Apesar da silagem representar um item significativo do custo de produção além de demandar grande quantidade de esforços para sua correta confecção, é comum observarmos fazendas pecando justamente na fase final do processo: a retirada para alimentação dos animais, favorecendo perdas desnecessárias.
O ideal é retirar pelos menos 15 cm diários da "face" da silagem, de forma homogênea. Em fazendas nas quais não se consegue retirar esta quantidade, o diagnóstico pode ser silo superdimensionado para o atual consumo de silagem. Há, porém, uma outra situação indicativa de falhas no processo: há fazendas que tiram cerca de 1 metro de silo diariamente, mas só o fazem em uma pequena parte da face da silagem. O resultado é que a face do silo não cortada vai ficando exposta e, assim, inicia degradação. Este manejo ocorre normalmente quando a fazenda retira o material na "forca" ou no "garfo", sendo necessário que se crie uma bancada para o operador ir retirando a silagem com mais facilidade. E esta bancada justamente é feita pela retirada desta grande fatia de silo. É importante observarmos se há a presença visual de fungos e mofos na face da silagem, sendo este um forte indicativo de que o manejo de fornecimento do alimento não está adequado.
Muitas vezes a retirada é bem feita, sendo respeitados a fatia mínima diária de 15 cm bem como a retirada desta de forma homogênea na face da silagem. Porém, fica uma pilha de silagem já retirada, cujo fornecimento se dará nas próximas horas. Mas qual a degradação deste material deixado no chão ?
Segundo o nutricionista Brian Perkins, da Monsanto Dairy Business, o crescimento de fungos e bactérias pode aumentar violentamente em poucas horas. A tabela abaixo mostra o resultado de amostra retirada da face do silo e outra amostra retirada da pilha de silagem deixada por apenas 12 horas, durante o inverno no Nordeste dos EUA.

Note que a contagem de bacilos aumentou mais de 130 vezes ao se comparar a amostra da face do silo contra a amostra da pilha. Um detalhe fundamental é que o trabalho foi realizado durante o inverno americano, em um estado do Nordeste do país, ou seja, com certeza as condições de temperatura não eram as mais favoráveis para o crescimento de microrganismos. Imaginemos a mesma situação (freqüente, por sinal) em nosso clima, durante o verão; é de se supor que os dados serão mais críticos ainda.
Considerando que muitas fazendas por aqui não tomam o devido cuidado com a silagem já retirada do silo (muitas até deixam silagem retirada no final da tarde para fornecimento na manhã), os dados acima dão o que pensar. Além de reduzir o valor nutricional da silagem, há o risco de toxinas nocivas ao animal e mesmo de orgnanismos que podem carregar doenças que afetam o ser humano.
Desta forma, é válido rever o procedimento adotado em sua fazenda para a retirada de silagem:
a) A face da silagem está sendo mantida homogênea ou há muitos buracos ?
b) Você está conseguindo retirar pelo menos 15 cm diariamente de toda a face do silo ?
c) Há a presença visual de mofos e bolores no material a ser fornecido aos animais ?
d) Em caso positivo, isto ocorre após a exposição do material ao ambiente ou na própria silagem ainda fechada ?
e) A silagem está quente no silo ?
f) Você deixa silagem exposta de um dia para o outro ou de uma refeição para a outra ?
g) Em caso positivo, por quantas horas ?
h) O material fica aquecido (afundar a mão até mais ou menos 50 cm na pilha) ?
Caso o resultado destas perguntas não seja o desejável, é interessante reavaliar o procedimento e corrigir os pontos falhos. Lembre-se: a maior parte do gasto já foi feita e trata-se de uma oportunidade de ação que não demanda investimentos adicionais.
fonte: Dairy Herd Management e MilkPoint