Aplicando conhecimentos teóricos: partição de carboidratos x manejo do capim elefante

Alguns manejos e técnicas devem ser tiradas ad teoria e aplicadas em campo. Entenda mais sobre essas aplicações neste artigo.

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Marco Antonio Alvares Balsalobre

Na teoria é uma coisa, mas na prática...... Será? A produção econômica das culturas depende, dentre outros fatores, da translocação de fotoassimilados das folhas para as partes de interesse comercial da planta. Um dos pilares da Revolução Verde ocorrida na década de 60, por exemplo, foi a alteração do índice de colheita de alguns dos principais cereais cultivados no mundo (Evans, 1998). A seleção de variedades de porte menor, onde a alocação de carboidratos para a produção de grãos se dá em detrimento da produção de haste, determinou um grande aumento no potencial de produção de culturas como trigo e arroz .

No caso das pastagens, há um interesse em se maximizar a produção de parte aérea, principalmente de folhas. A partição de carboidratos na planta forrageira pode ser manipulada neste sentido através de práticas de manejo. O caso mais ilustrativo talvez seja o manejo de capim elefante proposto pelo Departamento de Produção Animal da ESALQ/USP.

Corsi (1993) mostra que os perfilhos basais do capim elefante apresentam um elevado rítmo de crescimento e de alongamento das hastes, sendo que, se não forem eliminados durante o primeiro pastejo, rapidamente se estabelecerá uma competição intraespecífica, o que irá prejudicar o novo perfilhamento da planta, e a relação folha:haste da forragem irá decrescer. A eliminação do meristema apical dos perfilhos basais estimula o desenvolvimento de perfilhos laterais que apresentam uma menor capacidade de alongamento das hastes. Desta forma, em áreas de capim elefante, a produção deve ser baseada, principalmente, na exploração dos perfilhos laterais. Esse tipo de manejo põe à disposição dos animais uma forragem com elevada porcentagem de folhas e, portanto, de melhor qualidade.

Estratégias de manejo, como a proposta acima, devem ser estabelecidas para outras espécies forrageiras, principalmente do grupo das cespitosas. No entanto, as alterações na relação folha:haste devem ser analisadas com cuidado. Uma redução acentuada na proporção de hastes da parte aérea pode prejudicar a penetração de luz no interior do dossel, limitando o potencial fotossintético da cultura. Dessa forma, há um limite para a redução do tamanho das hastes, a partir do qual o ganho em termos de qualidade de forragem não compensa as perdas em produtividade devido à redução da taxa fotossintética.

fonte: MilkPoint, com colaboração de Patrícia Menezes Santos (PG-ESALQ/USP)
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