Ajustando a dieta de verão

Com esses dias quentes e abafados de verão se aproximando, a idéia de comer um prato fumegante de sopa não parece atrair a muitos. Em vez disso, nós ajustamos nossas dietas para alimentos grelhados, saladas frias, frutas, sorvetes e bebidas refrescantes. Da mesma forma que alteramos a nossa dieta diária, devemos também fazer o mesmo com as dietas dos animais do nosso rebanho, a fim de que as vacas possam enfrentar melhor o verão que está chegando.

Publicado por: MilkPoint

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*Por Juliana Cristina 

Com esses dias quentes e abafados de verão se aproximando, a idéia de comer um prato fumegante de sopa não parece atrair a muitos. Em vez disso, nós ajustamos nossas dietas para alimentos grelhados, saladas frias, frutas, sorvetes e bebidas refrescantes.

Da mesma forma que alteramos a nossa dieta diária, devemos também fazer o mesmo com as dietas dos animais do nosso rebanho, a fim de que as vacas possam enfrentar o verão que está chegando.

Conforme a temperatura aumenta, a vaca passa a tolerar menos umidade. E para manter a temperatura corporal normal (entre 38,5 a 39,2°), o animal tem que usar de mecanismos de termorregulação para dissipar calor. Quando a vaca não pode dissipar calor suficiente para manter a sua temperatura normal, a resposta encontrada por ela, é reduzir o incremento de calor interno.

Dentro deste mecanismo de termorregulação, a primeira coisa que a vaca passa a fazer, é COMER MENOS, já que o menor consumo de matéria seca (MS) resulta em menos alimento para ser fermentado e metabolizado. Aliado a queda da ingestão, vemos também uma redução na produção, onde para cada 1 kg de redução no consumo, perde-se 2 kg de leite.

No entanto, um trabalho recente publicado por pesquisadores da Universidade do Arizona (Rhoads et al., 2009), observou que a redução no consumo de MS representa apenas 45% na queda da produção de leite, sinalizando assim, que há outros fatores envolvidos - além da depressão do consumo, na redução da produção em situações de estresse térmico.

Abaixo listamos alguns componentes da dieta que podem ser ajustados no verão, a fim de minimizar os efeitos negativos do estresse térmico no seu rebanho.

Proteína e energia

Diferentes alimentos contribuem com quantidades diferentes de calor devido ao calor da fermentação ou a eficácia da utilização dos produtos finais. Milho e outros concentrados, geralmente contribuem para a produção de menos calor de fermentação do que forragens.

O aumento na proporção de milho na dieta é obtido por meio da diminuição da fibra. Porém, se a fibra na dieta não for insuficiente e houver depressão da ruminação, o tamponamento ruminal pela saliva, assim como o pH do rúmen, serão reduzidos, resultando em condições propícias para o desenvolvimento de um quadro de acidose.

A proporção de forragens na dieta pode ser reduzida no verão, mas desde que a dieta final atenda aos níveis mínimos de FDA (19 a 20% da MS da dieta) e FDN (29 A 30% da MS da dieta). A inclusão de subprodutos não-fibrosos pode ser uma fonte eficaz de fibra para o animal para manter a ruminação.

Para manter o consumo de energia com a queda de consumo, é recomendável incorporar fontes de gordura inerte na dieta. Fique atento aos níveis de gordura na dieta final para que não seja superior a 5%, ou quando usando uma fonte de gordura inerte, seja de no máximo 8% da MS da dieta. Atenção ao teor de gordura do leite.

Reavalie a quantidade de proteína e os aminoácidos que você está alimentando suas vacas durante o verão. É fundamental para qualquer dieta, fornecer proteína adequada e um equilíbrio entre carboidratos e proteínas solúveis para maximizar o crescimento microbiano.

Evite excesso de proteína solúvel na dieta, pois o excesso acabará sendo excretado pelo animal através da urina, sendo esta uma via bioquímica que gasta uma grande quantidade de energia.

Balanço de minerais

Aumentam as perdas de fluidos nesse período devido ao suor, respiração ofegante e micção, alterando o equilíbrio de Ácido Carbônico e Bicarbonato. Maior quantidade de Bicarbonato é excretada na urina para manter o equilíbrio, assim como mais Potássio é perdido através do suor.

Essas perdas afetam o equilíbrio cátion-aniônico da vaca. A diferença cátion-aniônica da dieta (BCAD) deve ser de 25-30 mEq/100g MS durante o período de estresse térmico.

Dependendo dos outros componentes da dieta, é recomendável adicionar tamponantes na dieta, como Bicarbonato de Sódio. A inclusão de Bicarbonato de Sódio deve ser de 0,4 a 0,5% da MS da dieta.

Mantenha o teor de Cloro em 0,4% da MS da dieta final, e eleve o Potássio na dieta ao redor de 1,6 a 1,8%.

Aditivos extras

Assim como para nós, o verão é a hora de aproveitar certas guloseimas como sorvetes e picolés, este é também um bom momento do ano para incluir alguns aditivos especiais nas dietas de suas vacas.

Suplementação de leveduras (Saccharomyces cerevisiae) pode melhorar a digestão da fibra e fornecer maior aporte de glicose para os animais. Estudos recentes têm demonstrado que a suplementação de leveduras em períodos de estresse térmico, aumenta o aporte energético dos animais e proporciona acréscimos de produção.

Avalie o teor de matéria seca da dieta final, e estude a possibilidade de adicionar líquidos (água, ingredientes com alta umidade) para melhorar a palatabilidade e evitar a seleção de ingredientes na dieta. Produtos a base de eletrólitos (drench) para ser adicionados à agua dos bebedouros também têm se mostrado efetivos em situações de estresse térmico.

Água

Como o leite é constituído por 85% de água, não é nenhuma surpresa que quando o consumo de água diminui a produção de leite também acaba diminuindo. Um aumento de temperatura de 30º a 35°C aumenta a necessidade de água de 75 para 120 litros por vaca/dia.

Água limpa e fresca deve estar disponível próximo dos cochos de alimentação e corredores. Bebedouros devem ser limpos regularmente.

Comportamento Alimentar

Ajustar os horários de fornecimento dos tratos pode resultar em um padrão de alimentação mais estável, além de animais mais confortáveis. Fornecer o trato no começo da manhã ou no final do dia possibilita que o animal consuma mais durante a parte mais fresca do dia. Uma vez que o animal produz mais calor três a quatro horas após o trato, esta estratégia permite que a vaca dissipe mais calor antes de suportar o calor extremo do dia.

Assim como você gosta da sua dieta de verão, pense em formular a dieta para suas vacas com a quantidade de nutrientes adequada, e valorizando a adição de forragens de qualidade e aditivos especiais. Da mesma maneira que você gosta de beber uma bebida refrescante, pense também sobre o abastecimento de água e manejo de cocho dos animais. Proporcionar conforto e alimentação adequada são fundamentais durante a temporada de verão.

Kuehn, C. 2012. Progressive Dairy 2012. Adjusting the summer diet.

Rhoads, M.L., R.P. Rhoads, M.J. VanBaale, R.J. Collier, S.R. Sanders, W.J. Weber, B.A. Crooker, and L.H. Baumgard. 2009. Effects of heat stress and plane of nutrition on lactating Holstein cows: I. Production, metabolism, and aspects of circulating somatotropin. J. Dairy Sci. 92:1986–1997.
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