As reclamações da indústria: o tiro pode sair pela culatra
A indústria de lácteos reclama que suas margens tem se reduzido muito nos últimos meses e que a manutenção dessa situação é insustentável, sendo que algumas já apresentam sinais de dificuldades em função da rentabilidade negativa dos últimos meses.
A indústria alega que embora a maioria dos derivados tenha subido acima da inflação, os preços ao produtor subiram mais que os preços ao varejo, reduzindo a margem uma vez que o mercado não permite repassar essa diferença nos preços ao consumidor.
Alegam que o preço ao produtor nacional já estão em patamares incompatíveis com o mercado internacional.
Luiz Fernando Esteves Martins, presidente da ABIQ, as margens da indústria estariam muito abaixo do mínimo aceitável e chegou a hora de dividir a conta com o produtor. Laercio Barbosa manifesta sua opinião que uma correção significativa dos preços ao produtor será feita ainda no primeiro semestre.
Já cansei de falar que quando se fala que o produtor nacional está acima do de outros países através de uma comparação simplista de preços ao produtor em US$, não levando não as distorções cambiais, não faz sentido, não contribui para resolver o problema do setor leiteiro nacional. O produtor brasileiro produz leite em reais, seus custos e não suas margens aumentaram. A evidência de que o preço que o produtor brasileiro está recebendo não se traduz em margem atrativa é que não estimulou a produção a crescer no ritmo do aumento do consumo. Se a situação do produtor de leite fosse tão boa a tendência seria a produção crescer mais do que a demanda e a velha lei da oferta e procura ajustaria naturalmente os preços.
O fato é que a situação não é boa para os produtores e se a indústria seguir o que Martins e Barbosa falam, baixando significativamente o preço aos produtores, o tiro pode sair pela culatra, reduzir a produção o que levaria ou a um aumento ainda maior das importações ( já somos o terceiro importador mundial de leite em pó ) ou a indústria ter que pagar preços maiores que os atuais para recuperar a produção.
Eu não tenho dúvida que os produtores nacionais poderiam receber menos e ter margens maiores se tivessem produtividade e competitividade, mas isso não é realidade aqui no Brasil. E por que não é? Porque o Governo ignora a pecuária leiteira apesar da sua importância para gerar trabalho e renda no País e a indústria não investe para desenvolver seus fornecedores para que possam ter a produtividade e competitividade desejável.
Isso reforça o que coloquei no meu artigo anterior “Muito além do câmbio”, onde mostro que para o nosso setor leiteiro ser capaz de atender a demanda de nosso mercado interno e poder ingressar no clube dos exportadores não basta corrigir a distorção cambial. É preciso ações do Governo e da indústria para que se possa chegar a produtividade e competitividade a médio prazo.
Ações imediatistas para derrubar os preços aos produtores, que não estão em situação privilegiada e que não tem o poder político e econômico da indústria só servem para perpetuar a baixa produtividade e competitividade do setor que se arrasta a décadas.
Seria muito bom a indústria pensar bem o que irá fazer e o Governo ficar de olho no que será feito.
Marcello de Moura Campos Filho
As reclamações da indústria: o tiro pode sair pela culatra
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HERMENEGILDO DE ASSIS VILLAÇA
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 02/05/2012
muito bom, cngratulações.
continui assim.