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Avaliação do bem-estar na bubalinocultura leiteira

POR LIBOVIS - UFRRJ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/08/2021

6 MIN DE LEITURA

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"O bem-estar animal tem sido um diferencial na hora da escolha de compra para os consumidores de todas as áreas e na bubalinocultura leiteira não seria diferente. Isso chama a atenção para o modo de criação dos animais." 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla do inglês Food and Agriculture Organization) a população mundial de búfalos é de aproximadamente 205 milhões de animais que contribuem com 11% do total da produção de leite do mundo.

O Bubalus bubalis é uma espécie originária do continente asiático, e suas características zootécnicas (longevidade, adaptabilidade, prolificidade e precocidade) são consideradas uns dos principais motivos para a expansão do rebanho bubalino em muitos países do mundo.

Embora sua distribuição ainda esteja amplamente concentrada na Ásia, pequenas populações existem em diversas regiões do mundo, sendo o Brasil o país que concentra o maior rebanho ocidental desses animais. A grande maioria é criada em pequenas fazendas de forma intensiva, onde fornecem leite e carne, além de desempenhar funções importantes como animais de tração.

Além da rusticidade da espécie, o leite de búfala é um produto muito rico,  apresenta alto valor nutricional, altos níveis de gordura, proteínas e minerais (rico em cálcio e boa fonte de magnésio, potássio e fósforo), podendo ser utilizado tanto para o consumo in natura como matéria-prima para elaboração de produtos lácteos, considerando que é de 40 a 50% mais produtivo na elaboração de derivados (queijos, iogurte, doce de leite, etc.) quando comparado ao leite bovino.

Há uma crescente pressão dos consumidores em relação ao bem-estar dos animais de produção, fazendo com que técnicos e produtores estejam mais atentos às questões éticas relacionadas ao modo de criação dos animais.

Mesmo sendo considerada uma espécie resistente, necessita que o manejo e o ambiente sejam adequados às suas necessidades e características, entretanto, ainda carecem de estudos sobre temas básicos, como as questões voltadas à fisiologia, anatomia e comportamento animal. 

Uma das principais características bubalinas envolve seu conforto térmico. Por terem necessidade de se proteger da radiação solar, tendem a procurar poços de água ou lama para se refrescarem. Buscam proteção nos horários mais quentes do dia, e tendo disponíveis sombra e água, os animais preferem a água para imersão.

Animais que conseguem efetivamente se refrescar, mantêm a temperatura retal e frequência cardíaca diminuídas, por isso é de suma importância ter água ou sombreamento disponíveis para os animais.

Quando os animais encontram situações adversas que interferem no seu conforto térmico há redução no desempenho produtivo, a produção de leite fica prejudicada. Nas horas de maior calor, quando os animais se abrigam na sombra de árvores, visando reduzir os efeitos da radiação solar, também aproveitam esses momentos para descansar, ruminar ou mesmo pastejar se esses locais apresentarem forragens disponíveis.

As propriedades que se localizam em regiões alagadas ou pantanosas não são ideais para criação de bovinos, devendo optar pela criação de búfalos, que preferem essas áreas. A preferência dos animais por ficarem imersos em água vem do fato de que búfalos possuem um menor número de glândulas sudoríparas em relação aos bovinos e sua pele escura apresenta uma espessa camada de epiderme, fazendo com que eles sejam menos eficientes na termorregulação corpórea.

Assim, eles procuram a água para se refrescarem, além de se protegerem do ataque de insetos e parasitos. É preciso ter cautela na quantidade de água, pois havendo formação de lama, a qualidade dessa lama pode ser representativa de instalações com pouca higiene e alta densidade de animais, o que é prejudicial para o bem estar dos animais e consequentemente para a produção.

A restrição de espaço é um fator impactante no bem-estar dos búfalos. Percebe-se que animais com grandes áreas disponíveis se tornam menos reativos a novos estímulos, por estarem submetidos a um ambiente mais enriquecido, do que animais criados em áreas pequenas e, desenvolvem também uma melhor relação humano-animal. Ou seja, animais com mais espaço têm capacidade maior de enfrentar desafios.

Há também correlação com os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse e que por sua vez interfere negativamente na produção. Animais mantidos em menor espaço apresentaram maior período de inatividade e concentração de cortisol mais alta. Naturalmente, búfalas têm comportamento exploratório, o que leva a percorrerem longas distâncias diariamente, fator que vai ser limitado pela disponibilidade de espaço. Independente da distância percorrida, a qualidade e a quantidade de leite não são alteradas. 

Búfalas são sensíveis a alterações na rotina de ordenha, e se estressam facilmente, resultando em baixa produção de ocitocina, consequentemente produzindo menos leite. Há também o fator da dificuldade de adaptação para a ordenha sem o bezerro ao pé. Uma maneira de habituar as novilhas é conduzi-las para o local de ordenha, e por 10 minutos não serem tocadas, antes de iniciar a rotina, com a limpeza dos tetos. Essa abordagem deixa os animais mais calmos, e a longo prazo pode reduzir a necessidade de aplicação de ocitocina exógena.

O bem-estar depende de muitos aspectos da vida do animal, incluindo desde a saúde até as experiências emocionais positivas e negativas. Pensando numa avaliação abrangente do bem-estar, o projeto Welfare Quality® (Quadro 1), apresenta doze critérios à serem analisados agrupados em quatro princípios de bem estar para facilitar o entendimento.

Quadro 1 - Critérios a serem avaliados e mensurações a serem feitas para avaliação dos princípios básicos do bem estar em criações de búfalos:

O produtor de bubalinos só tem a ganhar, pois o búfalo tem uma habilidade intrínseca para converter eficientemente forragens de baixa qualidade e resíduos de culturas de áreas marginais em leite e carne. Além disso, tem vida produtiva excepcionalmente longa.

Possui grande potencial para ser criado em sistemas de produção de leite localizados em ambientes de clima tropical úmido. São animais que apresentam boa resistência a endo e ectoparasitas e são altamente adaptáveis às elevadas temperaturas.

Uma das principais características do leite de búfala é a coloração branca decorrente da baixa concentração de pigmentos carotenoides (β-caroteno) - provitamina A, que deixa o leite visualmente mais aceito pelo consumidor.

Em razão de sua elevada rusticidade e capacidade de adaptação em solos de baixa fertilidade e terrenos alagadiços, esses animais têm ocupado regiões que são consideradas inadequadas para a criação de bovinos.

Por serem considerados animais com alta capacidade de adaptação, os búfalos acabaram sendo manejados de maneira generalizada e com poucos cuidados. Com o desenvolvimento da percepção da importância do bem-estar para esses animais, essa realidade tende a ser modificada.

Autores 
Diane Loize Palmeira1
Raquel Rangel Teles Nunes1
Ana Paula Lopes Marques2


1 Discentes e  2 Orientadora, Grupo de Estudos Liga de Bovinos - LiBovis na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, UFRRJ
 

Leia também: 

 

 

Referências:

ANDRADE, K. D.; RANGEL, A. H. N.; ARAÚJO, V. M.; JÚNIOR, D. M. L.; OLIVEIRA, N. A. Efeito da estação do ano na qualidade do leite de búfalas. Revista Verde, v.6, n.3, p. 33-37, 2011. Disponível em: <https://editoraverde.org/gvaa.com.br/revista/index.php/RVADS/article/view/718/641>. Acesso em: 27 jul. 2021.

CARVALHAL, M. V. L.; COSTA, F. O. Produção e bem-estar de búfalas (Bubalus bubalis) leiteiras: uma revisão. Revista Acadêmica de Ciência Animal,  v. 16, p. 1-10, 2018. Disponível em: https://www.bufalo.com.br/home/wp-content/uploads/2016/01/dramonique.pdf.>. Acesso em 27 jul. 2021.

CAVALI, J.; PEREIRA, R. G. de A. Produção leiteira de búfalos. In: SALMAN, A. K. D.; PFEIFER, L. F. M. (Ed.). Pecuária leiteira na Amazônia. Brasília, DF: Embrapa, 2020. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/1126184/1/cpafro-18470.pdf.>. Acesso em 27 jul. 2021.

DE ROSA, F.; NAPOLITANO, F.; GRASSO, A.; BILANCIONE, M.; SPADETTA, C.; PACELLI; VAN REENEN. PosterWelfare Quality®: a pan-European integrated project including buffalo. Italian Journal of Animal Science, v. 6, n. sup2, p. 1360-1363, 2007.

FAO. Food and Agriculture Organization. Livestock Systems. Disponível em: <https://www.fao.org/livestock-systems/global-distributions/buffaloes/en/>. Acesso em: 30 jul. 2021.

 

LIBOVIS - UFRRJ

A Liga de Bovinos, LiBovis, é um grupo de estudos constituído por alunos de graduação em Medicina Veterinária e áreas afins da UFRRJ. Tem como objetivos estudar, compreender e defender os interesses da bovinocultura contribuindo para sua valorização.

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