual a sua dúvida hoje?