A Reforma do Código Florestal e a propriedade leiteira

Comenta a necessidade do debate deixar de ser superficial e e deformado por razões ideológicas e o Congresso aprovar sem mais demora as alterações a serem feitas no Código Florestal. E chama a atenção queo que acontecer nessa reforma afeta produtores de leite, sejam da agricultura familiar ou não, pois de forma geral todos trabalham com áreas pequenas.

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A reforma do Código Florestal e a propriedade leiteira

Segundo o Deputado Aldo Rebelo, a pedido de representantes da agricultura familiar, as APP's poderão ser diminuidas em até 50%, além da redução já proposta na primeira versão do relatório. Diz o Deputado que de acordo com as regras atuais a preservação de uma nascente com um raio de 50 metros em torno danascente, acaba exigindo quase um hectare, e como em algumas regiões é comum ter várias nascentes próximas, pode inviabilizar uma propriedade pequena, que pode até ficar devendo área.

E as propriedades leiteiras mesmo não se enquadrando como agricultura familiar, de uma forma geral ocupam áreas pequenas.

Situações como essa é que levaram o Deputado dizer que o pediddov de redução das APP's é da agricultura familiar, mas na sua opinião deveria ser extendido para todos os outros produtores também.

O Deputado, com relação à reforma do Código Florestal, disse muita lucidez: "O debate está sendo pautado de maneira superficial e deformada, como se houvesse um embate entre os grandes produtores e os ambientalistas. Não é verdade que os grandes produtores sejam os únicos a querer mudanças na lei e não é verdade que todos os ambientalistas sejam contrários a qualquer alteração no código".

Na minha opinião não há desentendimento, mas o que falta mesmo é o entendimento, por conta de posicionamentos ideológicos e não técnicos. E aí não se chega a lugar nenhum. É como uma discussão se a melhor religião é a cristã ou muçulmana, ou se o melhor time é o São Paulo ou o Corinthians.

Só que não é possível continuar essa discussão sobre a reforma do Código Florestal por mais tempo, pois a indefinição causará enorme prejuízos ao País. É mais do que hora do Congresso dar um basta e não permitir mais  que  por razões puramente ideológicas  se debata esse assunto de forma supurficial e deformada, como diz  Aldo Rebelo, e mais,não se defina as alterações que deverão ser feitas.

Os podutores de leite, que de forma geral trabalham com áreas pequenas, aguardam ansiosos as definições dessas alterações, pois no ninguém investe para o futuro no escuro sobre um assunto que, conforme o que acontecer, pode inviabilizar a sustentabilidade econômica da sua atividade.



Marcello de Moura Campos Filho
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marcelo erthal pires
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/04/2011

Mas Prezado Marcello de Moura Campos Filho,

sim, sim ... ! ! ! Não é resumido a casos isolados e se precisa dar continuidade a preservação, que cada vez nos produtores, em geral estamos mais conscientes da extrema necessidade de preservar muito à biodiversidade, até de formar Comites de Produtores, para uma criação de um ideal, de não se devastar mais, pois passamos um tortura antes que o lúcido Deputado Aldo Rabelo, tomasse a frente desta Reforma do Código Florestal, formulada para um Brasil e Mundo com muito menos necessidades alimentares, e por gente que não entendia o que estaria fazendo ... neste futuro, que chegou - os dias que estamos vivendo...
Meus respeitos e um abraço à todos
marcelo
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2011

Prezado Marcelo Erthal Pires

Agradeço o comentário.

Em Campinas, quando depois de muita discussãop com ambientalista e protetores doa animais, por causa de mortes de pessoas com febre maculoas,com autorização do IBAMA, cerca de 40 capivaras que andavam pelos córregos da cidade foram sacrificadas, um vereador comentou num jornal: que crime cometeram essas capivaras?

Dentro desse raciocínio deveríamos perguntar quando se combate a dengue ou a febre amarela: que crimes cometeram os mosquitos Aedes Aegypti, Haemagogus ou Sabethes?

O problema é que tem muita gente querendo tratar de assuntos sérios como piscina infantil, onde dá pé para qualquer um. Talvez esse problema só possa ser resolvido o dia que a Receita Federal, com sua fúria arrecadatória, começar a cobrar imposto sobre as besteiras que se fala.

Estes assuntos são realmente complexos e não podem ser debatidos de forma superficial e deformada, como alerta com sabedoria o Deputado Aldo Rebelo. É presciso muita seriedade e bom senso, pois temos que encontrar o equilibrio entre a preservação do meio ambiente e a preservação do espécie humana.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
marcelo erthal pires
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2011

Caro Marcello de Moura Campos Filho,

se tiver algum ecologista muito empolgado com as Matas Ciliares, pode manda-lo aqui para minha região para levar umas Capivaras, pois são muitas mesmo ...
Certos que estes senhores faram um grande favor a minha região e levaram cada um um casal de Capivaras, e ganharam ainda de brinde um monte de Amblyomma cajennense( vulgo "Carrapato-Estrela", "Carrapato de Cavalo" ou "Rodoleiro") e de 'quebra' estam inoculados com a Rickettsia rickettsii que é o agente da Febre Maculosa(ou como os americanos chamam 'Febre das Rochosas'), pode crer que estas sera uma atitude louvável dos Senhores ambientalistas em contribuir para a conservação da natureza, principalmente, com a natureza dos produtores que muito dependem de sua saúde para que levem produtos saudáveis e com ótima qualidade as mesas dos brasileiros !
Parabéns, pelo oportuno tema e vossa inspirada explanação ...
Um abraço
marcelo
Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2011

Prezado Ronaldo Marciano Gontijo

Agradeço o comentário, que permite algumas colocações.

Vou começar pelo fim, quando você coloca que não são todos os proprietáriols que deixaram suas fazendas sem APP e reserva legal, mas sem dúvida esses são a minoria.

A grande maioria terá problemas se não for alterado o Código Florestal de 1965, que incorporou mais restrições ao uso da terra pelos produtores posteriormente, que passaram batidas, o que me parece natural pois a maioria dos produtores rurais não tem condição de avaliar e acompánhar as mudanças da legislação, e infelismente as entidades de representação dos produtores, que tem condições de fazer isso, no passado não cumpriram devidamente seu papel.

Mas veja você que antes de 1965 a maioria das propriedades estavam dentro da lei. Não se falava em APP - ao contrário se incentivou o desmatamento de matas ciliares para combater a febre amarela, e se implementou programas para produção em várzeas, como o Pró-Várzea do Estado de São Paulo. Não havia reserva legal, mas uma reserva energética nas propriedades, criada para atender a falta de madeira e carvão vegetao para as ferrovias que escoavam a riqueza do café e para as indústrias que geravam empregos nad cidades. Foi por isso que Francisco Navarro introduziu o eucalipto no Brasil. E as propriedades usavam essas reservas comercialmente,inclusive para abastecer de madeira para a proprirdade em regiões que o desmatamento já tinha ocorrido a cem ou mais anos. O Código Florestal de 1965 simplesmente se apropriou da reserva energética, restringindo seu uso.

Na verdade foi o Código Florestal de 1965, feito por pessoas da cidade, que ignorou a realidade do campo, e de uma tacada só colocou a grande maioria dos produtores fora da lei. Imagine que se aprovasse hoje uma lei na cidade de São Paulo que nas grandes cidades não pudessem ter prédios com mais de 5 andares. Á maioria dos proprirtários estaria na ilegalidade. Passa pela cabeça de álguem colocar tudo abaixo e construir tudo de novo para atender essa lei?

Você tem razão o assunto é complexo, mas não se pode ignorar a realidade, que salvo exceções, não foram os produtores que agiram ilegalmente, mas uma lei onde faltou bom senso que os deixou na ilegalidade. É louvável o trabalho do Deputado Aldo Rebelo, que todos deveriam conhecer antes de fazerem colocações superficiais.

Mas com relação à sua preocupação, o que for determinado para APP e Reserva Legal valerá para todos, e os "virtuosos" que estão dentro do código atual não precisarão colocar nariz de palhaço e poderão, se quizerem, rever suas áreas de APP e Reserva Legal para enquadra-las na nova legislação.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho


Ronaldo Marciano Gontijo
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2011

E como ficaram os poucos proprietarios que tem suas APPs preservadas e sua reserva legal em dia? Poderam desmatar para ficarem igual aos outros ou ficarão com cara de palhaço utilizando menos terra que os que descumpriram a lei antes desse novo código? Vão ser punidos por terem andado dentro da lei? O tema é muito mais complexo que parece, afinal não são todos proprietarios que deixaram suas fazendas sem reserva legal e sem as APPs.
Qual a sua dúvida hoje?