Em seqüência ao artigo anterior, sobre programas de bonificação para funcionários, vamos dar algumas sugestões específicas para reprodução.
Há vários parâmetros que podem ser empregados como motivo de bonificação para funcionários. No entanto, 3 medidas básicas dão um indicativo geral de como está a situação reprodutiva do rebanho. A partir do conhecimento e entendimento destas 3 condições deve-se propor os esquemas de bonificação. Estas 3 medidas, seguidas do valor ideal, estão no quadro abaixo.
Parâmetros reprodutivos que definem a situação do rebanho:

1 - não é o período de lactação médio, mas sim o tempo médio de lactação do rebanho (dias pós-parto) em dado momento
Vamos avaliar o porquê destes parâmetros. Supondo um intervalo entre partos de 12,8 meses como ideal (390 dias) e gestação de 280 dias, o período de serviço médio deve ser de 110 dias: 390 - 280 = 110 dias. É evidente que, dependendo do nível de produção de leite e persistência de lactação, pode-se trabalhar com IP mais alto (até 14 meses), com perda muito pequena de eficiência econômica. Mas o importante aqui é entender o cálculo.
Levando em conta que o animal necessita de período seco de 50 a 60 dias para descanso e preparação para a lactação seguinte, a lactação total terá por volta de 330 dias. Ainda, considerando que em média as vacas são diagnosticadas prenhes 45 dias após a concepção, em um dado momento, com rebanho bem equilibrado, devemos ter (390 - 110 - 45)/390 = 60% do rebanho adulto diagnosticado prenhe.
Lembrando do artigo anterior (Programas de incentivos a funcionários: princípios fundamentais (parte I/II)), não se deve basear incentivos em números finais, cujos resultados dependem de outros parâmetros. A % do rebanho prenhe é um número final, sendo preciso encontrar os seus geradores. Mas, antes disto, é necessário entender mais sobre sua dinâmica.
Um ponto importante é que não há uniformidade deste índice ao longo do ano, pois a eficiência reprodutiva tende a variar. Sendo assim, o que muitos rebanhos fazem é almejar um determinado índice máximo para % de vacas prenhes no início do verão, digamos início de novembro, pois desta forma mesmo com a pior reprodução no verão, a redução da taxa de concepção desta estação deixará o rebanho ao final do verão ainda com número razoável de animais prenhes.
Há uma relação inversa entre os dias em lactação médios do rebanho e a % do rebanho prenhe, daí a colocação deste valor na tabela acima. Isto acontece porque à medida que o rebanho fica "mais velho" no leite, é natural que a % do rebanho prenhe se eleve. Como regra prática, pode-se utilizar os seguintes parâmetros:

Os números acima foram obtidos pela experiência do autor, podem haver outras sugestões igualmente ou mais pertinentes.
Caso a % do rebanho prenhe em dado momento estiver insuficiente considerando o DEL, a fazenda deverá procurar as causas específicas e atuar nelas. Como fazer isto ? É possível por exemplo "abrir" o período de serviço, que é o tempo decorrente entre o parto e a concepção.
Considerando que o período voluntário de espera é de 50 dias, isto é, antes deste período a vaca não está liberada para inseminação, que o período de serviço é de 150 dias em dado exemplo (tempo entre o parto e a concepção) e que a observação de vacas em estro ocorrerá aleatoriamente dentro de um ciclo estral, a demora desta vaca em emprenhar é igual a:
150 dias - 50 dias - 11 dias (pois o estro médio é detectado 11 dias após os 50 dias do período voluntário de espera, igual a meio ciclo estral: 21/2 = 10,5 = 11 dias) - 89 dias. Esta conta indica também que, neste exemplo, não se terá nunca período de serviço médio menor do que 61 dias (50 dias de período de espera + 11 dias para detectar uma vaca no estro).
Esta demora pode ser causada por 2 aspectos distintos: problemas de detecção de estro e problemas de taxa de concepção.
Para saber o que está afetando o rebanho, é preciso lançar mão de alguns cálculos adicionais. Os dias perdidos em função da má concepção podem ser estimados pela fórmula:
(Doses/prenhes - 1)*21. Exemplo com 2,5 doses por prenhez: (2,5 - 1,0)*21 = 31,5 dias = 31 dias
Os dias perdidos em função da observação deficiente do estro são calculados por diferença: 150 - 50 - 11- 31 = 58 dias.
Logo, o resumo final é, supondo período de serviço de 150 dias:
Período voluntário de espera: 50 dias +
Dias médios para se observar o estro das vacas: 11 dias +
Dias de atraso em função da taxa de concepção: 31 dias +
Dias de atraso em função da observação de estro: 58 dias =
Dias abertos: 150 dias
Neste exemplo, apesar de ambos serem problemas, a correta observação do estro pesa mais no cômputo final do que a taxa de concepção, sendo ela então o parâmetro que deve ser enfatizado no caso de bonificações.
Estes cálculos são evidentemente estimativas da realidade e consideram, por exemplo, que todas as vacas inseminadas estão de fato em estro.
SUGESTÕES DE BONIFICAÇÃO QUE PODEM FUNCIONAR
É importante lembrar que os programas de bonificação devem pressupor que já haja um desempenho razoável; o que se busca é um resultado superior. Deve-se lembrar também que o programa deve ser de fácil entendimento. Por fim, deve ficar claro que o salário base deve ser adequado independentemente da bonificação, tendo esta um caráter de premiação e não de complementação salarial. A seguir, sugestões de produtores que empregam bonificações e que estão satisfeitos com os prêmios sugeridos.
a) Bônus de R$ 0,50 por vaca ou novilha observada em estro, independentemente se aptas ou não há inseminação
b) Bônus de R$ 0,50 por vaca coberta
c) Bônus de R$ 5 a R$ 15,00 por vacas confirmadas prenhes em coberturas feitas antes dos 100 dias pós-parto
d) Bônus para novilhas que irão parir antes de determinada idade média
e) Baseie seu programa em vacas e novilhas que foram vistas em estro E de fato emprenharam
f) R$ 15/vaca com período de serviço menor do que 90 dias, R$ 10/vaca com período de serviço entre 90 e 120 dias e R$ 5/vaca confirmada prenhe com período de serviço acima deste
g) Uma sugestão interessante é estimar o máximo de bonificação que você está disposto a gastar e calcular o programa tendo este valor como teto (indo de trás para frente). A razão é que é complicado reduzir a bonificação caso você descubra que está premiando acima de suas possibilidades ou interesses.
fonte: Reproduction: Incentives for Reducing Days Open, Steven L. Berry, DVM, MPVM, e Marcelo P. Carvalho.