Em condições ideais, as vacas são secas faltando 60 dias para o próximo parto. Este é o período mínimo desejado para que os animais se preparem para a próxima lactação. Porém, há situações nas quais a vaca atinge produção muito baixa antes deste período, seja por reduzida persistência de lactação ou mesmo por atraso na reprodução. Nestes casos, como decidir se o animal deve ou não continuar sendo ordenhado ?
Muitas fazendas secam os animais antes do ótimo econômico apenas para manter boa média de produção. Outros ficam mantendo animais com produção anti-econômica pois precisam fazer volume. Mas o correto é fazer as contas caso a caso.
Se o destino da vaca após o término da lactação for o descarte, então basta dividir o custo de alimentação diário pelo preço líquido recebido pelo leite. Ex:
A tabela indica que se a vaca estiver produzindo mais do que 7 kg diários, compensa mantê-la no leite. Abaixo disto, não se paga o custo de alimentação.
Muitos podem argumentar que há outros custos, como mão-de-obra, custos de ordenha, etc., que incidem sobre esta vaca diariamente. Porém, alguns destes custos, como a mão-de-obra, são fixos nesta análise, isto é, com ou sem esta vaca, irão existir. Outros, como os custos de ordenha (cloro, iodo, papel toalha) são reduzidos quando calculados por vaca/dia, devendo se situar entre R$ 0,10 e R$ 0,15/vaca/dia, o que daria no máximo mais 0,5 kg de leite na conta acima.
Outra análise que pode ser feita é a avaliação de células somáticas em rebanhos que recebem bonificação baseada neste parâmetro. Sabe-se que vacas em final de lactação geralmente apresentam maior conteúdo de células somáticas. Se uma vaca em final de lactação apresenta células somáticas em quantidade suficientemente alta para afetar o valor médio do rebanho e reduzir o preço do leite, o efeito negativo desta vaca deve ser considerado também na conta acima.
Ainda, se o animal estiver produzindo com o uso de BST, o custo diário deste deve ser considerado no custo de alimentação. Se as aplicações ocorrem a cada 14 dias e o custo da dose é de R$ 7,50, são mais R$ 0,54/dia no custo de alimentação acima exemplificado em R$ 2,00/dia.
Por fim, se as instalações de vacas em lactação estiverem lotadas e esta vaca estiver ocupando o local de um outro animal que poderia ser alojado com produção mais alta, o custo de oportunidade do "espaço" deveria ser considerado, mas é uma análise mais complicada de ser feita dada a subjetividade desta.
Se não houver uso de BST nem avaliação de células somáticas, a não ser que se queira realmente chegar a um valor exato, basta avaliar o custo de alimentação acrescido de R$ 0,10/vaca referente a custos de ordenha.
Se após a secagem do animal ela ficará no lote de vacas secas, então devemos considerar o custo da vaca seca na decisão de secagem, pois o custo do animal não zera após a secagem. Ex:

Percebe-se que a produção mínima caiu, isto é, a vaca pode ser mantida no leite mesmo com uma produção mais baixa, pois ao secar ela continua tendo um custo de alimentação, embora inferior. Os valores acima são apenas de referência. Use os seus valores e faça os cálculos para sua fazenda com freqüência para definir quais animais devem permanecer em lactação.
fonte: MilkPoint