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Zona de Conforto Térmico e Índice de Temperatura e Umidade (THI)

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/12/2012

4 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 29/12/2020

Neste artigo trataremos de dois assuntos relacionados ao estresse térmico: a zona de conforto térmico e o Índice de Temperatura e Umidade (THI). Estes itens apesar de não serem técnicas diretas para amenizar o estresse térmico dos animais, podem ser ótimas ferramentas para técnicos e produtores monitorarem as condições térmicas a fim de se evitar ambientes estressantes aos animais.



Zona de conforto térmico

Os animais homeotérmicos, em função da espécie, raça, nível de produção, estádio fisiológico e plano nutricional, apresentam uma faixa de temperatura ambiente na qual se encontram em conforto térmico, denominada zona de termoneutralidade (figura 1).

Na zona de termoneutralidade, o sistema termorregulador não é acionado, seja para capturar ou dissipar calor. Assim, o gasto de energia para manutenção é mínimo, resultando em máxima eficiência produtiva. Os limites da zona de termoneutralidade são: a temperatura crítica inferior (TCI) e a temperatura crítica superior (TCS). Abaixo da TCI, a vaca entra em estresse pelo frio, e acima da TCS, em estresse pelo calor (BACCARI JUNIOR, 1998).




Figura 1 - Zona de Termoneutralidade. Fonte: Prof. Dr. Marcos Chiquitelli Neto. UNESP-Ilha Solteira
 

Para saber um animal está ou não em sua zona de conforto é fundamental estabelecer as TC inferiores e superiores. Porém ainda há certa divergência entre os autores sobre qual seria a temperatura crítica superior para vacas em lactação, uma vez que as raças ditas especializadas em produção de leite tiveram suas origens em regiões de clima temperado.

Segundo Berman (1985) a TC superior estaria entre 25 a 26ºC para vacas em lactação, independentemente de estas terem sido submetidas à aclimatação prévia ou nível de produção. Essa especificidade generalizada de temperatura crítica superior contradiz as considerações de Yousef e Johnson (1985) segundo os quais, a zona de termoneutralidade varia com o estado fisiológico e as condições ambientais.

Outro autor, o Fuquay (1997) considerou para o gado europeu, o valor de temperatura crítica superior é entre 25 a 27ºC. De acordo com Nääs (1989), em função da umidade relativa do ar e radiação solar local, a faixa de termoneutralidade poderia ser restringida entre 7 e 21ºC. Huber (1990) considerou como adequadas para o conforto térmico de vacas em lactação temperaturas do ar entre 4 e 26ºC. Percebe-se que apesar da variação entre os autores todas as TC superiores permaneceram dentro do intervalo de 21 a 27 ºC.

O estresse térmico pode ser em função de temperaturas abaixo da TCI ou acima da TCS. O Brasil por estar situado geograficamente, na sua maior parte, entre o equador e o trópico apresenta problemas com o estresse causado pelo calor, ou seja, acima da TCS.



Índice de temperatura e umidade (THI)

Um dos grandes problemas de se considerar apenas a zona de termoneutralidade para saber se um animal está ou não em ambiente estressante é o fato de que este índice não considerar outros fatores ambientais estressantes como a umidade relativa do ambiente, velocidade do vento e a radiação solar.

Na tentativa de utilizar todos estes fatores, pesquisadores tentaram criar índices e dentre eles destaca-se o índice de temperatura e umidade (THI), desenvolvido por Thom (1959) como um índice de conforto para humanos. Johnson em 1962 e seus colaboradores observaram quedas significativas na produção de vacas leiteiras, associadas ao aumento no THI, que desde então este tem sido utilizado para descrever o conforto térmico destes animais.

Esse índice pode ser calculado a partir da temperatura de bulbo seco e da umidade relativa do ar, conforme descrito por Johnson (1980). Assim:

THI = Ts + 0,36 Tpo + 41,2

em que:

  • Ts = temperatura do termômetro de bulbo seco, ºC;
  • Tpo = temperatura do ponto de orvalho, ºC.


Quando o resultado do THI for superior a 72, pode-se dizer que o animal está em ambiente estressante. Nem todos os produtores conseguem medir em suas propriedades o THI, seja por falta de conhecimento, equipamentos ou mesmo de tempo. Logo, para facilitar existem no mercado (algumas empresas de medicamentos veterinários e mesmo na internet disponibilizam gratuitamente) tabelas, como a seguir, apresentando de THI estressantes para vacas em lactação.

Para utilizar a tabela, basta o produtor saber a temperatura e a umidade relativa média de sua região.



Tabela 1. Índice de temperatura e umidade (Adaptado de Johnson et al. 1962)

Vale ressaltar, que apesar de muito utilizado o THI, segundo alguns autores, já é uma ferramenta ultrapassada, pelo fato de não considerar o calor produzido pelo próprio animal.

Uma vez compreendido os conceitos de Zona de Conforto e THI, técnicos e produtores podem facilmente monitorar o ambiente em que os animais permanecem a fim de se identificar o mais brevemente possível situações de risco relacionadas ao estresse térmico e assim buscar medidas (físicas, nutricionais ou de manejo) para amenizar este problema que faz parte de grande parte dos rebanhos tropicais.



Referências

Estresse climático e nutrição animal (2008). Flávio Augusto Portela Santos, Rafaela Carareto, Arlindo José Dias Pacheco Júnior. Workshop Ambiência para bovinos leiteiros - IZ - Sertaozinho-SP
BACCARI JUNIOR, F. Adaptação de sistemas de manejo na produção de leite em climas quentes. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AMBIÊNCIA NA PRODUÇÃO DE LEITE, Piracicaba, 1998. Anais... Piracicaba: FEALQ, 1998, p.24-67.
FUQUAY, J. W. Heat stress and it affects animal production. Livestock Environment, v.2, p.1133-1137, 1997.
HUBER, J. T. Alimentação de vacas de alta produção sob condições de estresse térmico. In: SIMPÓSIO SOBRE BOVINOCULTURA LEITEIRA. Piracicaba: FEALQ., 1990. p.33-48. 41
NÃÃS, I. A. Princípios de conforto térmico na produção animal. Editora ícone, 1989.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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GUILHERME VILELA STARLING

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/07/2016

Olá! Vi no artigo o seguinte: "Vale ressaltar, que apesar de muito utilizado o THI, segundo alguns autores, já é uma ferramenta ultrapassada, pelo fato de não considerar o calor produzido pelo próprio animal."

Quais autores? Gostaria de continuar estudando o tema.

Att.

Guilherme Starling
ANDRE LUIZ MERCHAN

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/12/2012

Olá

prezada colega acadêmica "Sakudida"

Estamos aqui brincando de tirar um leite sim, para ocupar e viabilizar um empreendimento semi urbano no qual me inseri como que acidentalmente (rsrsrs)

Gostaria de intensificar o sistema  visto que começamos com animais bem cruzados até aprender...........

Agora já podemos adquirir animais de maior potencial, porém que demandam mais atenção no quesito conforto.

Obrigado pelos esclarecedores conceitos

André Luiz Merchan (Tiguera)

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 13/12/2012

Prezado ANDRE LUIZ MERCHAN, (Tiguera)


A regra básica toda vez que optar em utilizar sistemas que elevem a UR (nebulização/ aspersores) é garantir que o ambiente seja bem ventilado. Isto garantirá o maior conforto aos animais memso com elevada UR do ar. Quanto ao compost barn, ainda não tive a o oportunidade de presenciar nenhuma experiência aqui no Brasil.


Vai tirar leite aí no MT?


grande abraço, sakudida.


JOAREZ ANTONIO MIECHUANSKI

ARATIBA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/12/2012

PARABENS PELO ARTIGO, MUITO RELEVANTE NA BUSCA DA MAXIMA EFICIENCIA PRODUTIVA  E REPRODUTIVA. A NOSSA REGIAO (NORTE DO RIO GRANDE DO SUL), SOFREMOS MUITO COM AS ALTAS TEMPERATURAS  NA PRIMAVERA E VERAO, COM  MAXIMAS CHEGANDO APROXIMADAMENTE  A  40 ~C, E A REALIDADE DA MAIORIA DAS PROPRIEDADES É DE POUCO CONFORTO AOS ANIMAIS.
HERMENEGILDO DE ASSIS VILLAÇA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/12/2012

  Parabens pelo ,artigo ,pois é  um tema altamente relevante e quase sempre negligenciado, tanto pelo produtor, e primordialmente pela assistência técnica.

ADRIANO MARCELO RIGON

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2012

Muito interessante o Artigo.

Gostaria de saber que ferramentas seriam utilizadas para manter, em um free-stall, os níveis de conforto para vacas leiteiras Holandesas. Como dimensionar, que equipamentos estão disponíveis no mercado. Enfim, idéias para garantir conforto, buscando manter bons níveis de produção e reprodução.

Obrigado e Abraços
LUCAS LEMES PAPA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/12/2012

Boa tarde, Profa. Dra Rafaela.

Meu nome é Lucas e sou graduando em medicina veterinária.

Gostaria de parabenizá-la sobre o artigo acima.

Estou terminando minha monografia sobre efeitos da estação do ano sobre a qualidade de oócitos em doadoras de leite,  e taxa de gestação em receptoras de embrião e o seu material agregou muita informação.
EDVAN SOUSA RIBEIRO

SOBRADINHO - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 10/12/2012

Muito bom Rafaela! Nossos produtores precisam se profissionalizarem...
ANDRE LUIZ MERCHAN

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/12/2012

Rafaela:

Muito relevantes considerações, porém, com relação à nebulização, pela qual elevo e muito a UR dentro da instalação, é necessária uma briza externa para refrescar o ambiente, certo?

Como seria manter vacas leiteiras em confinamento durante o dia aí em Brasília?

qual o esquema de ventilação/nebulização adotado?

O que você me diz do compost barn(muito comentado por sinal)?

vamos nos falando mais...

Abraço do Tiguera....
MilkPoint AgriPoint