Aborto em ovelhas - Parte I: principais causas
O abortamento é a perda do feto em qualquer fase da gestação, porém é mais comum nos últimos 2 meses. Muitos fatores podem levar à interrupção de uma gestação saudável, e uma taxa de aborto entre 1,5 a 2% é considerada excelente, e até 5% é uma taxa comum.
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O sucesso de uma estação de monta bem realizada, com o emprego de tecnologias de produção como a monta controlada, a monta dirigida, o flushing e o efeito macho, pode ir por água abaixo caso o produtor se esqueça que não basta a fêmea estar prenhe e esquecer-se dos cuidados durante a gestação.
O abortamento é a perda do feto em qualquer fase da gestação, porém é mais comum nos últimos 2 meses. Muitos fatores podem levar à interrupção de uma gestação saudável, e uma taxa de aborto entre 1,5 a 2% é considerada excelente, e até 5% é uma taxa comum. Entretanto o produtor deve ficar atento, já que quando um agente infeccioso é introduzido em um rebanho suscetível, os abortos ocorrem em surtos, acometendo até 20-30% das ovelhas prenhes.
A ocorrência de um aborto é apenas a ponta do iceberg, visto que é apenas parte de uma série de problemas reprodutivos causados por agentes infecciosos ou por doenças metabólicas que levam à infertilidade, reabsorção embrionária e cordeiros fracos - esses sim grandes problemas que somados podem levar a atividade ao naufrágio.
Na primeira parte do artigo identificaremos as causas e sintomas dos principais agentes causadores de abortamento, e na segunda parte abordaremos o tratamento e controle de abortamento em ovelhas.
As causas
Dentre os fatores não infecciosos temos como causadores de abortos as pancadas, brigas entre animais, doenças metabólicas, desnutrição e ingestão de plantas tóxicas. Porém na maioria das vezes esses fatores ocasionam abortos esporádicos, e não levam a surtos.
Já agentes infecciosos, esses sim levam a surtos, e entre os vários que levam ao aborto, os principais são Toxoplasma gondii (Toxoplasmose), Chlamydia psittach (Aborto Enzoótico) e Campylobacter fetus (Vibriose), sendo que em cada região um deles representa o principal agente de aborto, como por exemplo a Toxoplasmose no norte dos Estados Unidos, a Vibriose na região oeste do mesmo país e o Aborto Enzoótico na Inglaterra. Entre as causas menos comuns de aborto estão a leptospirose e a Brucella ovis.
Aborto enzoótico - Chlamydia psittach
O aborto enzoótico também ocasiona a perda do feto no último mês de gestação, embora pode se manifestar tão cedo quanto aos 100 dias de prenhez. É uma doença contagiosa, subaguda , caracterizada por febre , aborto e pelo nascimento de cordeiros fracos.
A doença, além de aborto, pode também causar pneumonia, ceratoconjuntivite, poliartrite, epididimite e diarréia.
A transmissão ocorre durante o período de parição ou abortos. Ovelhas infectadas eliminam no meio ambiente grande quantidade de Chlamydia viáveis junto com a placenta, fetos e líquidos fetais. Os microorganismos contaminam o alimento e a água, infectando ovelhas sadias através do tubo digestivo ou pelas vias respiratórias.
O acúmulo de ovelhas em galpões de parição favorece a transmissão. A infecção de ovelhas entre 30 e 120 dias de gestação leva a placentite, alterações fetais e nascimento de cordeiros fracos. O contágio em ovelhas no último mês de gestação não leva ao aborto e a infecção desse grupo de animais, assim como de borregas ou cordeiras pode resultar em infecção latente que resultará em aborto na próxima gestação. Estudos têm mostrado que um grupo reduzido de ovelhas pode albergar a bactéria no intestino delgado, e dessa forma, excretá-lo pelas fezes, tornando-se fonte de infecção para outros ovinos. Carneiros podem também adquirir infecção intestinal, mas embora o organismo possa atingir os órgãos genitais e infectar o sêmen, não há evidência que o macho tenha importância na transmissão da doença.
O aparecimento da doença pela primeira vez em um rebanho leva a ocorrência de 25 a 60% de abortos, sendo que nos anos subseqüentes a taxa tende a ser menor, entre 1 5%, isso porque as ovelhas que abortam tornam-se resistentes à doença.
A única forma segura para não introduzir a doença no rebanho é a compra de borregas de rebanhos livres da infecção ou que tenham sido monitorados através de exame sorológico. Em outros países tem sido usadas vacinas inativadas com bons resultados.
Toxoplasmose - Toxoplasma gondii
A toxoplasmose é causada por um protozoário que causa abortamento, mumificação fetal, natimortos e nascimento de cordeiros fracos. Os gatos têm importância fundamental na transmissão da toxoplasmose, visto que as gatas, após se infectarem ao ingerir pássaros ou roedores infectados, transmitem a infecção aos seus filhotes, que excretam oocistos de T. Gondii através das fezes. As ovelhas se infectam através do consumo de alimentos e água contaminados com oócitos excretados pelos gatos infectados. A menos que sejam imunodeprimidos, os gatos manifestam doença aparente apenas quando filhotes.
Ovelhas infectadas antes do acasalamento em geral não abortam. Fêmeas infectadas 30 a 90 dias após o acasalamento normalmente apresentam morte fetal com reabsorção ou mumificação. A maior parte dos abortamentos ocorre quando a infecção se instala na metade final da gestação. A prevalência de abortamento no rebanho é baixa, mas pode variar de 3 a 50%.
Leptospirose
Comparado com outras espécies domésticas, os pequenos ruminantes são menos suscetíveis à leptospirose. Os sintomas da doença incluem anorexia (falta de apetite), febre, icterícia intensa, sangue na urina (urina com coloração marrom), sinais nervosos e ocasionalmente morte.
Vários sorotipos de Leptospira interrogans são considerados como causadores de abortamento, porém os mais comuns em ovinos incluem hardjo, bratislava, pomona e icterohaemorrhagica. O aborto ocorre no terço final da gestação.
Vibriose - Campylobacter
Ovelhas com Vibriose abortam durante as últimas 6 a 8 semanas de gestação, ou dão à luz cordeiros fracos ou natimortos. Após o primeiro aborto a ovelha adquire imunidade à doença, que é transmitida após a ingestão dos microorganismos pela fêmea através do contato com feto, placenta ou secreções vaginais infectadas. A bactéria também pode ser disseminada pelo intestino (através das fezes) de ovelhas portadoras que permanecem persistentemente infectadas e ocasionalmente por cães que comeram feto abortado. Embora possa ocorrer abortamento em 70 a 90% das fêmeas do rebanho, geralmente levam a taxas inferiores a 20% em rebanhos infectados enzooticamente.
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Material escrito por:
Déborah Assis Barbosa
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Adquiri um lote de animais que vieram de uma propriedade distante, uns 15 quilômetros, as que vieram prenhas tiveram parto normal exceto as que demoraram mais de dois meses pra parir.
Agora transferi a outra propriedade 10 fêmeas e já teve um aborto a um mês, dois borregos com aleijo na boca mas vivos e estão vivos, aparentemente saudáveis e uma outra matriz teve uma borrega saudável e um morto e sem a parte inferior da boca .
Pelo que eu entendi posso ter um transmissor de vibriose como ter certeza e qual o tratamento?
Grato desde já.

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