Aborto em ovelhas - Parte II: tratamento e prevenção
Quando a taxa de abortos ultrapassa os níveis considerados normais é preciso agir. Para isso, primeiramente é necessário diagnosticar a causa dos abortos para realizar o tratamento adequado e as medidas preventivas corretas para os anos seguintes. Conforme visto na primeira parte deste artigo, o histórico reprodutivo e sanitário do rebanho, sinais clínicos e análise laboratorial são fundamentais para um diagnóstico correto.
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Como chegar a um diagnóstico:
1. Cuidado no manuseio - todo aborto é infeccioso até que se prove o contrário
2. Considerar outras possíveis causas de aborto (manejo recente das ovelhas, stress térmico, tratamentos, presença de predadores (cães, onças, etc), e outras doenças não infecciosas que levam ao aborto (ex. toxemia da prenhez)
3. Colete informações sobre o rebanho e envie-as para o laboratório de análise - número de animais que abortou, qual categoria está com mais problemas (ex. borregas), alimentação, histórico anterior de abortos, introdução de animais no rebanho.
4. Material a ser enviado refrigerado (não congelar):
- Membranas fetais frescas e limpas com cotilédones
- Feto fresco e limpo
- Swab da pele do feto ou do corrimento vaginal caso o feto e a membrana fetal estejam sem condições de envio
5. Coletar amostra de soro para a pesquisa de anticorpos contra toxoplasmose ou aborto enzoótico.
6. Ovelhas de parto gemelar podem dar à luz um cordeiro normal e o outro anormal ou infectado
7. Não se dê por satisfeito com um diagnóstico - o rebanho pode estar infectado com mais de um agente (ex. Toxoplasma e Chlamydia), portanto continue remetendo material ao laboratório, mesmo após exame positivo para um agente.
Tratamento
- Higienização e isolamento de ovelhas que abortaram ou que estiverem com descarga vaginal é fundamental para se controlar um surto de abortos.
- Restos fetais, da placenta e da cama (no caso em que for utilizada), devem ser corretamente descartados - queimados ou enterrados.
- Ovelhas que abortaram não devem ser usadas para adotar cordeiros rejeitados.
- Não se deve comprar reprodutores (machos ou fêmeas) de propriedades que tenham passado por um surto de aborto.
- Para se diminuir as perdas durante o surto, administração de antibióticos podem ajudar. A tetraciclina injetável ou no alimento pode ser utilizada em surtos de Campylobacter e Chlamydia. É importante ressaltar que a escolha do medicamento e a decisão em realizar antibioticoterapia deve ser tomada pelo veterinário que acompanha o rebanho.
Prevenção
Programa genérico de prevenção de abortamento (adaptado de Pugh, D.G.):
- Realizar o período de quarentena de qualquer animal antes de introduzi-los no rebanho
- Manter o escore corporal ideal e fornecer mistura mineral de boa qualidade a vontade
- Evitar exposição a vacas e suínos
- Manter os alimentos e as fontes de água livres de contaminação por urina e fezes
- Reduzir a pupulação de ratos e gatos; manter apenas gatos adultos castrados nos estábulos
- Não colocar os alimentos no solo
- Enviar corretamente as amostras ao laboratório de diagnóstico
- Manter as ovelhas recém adquiridas e de primeira cria em locais separados do resto do rebanho
- Manter as categorias de pré e pós parto em pastagens separadas
- Atuar energeticamente em qualquer caso de aborto (diagnosticar, dar destino adequado aos tecidos abortados, separar as fêmeas que abortaram e em caso de surto, tratar os demais animais)
- Manter o rebanho livre de fatores estressantes e superpopulação, bem como adotar medidas sanitárias adequadas.
Ainda como medidas preventivas, podemos citar o uso de monensina na alimentação de ovelhas gestantes para prevenir a toxoplasmose e a vacinação para prevenção da leptospirose.
Muitas causas de aborto em ovelhas são zoonoses e/ou têm grande importância na saúde pública - Chlamydia, Toxoplasmose, Salmonella e Listeria, ou seja, também acometem os humanos. Portanto deve-se ter cuidado ao assistir a partos e ao cuidar de cordeiros fracos. É importante usar luvas sempre que lidar com material contaminado. Assim como acontece nas vacas, o leite e o queijo não pasteurizados não devem ser consumidos.
Material escrito por:
Déborah Assis Barbosa
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Provavelmente essas bolinhas vistas pelo senhor na placenta são os cotilédones- estruturas naturalmente presentes na placenta, e que servem para "conexão" do útero com a placenta. Sua presença é normal, não se preocupe.
Já em relação à pigmentação ao redor do olho, essa sim é preocupante, já que é indicativo de anemia, muito provavelmente causada devido à presença de vermes hematófagos.
Sugiro que dê uma olhada nos textos que abordam a verminose na seção de Sanidade, para evitar que suas ovelhas sofram com esse tipo de doença!
Um abraço,

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<b>Resposta da autora:</b>
José Luiz,
Primeiramente obrigada por prestigiar o site com mais uma excelente questão. O Toxoplasma, assim como a Eimeria, é um protozoário. Por isso, assim como a coccidiose, a toxoplasmose também pode ser controlada com o uso de coccidiostáticos - como a monensina.
Um abraço,
Déborah