Com relação ao estudo das reações de diferentes genótipos ao ataque de cigarrinhas, os estudos desenvolvidos até o momento comprovam que a resistência de um genótipo a uma espécie nem sempre se aplica às demais. Cardona et al. (2003) verificaram a resposta de um genótipo classificado como resistente às infestações isoladas ou mistas de três espécies de cigarrinha: Aeneolamia varia, Zulia carbonaria e Zulia pubescens. Os resultados apresentados na Figura 1 mostram que quando o genótipo CIAT 36062 é exposto à Z. carbonaria isolada ou em combinação em diferentes proporções com A. varia o nível de dano é maior e ele se classifica como de resistência média. Já quando ele é exposto à Z. pubescens isolada ou em combinação com A. varia, o nível de dano é menor e ele se classifica como resistente.

Figura 1: Escala de danos registrada no genótipo resistente de Brachiaria CIAT 36062 exposto a ataques individuais ou simultâneos de ninfas de Aeneolamia varia (Av), Zulia carbonaria (Zc) e Zulia pubescens (Zp). Nível de dano abaixo de 2 significa resistência e entre 2 e 3 resistência média.
Comentário dos autores:
A cigarrinha é um dos principais problemas enfrentados pelos pecuaristas no Brasil. Apesar da significativa área de pastagens e da importância da pecuária para o agronegócio brasileiro, poucos entomologistas têm se dedicado ao estudo desta praga. Os resultados obtidos no CIAT mostram que trata-se de um problema bastante complexo, pois a reação de cada genótipo varia com a espécie de cigarrinha. O zoneamento das espécies de cigarrinha no território nacional, aliado à determinação da reação dos principais capins ao ataque destas espécies, possibilitaria o plantio de espécies forrageiras adequadas para as condições do local em questão, reduzindo os danos provocados por esta praga.