COMO FOI 2012 E COMO SERÁ 2013
O ano de 2012 não foi bom nem para a indústria nem para os produtores de leite.
Com relação ao preço pago pelos consumidores pelos lácteos, como vem acontecendo nos últimos 4 anos, a participação da indústria foi reduzida, a participação do varejo aumentou e a participação dos produtores de leite permaneceu praticamente inalterada.
A indústria alegando que estava trabalhando sem margem e algumas até no vermelho, a partir de abril começou a pressionar no sentido de reduzir preços aos produtores para recuperar a participação perdida para o comércio. Na verdade a redução de preço foi relativamente pequena, em parte pela limitação na oferta de leite que já existia e em parte porque a maioria dos produtores já não tem margem e uma redução nos preços poderia reduzir mais a oferta e ter efeito contrário do que pretendia a indústria.
Quando começaram a cair os primeiros pingos de chuva na região Sudeste começou haver alguma redução nos preços pagos aos produtores, mas um El Niño fraco retardou chuvas mais consistentes com distribuição regular e a seca nos USA levou à subida dos grão puxada pela soja sustaram esse movimento de queda nos preços passando para uma ligeira recuperação dos preços ao produtor no final do ano.
Para a maioria dos produtores, que já trabalham sem margens, o aumento dos custos de produção foi desanimador, e naturalmente que esse quadro não incentivou nesse ano investimentos e o crescimento da oferta
A situação de não haver nenhuma limitação nas importações de leite do Uruguai, que cresceram demais, prejudicou a indústria e os produtores de leite brasileiros, contribuindo para um 2012 que será lembrado como um ano ruim para a cadeia produtiva nacional.
Se esse cenário for mantido em 2013 poderemos ter uma grave crise na pecuária leiteira nacional com reflexos a longo prazo.
A produção no início de 2013 deve continuar limitada pelas incertezas do produtor com relação à situação da economia mundial , às adversidades climáticas que parecem já não mais ser exceções mas sim a regra, aos custo de produção elevados, à sanidade financeira da indústria leiteira e ao descaso do Governo com o setor leiteiro.
Se a reação dos preços ao produtor no início de 2013 continuar tímida corremos o risco do próximo ano ser tão ruim ou pior do que 2012 e gerar uma crise grave no setor leiteiro que poderá ter consequência por muitos anos.
Por isso a Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo – Leite São Paulo propôs na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA, a criação de um grupo de trabalho para avaliar as perspectivas dessa crise e propor as medidas para, se não evita-la, minimizar seus efeitos. Esse grupo de trabalho foi criado e coordenado pela Confederação Nacional da Agricultura CNA, e foram apresentadas 9 propostas para a Coordenação da Câmaras Setoriais encaminhar ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Os aumentos de custos na produção de leite não tem sido repassado para o consumidor. É só ver o que aconteceu na recente subida vertiginosa dos preços dos grãos: os preços dos lácteos nas prateleiras do supermercado se mantiveram praticamente inalterados enquanto o preço do frango subiu muito, algo da ordem de 30%. O que os produtores de leite brasileiros gostariam que a indústria e o varejo explicassem é por que os aumentos dos custos de produção de leite não são repassados ao consumidores.
Governo deveria ter interesse nessa explicação, pois essa situação é determinante da falta de produtividade e competitividade da nossa pecuária leiteira e da situação do Brasil, que poderia ser um exportador de leite e lácteos, ser significativo importador, deixando se ser gerado significativo volume de trabalho e renda no interior do País.
A vulnerabilidade do setor lácteo nacional , que é extremamente complexo, é a falta de política estruturada e planejamento. Política e planejamento não se faz com ações pontuais em alguns eventos ou reuniões eventuais. Política e planejamento, principalmente num complexo dentro de um mundo com a economia volátil e as adversidades climáticas frequentes, requerem ação permanente, para formulação e acompanhamento de propostas, para ajustes ou modificação de políticas e planos forem necessárias em decorrência de alterações nas premissas nos quais se basearam.
Para o setor leiteiro para ser forte e vencer os desafios que outras cadeias produtivas superaram precisamos de um Grupo Permanente para Política e Planejamento do Setor Leiteiro, com representantes do Governo e da cadeia produtiva. A Leite São Paulo defende essa proposta desde a criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA. Mas parece que pregou no deserto, e não apareceu nenhuma outra proposta no sentido de tornar o setor forte e capaz de enfrentar adversidades.
Esperemos que nesse final de ano e até março do ano que vem, as lideranças da cadeia produtiva e Governo tomem as medidas necessárias para que tenhamos esperança que 2013 possa ser do que 2012.
Marcello de Moura Campos Filho
COMO FOI 2012 E COMO SERÁ 2013
Faz comentários sobre o ano que está terminando e as perspectivas para 2013.
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.
Deixe sua opinião!

MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO
CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/12/2012
Prezada Gabriela Stefani
Agradeço o comentário e a indicação do erro no título.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
Agradeço o comentário e a indicação do erro no título.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho

GABRIELA STEFANI
SERTÃOZINHO - SÃO PAULO
EM 08/12/2012
Adorei o texto