A respeito da "mini CPI" da importação de leite

Apresenta comentários sobre o estabelecimento da mini CPI da importação de leite

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A respeito da "mini CPI" da importação de leite

Aplausos aos deputados da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara que criaram a "mini CPI" para investigar as importações de leite do Uruguai dos USA.

Os excelentíssimos deputados facilmente verificarão que no caso do Uruguai as importações foram favorecidas de um lado pela sobrevalorização do Real com relação ao Dolar americano e ao fato do setor de lácteos ter sido oferecido como moeda de troca com o Uruguai para favorecer a exportação de frango.

Com relação às importações dos USA, facilmente verificarão que foram favorecidas pela pela sobrevalorização do Real com relação ao Dolar americano. Aliás, não foi só para o Brasil que as exportações de leite e lácteos dos USA aumentaram assustadoeramente.

Isso mostra que para resolver o atual problema conjuntural de importação é importante rever o acordo com o Uruguai, eliminando o setor lácteo nacional como moeda de troca, e tomar alguma medidade que nos proteja da guerra cambial e comercial que é fato no mundo atual. Apresentei uma sugestão no artigo da minha página do MyPoint, "As vacas de leite estão preocupadas com a política cambial?". Os experts em economia poderão dizer que existem soluções melhores. Tudo bem, mas se não apresentarem logo uma solução, muitas vacas de leite irão para o brejo, ou melhor, irão para o gancho, agravando o problema da importação de leite.

Mas, os excelentissimos deputados, se aprofundarem suas investigações, poderão verificar também que no Brasil o problema de importação de leite é crônico, e que nos últimos 20 anos não produziu o suficiente para abastecer seu mercado interno, apesar dos padrões de consumo nacional estarem abaixo do recomendado pelas organizações de saúde, caracterizando-se, pasmem os excelentíssimos deputados, como importador significativo de leite. Nesses 20 anos as importações foram de 30 bilhões de litros equivalentes de leiete, sendo que apenas no período de 2004 a 2008 produzimos o suficiente para atender o consumo interno e exportar cêrca de 2 bilhões de litros equivalentes de leite - O saldo do comércio internacional de lácteos nesses 20 anos caracterrizou uma importação liquida da ordem de 20 bilhões de litros. Teve anos que chegamos importar o equivalente a 3,5 bilhões de litros e mães assaltando posto de saúde por não terem leite para dar aos filhos.

Essa situação evidencia que nossa pecuária de leite é de baixissima produtividade e competitividade, que falta assistência técnica e recursos financeiros ao produtor para mudar um quadro que é praticamente o mesmo a quase 40 anos, com algumas melhoras pontuais, distantes do que o País precisa para assegurar o abastecimento de seu grande mercado interno e ter excerdentes para exportar e aproveitar as oportunidades que serão oferecidas crescimento da demanda mundial. A importação crônica de leite é um problema estrutural, cuja solução não é imediata e exigirá política e planejamento setorial adequados.

A idéia de tornar obrigatória a divulgação das empresas que importam leite e soro de leite, e das quantidades importadas poderá ser importante não só como medida para para combater fraudes, mas também para orientar os produtores optarem por uma empresa para fornecer leite. 

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo
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Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/12/2010

Prezado Marcelo Erthal Pires

Agradeço o comentário.

As indústrias do frango e da cana de açúcar tem um relacionamento diferenciado da de lacticínios com os produtores, e o resultado também é diferente: atendem olenamente as necessidades do consumo interno e exportam significativamente. Será que os produtores de frango e de cana de açúcar eram tão diferentes dos produtores de leite ou foram as indústrias desses segmentos que tiveram um comportamento diferente para chegar a esse relacionamento com os produtores e conseguir abastecer o mercado interno e exportar?

Com relação ao fato dos produtores de leite não darem a mínima para suas entidades de classe, de quem a maior culpa: dos produtores ou dos dirigentes que permitiram criar o abismo que existe entre os produtores e a direção das entidades?

Seria bom uma reflexão sobre essas perguntas, tanto por parte dos produtores como por parte da indústria. Quem sabe essa reflexão não nos leve a percorrer caminhos diferentes e melhores para setor leiteiro brasileiro.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
marcelo erthal pires
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/12/2010

Caro Marcello de Moura,

o leite brasileiro, serve de 'Bode Expiatório' até para se vender o frango, mas isto é culpa da notória desunião dos Produtores de Leite, e sempre acabamos nos dando muito mal, pagando pela nossa falta de força em nossas representações institucionais.
Perdemos todos !
As instituições de classe existem, mas nunca damos o valor devido....Produtor só procura o outro para vender ou comprar alguma coisa, quase sempre gado.

Meus respeitos e saudações.....................................marcelo
Qual a sua dúvida hoje?