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Acelerando a produtividade leiteira de búfalas com a técnica de transferência de embriões

A seleção e a multiplicação programada de indivíduos de alta capacidade genética de produção de leite colaboram significativamente para aumentar a eficiência das fazendas.

Diferentemente da inseminação artificial, que otimiza a multiplicação de material genético apenas de machos, a transferência de embriões (TE) é uma técnica utilizada para disseminar ,ao mesmo tempo, tanto a genética de machos quanto de fêmeas de alta produção de forma rápida, prática e eficiente. Essa tecnologia possibilita produzir embriões de uma fêmea doadora de alto valor genético fertilizada por touro igualmente de alto valor genético e transferi-los em uma série de receptoras, mesmo as de baixo valor genético, desde que aptas para dar continuidade à gestação e para produzir um bezerro saudável.

Contrariamente aos criadores de bovinos que utilizaram sistematicamente a TE desde a década de 70 para acelerar o melhoramento genético dos rebanhos, os criadores de búfalos de todo o mundo não tinham acesso a essa tecnologia. As doadoras búfalas não respondem adequadamente ao tratamento tradicional de superovulação e produção in vivo de embriões, o que compromete a utilização comercial dessa tecnologia. Somente recentemente, após inúmeros estudos, foi estabelecido um protocolo de produção de embriões in vitro (fertilização dos óvulos no laboratório) com posterior transferência dos embriões assim produzidos nas receptoras em tempo fixo (sem a necessidade de detecção do cio). A associação dessas tecnologias viabilizou comercialmente a utilização dessa importante ferramenta pelos produtores de búfalos.

Para produção dos embriões in vitro (FIV), utiliza-se a aspiração folicular guiada por ultrassonografia (OPU) para retirada dos óvulos do ovário das doadoras. Em seguida, os óvulos são enviados ao laboratório para maturação, fertilização (com sêmen de touros de alto valor genético) e desenvolvimento inicial. Seis dias após a fertilização in vitro, os embriões ou são criopreservados (congelados) ou são imediatamente transferidos em receptoras sincronizadas para receberem um embrião no dia 6 do ciclo estral (o útero da receptora se encontra na mesma fase do desenvolvimento do embrião). Na atualidade, em búfalas, esse processo apresenta a mesma eficiência que em bovinos e vem sendo utilizado pelos criadores para acelerar o ganho genético do seu rebanho.

A figura 1 demonstra os ganhos genéticos e de produtividade conforme as tecnologias empregadas (inseminação artificial ou transferência de embriões).

Figura 1. Desenho esquemático do ganho genético utilizando sêmen de touro com PTA +200 kg (diferença esperada na progênie). 1) Nos rebanhos que possuem elevada produtividade (3.500 litros por lactação) a próxima geração possui capacidade genética para produzir 3.700 litros de leite após a utilização da IA. 2) Nos rebanhos de produtividade baixa (1.800 litros por lactação) a próxima geração possui capacidade genética para produzir 2.000 litros de leite após a utilização da IA. 3) Nos rebanhos de produtividade baixa (1.800 litros por lactação) a próxima geração possui capacidade genética para produzir 3.700 litros de leite após a utilização da TE.

Verifica-se que, com a TE, é possível produzir animais com elevada capacidade genética já na primeira geração. Entretanto, com a IA são necessárias várias gerações (o intervalo de gerações é de aproximadamente 4 anos) para alcançar o mesmo ganho genético. Esses dados demonstram reduzida eficiência da técnica de IA para acelerar o melhoramento genético e produtivo dos rebanhos. Inclusive, com a TE realizada em rebanhos de corte com embriões de doadoras de leite de alto potencial genético, é possível formar um rebanho de elevada produtividade leiteria na primeira geração, contribuindo significativamente com o setor.

Na tabela 1, encontra-se ilustrado o tempo necessário para estabelecer o ganho genético com a IA e com a TE em um rebanho, levando-se em consideração um rebanho com produção média de 1.800 litros de leite por lactação, a utilização de touros com PTA + 200kg de leite e um intervalo de gerações de 4 anos. Verifica-se que com a TE é possível produzir na primeira geração indivíduos com capacidade genética de produção de 3.800 litros de leite por lactação. Entretanto, com a utilização da IA seriam necessários 40 anos (10 gerações) para atingir a mesma capacidade genética de produção.

Do ponto de vista financeiro, a implementação de um programa de TE em bubalinos é normalmente positivo. Verifica-se que o investimento na tecnologia tem retorno com o aumento expressivo de produção de leite já a partir da primeira geração e a evolução produtiva do rebanho, tanto maior quanto menor o diferencial produtivo entre os rebanhos receptores e de doadores.

Na atualidade a tecnologia de transferência de embriões (TE) está disponível para os criadores de búfalos que têm interesse de aumentar rapidamente a produção de leite da propriedade. Vale ressaltar que para uma fêmea de alto valor genético expressar todo seu potencial de produção, é importante ajustar a nutrição e o manejo geral da propriedade, visando colher todos os benefícios dessa tecnologia.

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RAFAEL MEDINA

BOA VISTA - RORAIMA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/02/2020

Profesor aun que los padres sean los mismos para n, nùmero de embriones viables y que se logren implantar correctamente el orden aleatorio de esos genes puede variar de embrión a embrión? lo cual, dicho de otra manera, es que existe la posibilidad que hijos e hijas de una misma madre y de un mismo padre, pueden dar individuos de diferentes PTA PARA LA MISMA GENERACIÒN POR EL CARÁCTER ADITIVO DE LOS GENES AL MOMENTO DE LA CONCEPCIÓN, SERIA TAN AMABLE DE EXPLICAR CUAL SERIA LA PROBABILIDAD DE LO PLANTEADO ANTERIORMENTE, MUCHAS GRACIAS.
RICARDO PESSOA

RECIFE - PERNAMBUCO - PESQUISA/ENSINO

EM 31/01/2020

Excelente texto Prof. Pietro!
EFRAÍN

PESQUISA/ENSINO

EM 28/01/2020

Muy interesante, ademas felicitar al equipo tecnico y productores que estan impulsado la Pecuaria bufalina con buena genética.