Figura 1 - Ciclo de vida do Neospora caninum

Fonte: Giraldi, J.H., et al. Neosporose canina. Clínica Veterinária, n.34, p.50-56, 2001.
A neosporose é uma doença recentemente diagnosticada. Até 1988, esse protozoário era confundido com o Toxoplasma gondii em virtude da estreita similaridade estrutural e biológica entre ambos. Entre 1989 e 1990, foi identificado como um agente causador de aborto em bovinos. Já em 1991, foi reconhecido como o principal causador de aborto em bovinos no Estado da Califórnia - EUA. Em 1995, o diagnóstico da doença foi implementado pela técnica ELISA. Mas, para a implementação de medidas de controle para a doença, faltava definir qual era o hospedeiro definitivo. Recentemente, pesquisadores constataram que os cães são os hospedeiros definitivos do N. Caninum.
O impacto econômico da doença sobre os custos diretos irá variar de acordo com o valor do feto abortado. Entretanto, os custos indiretos incluem aumento nos dias em lactação, custos em emprenhar novamente a vaca, custos para estabelecer o diagnóstico da enfermidade, possíveis perdas na produção de leite e os custos envolvidos com a reposição animal (caso o aborto leve ao descarte do animal). O Estado da Califórnia - EUA, estima que as perdas econômicas envolvidas com a neosporose alcançam o valor de 35 milhões ao ano, considerando-se o fato de que, na Califórnia, 5 a 15% das prenhezes / ano terminam em aborto, e que cerca de 30% dos abortos (cerca de 40.000 abortos) são ocasionados pela N. Caninum.
O aborto é o único sinal clínico da neosporose na vaca adulta, ele pode ocorrer em vacas de qualquer idade, entre o terceiro mês e o fim da gestação. Alguns pesquisadores destacam como período de maior suscetibilidade o quinto e o sexto mês da gestação. Os fetos podem ser mumificados, autolisados, reabsorvidos, nascer vivos e acometidos pela doença, ou nascer vivos e clinicamente normais, mas cronicamente infectados.
O neonato acometido pela doença pode ser pequeno, apresentar distúrbios neurológicos, flexão ou hiperextensão dos membros e aparente assimetria dos olhos. O neonato cronicamente afetado cresce normalmente, mantém a doença no rebanho, e é futuramente um potencial candidato ao aborto.
O diagnóstico pode ser realizado através de provas sorológicas, utilizando-se a reação de imunofluorescência indireta e o método ELISA, ambos testes de alta especificidade e sensibilidade. A identificação do anticorpo anti-N. Caninum é um indicativo que o animal foi exposto ao parasita. Por outro lado, o resultado negativo exclui o diagnóstico de neosporose. Deve-se enfatizar que o diagnóstico precisa ser feito com amostras pareadas (dois exames intervalados de 30 dias). A imunofluorescência com título menor que 1:200 indica que já houve exposição do hospedeiro ao parasita, mas não à enfermidade. Os casos confirmados de neosporose exibem títulos maiores que 1:200. O exame do feto abortado define o diagnóstico, o ideal é enviar o feto inteiro para o laboratório; todavia, não sendo possível, deve-se enviar o cérebro, coração, fígado e soro. A lesão característica da neosporose é a encefalite focal. É importante ainda, a realização do diagnóstico diferencial, pois muitas doenças podem apresentar sinais clínicos similares, tais como IBR, BVD, Leptospirose, Brucelose, entre outras.
A N. Caninum é transmitida via transplacentária (a vaca infectada contamina o feto através da placenta). Vacas infectadas que já abortaram uma vez, podem abortar novamente. Não existem drogas que previnam a transmissão do parasito da vaca para o feto. Até o presente momento, acredita-se que não ocorra uma transmissão direta de vaca para vaca.
Para controlar a doença deve-se evitar o contato dos cães e das suas fezes com as áreas onde o alimento dos bovinos é armazenado, com os cochos de alimentação e cochos d'água. Além disso, deve-se impedir que os cães tenham contato ou ingiram fetos abortados, placentas ou bezerros nascidos mortos.
Por fim, deve-se ter uma preocupação crescente com a existência de animais domésticos juntamente com rebanhos leiteiros.
Fontes:
Giraldi, J.H., et al. Neosporose canina. Clínica Veterinária, n.34, p.50-56, 2001.
Dubey, J.P. Neosporosis in cattle: biology and economic impact. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.214, p.1160-3, 1999.