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Índices zootécnicos que auxiliam a medir a eficiência do sistema produtivo

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/03/2010

5 MIN DE LEITURA

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Coletar dados é muito importante para que o produtor possa conhecer a situação atual da propriedade, a situação produtiva, reprodutiva e sanitária do rebanho e também, para poder estipular metas a curto, médio e longo prazo. Mas com quais índices devemos trabalhar?

A característica principal que um animal leiteiro deve possuir é a produção de leite, logo todos os índices estudados estão focados neste quesito, estando ligados a estes direta ou indiretamente.

Alguns índices reprodutivos:

- Intervalo entre partos: 12 meses
- Gestação: 283 dias
- Período de serviço: 82 dias
- Involução uterina: de 20 a 40 dias após o parto
- Primeira ovulação: 20 dias pós-parto (cio silencioso)
- Primeiro cio: 40 dias pós-parto
- Período seco (descanso): 60 dias

Para se conseguir um bom período de serviço, e mantê-lo em números aceitáveis, é muito importante que o animal recém parido volte à reprodução novamente, ou seja, que comece a gestar o feto até os períodos aceitáveis para não prejudicar o período de serviço e o intervalo entre partos.

Para isso ser possível, o retorno da vaca ao cio não deve ser prolongado, e dentre os fatores que afetam esse retrocesso podemos citar:

- Estado nutricional do animal,
- Nível de produção de leite (fator não comprovado),
- Balanço energético da dieta,
- Condição corporal no parto,
- Fatores fisiológicos (por exemplo, cisto ovariano) e
- Fatores sanitários (ex.: retenção de placenta, inflamação uterina).

A vaca apresenta um período de espera voluntário à primeira cobertura após o parto de 45 a 60 dias, ou seja, se ela tiver o primeiro cio 45 dias depois do parto, ela terá três chances de emprenhar para se conseguir o período de serviço de 82 dias, ao passo que se o primeiro cio se der aos 60 dias, as tentativas para emprenhar o animal diminuem.

Para obter bons índices de prenhez por animal, deve-se, além de efetuar o correto manejo do animal e a de sua fecundação, também efetuar as detecções de cio de maneira precisa, podendo com isso, afetar de forma drástica o manejo reprodutivo do rebanho. Com isso as taxas de detecção de cio devem estar por volta de 70%, mas podem variar de 30% a 85% devido à forma que ela é realizada.

Os fatores que afetam a primeira cobertura podem ser descritos pela fertilidade da vaca, fertilidade do touro, hora da inseminação e o aborto embriônico. Tendo assim por objetivos o número de serviços por concepção, variando entre 1,4 a 2,0 (50 a 71%), sendo então a taxa de prenhez o produto da taxa de detecção de cio pela taxa de serviços/concepção.

O manejo reprodutivo dos animais tem por objetivos estabelecer ou restabelecer a lactação, manter elevada a porcentagem de vacas em lactação, minimizar os custos com animais improdutivos, maximizar a produção de leite por vaca por ano, produzir novilhas geneticamente superiores às mães, promover aos animais facilidade durante o parto através da escolha adequada do touro correspondente a certa raça ou categoria animal, dentro outros.

No entanto, a reprodução pode ser caracterizada por um problema complexo envolvendo inúmeros fatores, tais como, o stress térmico (calor ou frio), fertilidade do touro, nutrição e doenças. De acordo com Faria et al., 1993, dentre todos os fatores que afetam a eficiência de um sistema de produção de leite, a reprodução ocupa um lugar de destaque.

Qualquer fazenda deixará de ser eficiente se a vaca reproduzir de maneira irregular. Entende-se por reprodução regular o estabelecimento de prenhez no máximo de 85 dias após o parto, com objetivo de se obter intervalos entre parições próximos de 365 dias. Esse talvez seja o objetivo mais difícil de ser conseguido, pois depende de dedicação, de tempo, conhecimentos técnicos, senso prático, auxílio profissional e controle efetivo do rebanho.

Além destes aspectos deve-se observar a persistência de lactação da vaca, que é uma característica essencial do animal especializado, independente da raça, mas sim de suas características genéticas, podendo ser encontrada a característica de baixa persistência de lactação mais comumente em animais de sangue zebuíno.

Deve-se salientar que o conceito de especialização para a produção de leite independe de raça ou tipo, havendo um requerimento único de que o animal seja capaz de produzir grandes quantidades de leite, no período de lactação de 305 dias.

O fato de elevar o intervalo entre partos gera perdas econômicas no sistema, isto ocorre por que a ampliação do intervalo entre partos concorre para diminuir a produção média por vaca/dia, e esse fator é mais importante para a economia do sistema que a produção por lactação.

Além disso, a ampliação do intervalo entre as parições concorre para aumentar o número de animais improdutivos na fazenda, modificando assim a composição do rebanho como um todo, elevando o custo do processo produtivo devido à manutenção dos animais que não estão em produção. A tabela 1 ilustra a relação do intervalo entre partos na composição do rebanho.

Tabela 01. Relação entre intervalo entre partos e composição do rebanho.



* Para o cálculo de disponibilidade de novilhas considerou-se que somente 85% das fêmeas nascidas na fazenda participarão do processo produtivo, como conseqüência de mortes, acidentes, descartes, etc.
* Para a estimativa da porcentagem de vacas secas por ano o rebanho, utilizou-se o período de lactação de 10 meses.


Portanto, os índices reprodutivos a serem considerados no rebanho leiteiro são:

- % de nascimentos
- Intervalo entre partos
- Serviço / concepção
- Serviço / bezerro nascido vivo
- Taxa de detecção de cio
- Dias vazia
- Taxa de prenhez
- % de abortos

Analisando os dados notamos que há necessidade de melhor compreensão de alguns índices para podermos equiparar às outras atividades agropecuárias, verificando a viabilidade do sistema, tais como, o número de vacas em lactação por ha por ano além do custo e contribuição (produção) em equivalente da vaca por ano.

Conclusão:

É de suma importância a compilação dos índices zootécnicos de uma propriedade, pois é através destes que se pode verificar a real eficiência de uma atividade pecuária, seja esta de bovinos de corte, leite, de ovinos, caprinos, etc.; podendo saber onde o sistema está sendo afetado com precisão, atendo então à mudanças que sempre melhorem estes índices, gerando assim uma maior eficácia e uma posterior maior rentabilidade da atividade praticada.

Referências

EUCLIDES FILHO, K. Índices produtivos para fazendas de gado de corte. In: Simpósio sobre Bovinocultura de Corte, Anais, Piracicaba: FEALQ, 2004. p. 01-42.
FARIA, V. P.; CORSI, M. índices de Produtividade em Gado de Leite. In: Bovinocultura Leiteira: fundamentos da exploração racional, Piracicaba: FEALQ, 1993. p. 01-22.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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ALTA FLORESTA - MATO GROSSO - ESTUDANTE

EM 23/02/2012

Parabens, continue postando artigos superinteressantes assim, confesso que me ajudou muito. obrigado
JOÃO GABRIEL CABRAL FERREIRA

JOÃO PINHEIRO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/06/2011

Muito bom esta artigo Rafaela!

Muitos Produtores de Leite desconhecem o quanto é importante ter os indices Zootecnicos de sua propriedade, com isso não conseguem encontrar onde estar o erro do seu sistema.

Parabens!
DANILO R SILVA

CATU - BAHIA

EM 08/09/2010

Este artigo descrito por vc Rafaela, contém segredos de sistemas de produção animal muito rentavéis. Pois o que eu vejo por ai até então em meios alguns produtores de gado é o sistema de criação extensiva onde não se tem um controle zootécnico, para avaliar a ptodutividade do rebanho.
Ler esse seu artigo me ajudou a relembrar alguns conceitos básicos de produção Bovina.
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 30/06/2010

Prezado Felipe Francelino Ferreira

O problema em se aumentar o período de serviço voluntário, mesmo quando se trata de animais com elevada persistência de lactação, é que apesar de se ter maior produção leite por lactação, teremos menor produção de leite por vaca/ano. A tabela a baixo pode te ajudar e entender melhor a situção.

Perrsistência de lactação
Mês 95% 80%
IP=12 IP=13 IP=14 IP=12 IP=14
1 40 40 40 40 40
2 45 45 45 32 32
3 42,7 42,7 42,7 25,6 25,6
4 40,6 40,6 40,6 20,5 20,5
5 38,6 38,6 38,6 16,4 16,4
6 36,6 36,6 36,6 13,1 13,1
7 34,8 34,8 34,8 10,5 10,5
8 33 33 33 8,4 8,4
9 31,4 31,4 31,4 6,7 6,7
10 29,8 29,8 29,8 5,4 5,4
11 Seca 28,3 28,3 Seca 4,3
12 Seca Seca 26,9 Seca 3,4
13 40 Seca Seca 40 Seca
14 45 40 Seca 32 Seca
Kg.lactação
11.175 12.024 12.831 5.358 5.589
Kg/dia/IP
30,6 30,4 30,2 14,7 13,1
Kg/vaca/ano
11.175 11.110 11.023 5358 4.799
Diferença
65 152 5817 559
JACQUES NOGUEIRA PORTO

CARLOS CHAGAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/06/2010

Interessantíssimo este artigo, por ser bem claro e mostrar que a produtividade não pode ser medida apenas pela quantidade de leite que uma vaca dá por dia, mas pelo somatório de vários índices reprodutivos do rebanho, que permitem avaliar a viabilidade da atividade.
FELIPE FRANCELINO FERREIRA

CRATO - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/06/2010

Muito bom seu arigo, temos que colocar na cabeça dos produtores que não dá mais para se produzir sem ter todos os dados da fazendo desde esses índicis zootecnicos aos gerenciais.
Mas em relaçao oa que vc diz que a vaca tem que está prenhe aos 85 dias pós parto não podemos ser radical, alguns casos em que a vaca possui uma boa persistencia de lactação pode ser aumentado esse intervalo.
CARLOS VALDETE SAMPAIO

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/06/2010


Muito interessante este artigo, principalmente para aquelas pessoas que estão engajadas no labor da pecuária de leite, pois terá mais subsídios para incrementar o desfrute do seu rebanho leiteiro.

Carlos Sampaio

Em, 02/06/2010.
ALEX SANTIAGO

GUARAREMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2010

Muito bom esse artigo, já que para a maioria dos produtores que focalizam apenas na produção por animal e se esquecem que para manter os custos baixos é preciso ter uma produção constante e para isso a reprodução é fundamental.
JOSÉ APARECCIDO DOS SANTOS

PIRACANJUBA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 28/03/2010

Gostei muito desse artigo, pois ele vai me dar mais oportunidade de conhecer melhor o meu rebanho. Com isso tenho condições de fazer alguns ajustes de indices em minha atividade.
THAIS COSTA

NOVO HORIZONTE - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 19/03/2010

Parabens pelo artigo Rafaela!
Vai me ajudar mt na faculdade.
MilkPoint AgriPoint